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Asa antecipa rali pós-primeiro turno ao dobrar posição em Brasil

(Bloomberg) -- Na sexta-feira passada, às vésperas da eleição para presidente, a Asa Investments dobrou sua posição no Brasil, com a leitura de que a bolsa doméstica estava barata demais para ser ignorada.

A aposta valeu a pena: o Ibovespa subiu mais de 5,5% na segunda-feira seguinte à votação, seu melhor pregão desde abril de 2020. A gestora espera repetir o sucesso após o segundo turno em 30 de outubro, dizendo que há espaço para mais ganhos, já que a disputa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Jair Bolsonaro continuará acirrada.

“Foi um pouco de competência e um pouco de sorte”, disse Marcio Fontes, gestor do multimercado macro Asa Hedge e responsável pela estratégia do principal fundo da casa, em entrevista, sobre sua decisão de investimento. “Seja qual for o resultado das eleições, acho que os investidores estão muito negativos com as ações do Brasil.”

O mercado aposta que a vantagem de Lula no primeiro turno pode pressioná-lo a caminhar para o centro antes do segundo turno e priorizar políticas favoráveis ​​ao mercado. Enquanto isso, o desempenho melhor do que o esperado de Bolsonaro sugere que ele ainda tem chance de ser reeleito.

Operadores também deram boas-vindas à eleição de muitos candidatos apoiados pelo presidente para o Senado, a Câmara dos Deputados e os governos estaduais. Para Fontes, isso significa que a agenda econômica liberal permanecerá viva, não importa quem vença a presidência.

O fundo Asa Hedge FIM, que tem R$ 1,4 bilhão em ativos sob gestão, teve um retorno de 36,5% descontadas taxas de performance e administração este ano, e superou 99% de seus pares, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre suas principais participações locais estão ações da Petrobras, que subiram 8% na segunda-feira. Fontes diz que os papéis da companhia continuam baratos, assim como o Ibovespa no geral.

O desempenho melhor do que o dos pares do principal fundo da Asa este ano vem de posições tomadas - que se beneficiam de um aumento dos rendimentos - nos Treasuries americanos e uma aposta vendida - que ganha com a queda - em bolsa americana desde o início do ano, embora o Asa Hedge tenha reduzido essas apostas recentemente. O S&P 500 caiu mais de 20% em 2022, enquanto os rendimentos dos EUA subiram para máximas multianuais no mês passado por temores sobre a postura hawkish do Federal Reserve.

A Asa Investments tem cerca de R$ 2,4 bilhões sob gestão e foi fundada em 2019 por Alberto Safra, filho de Joseph Safra, que faleceu em 2020 e foi um dos banqueiros mais ricos do mundo.

No Brasil, o principal fundo da Asa tem exposição apenas a ações. Fontes está longe do real, que ele considera caro no momento, e também dos juros futuros, que já caíram demais, na avaliação dele. A curva de juros futuros precifica cerca de 300 pontos-base em cortes no próximo ano e a gestora de recursos diz que isso é exagerado, pois a inflação permanece acima da meta e o governo deve impulsionar ainda mais a economia no próximo ano com mais gastos sociais.

“Ainda acho que há alguma lição de casa a fazer até que tenha convergência da inflação”, disse ele. “Os mercados estão muito otimistas.”

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