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Artistas da Baixada expõem obras no Circuito Art Rio

·4 minuto de leitura

A mostra “Vazar o Invisível”, que faz parte do circuito Art Rio e está no estúdio OM.Art, no Jockey Clube, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, tem entre os expositores dois jovens da Baixada Fluminense. A multiartista Lidi de Oliveira, do Parque Paulista, em Duque de Caxias, expõe sua obra “Um caminho com voltas”, e o artista e professor de geografia Osmar Paulino, de Imbariê, também em Duque de Caxias, representa a região com a obra “É preciso inserir preto”. As duas criações foram desenvolvidas especialmente para esta mostra, que tem entrada gratuita, e acontece até o dia 31 de outubro.

A obra de Lidi de Oliveira, de 29 anos, que tem como a costura sua principal forma de expressão, foi uma maneira encontrada por ela para lidar com a perda da mãe, que faleceu de covid-19, e também de reverenciar o passado.

— Essa obra se chama “um caminho com voltas”, o que, para mim, é o exercício do que é a costura, que é literalmente um lugar que vai e volta, é um zigue-zague. Minha mãe faleceu tem quatro meses. Ela era costureira. Então essa obra é de luto, mas também de reverência. Eu vou para trás para beber desses saberes e levar para a exposição — diz a artista.

Para ela, que é cria do Parque Paulista e cresceu no ateliê da mãe, a exposição no Jockey Club é uma oportunidade de mostrar a potência dos artistas da Baixada.

— Existe isso de ver a Baixada como um lugar violento, de violação de direitos humanos, e a Mostra revela que é um lugar de diversidade e de potência. E é possível a filha da costureira estar na galeria de arte mostrando o lugar criativo que existe dentro desse ateliê no Parque Paulista.

Além de representar sua região na exposição, para a artista, a Mostra é uma oportunidade de dar um ‘rolezinho’.

— Eu nunca tinha ido no Jockey Clube, então pensei que se eu fosse entrar lá, queria entrar com a minha comunidade. As costureiras estão todas se mobilizando para ir na exposição, o que é muito legal. A gente não está expondo obra de arte, a gente está levando nossos vizinhos para a galeria — diz.

Lidi de Oliveira trabalha nos preparativos para transformar o ateliê da mãe em uma escola popular de moda. A partir de financiamento de um edital, serão oferecidas aulas gratuitas de introdução à costura e modelagem.

Já o artista de Imbariê, Osmar Paulino, de 34 anos, apresenta em sua obra a questão racial e a desigualdade brasileira.

— É uma tentativa de falar para as pessoas sobre a importância de deslocar o olhar colonizado, sobretudo do Iluminismo, que colocou o ser humano como centro do mundo, mas, esse ser humano tinha uma cor e uma localização geográfica: era o homem branco europeu. Então, a ideia dessa obra chamada “É preciso inserir preto” é apresentar ao mundo a necessidade de inserir o ser humano preto brasileiro dentro da sociedade brasileira de fato.

A obra de Osmar Paulino é composta de uma série fotográfica e uma videoinstalação. Ele espera que o público da Zona Sul possa olhar para a arte produzida pela periferia e pela Baixada como forma de sair da sua própria bolha.

— Tenho certeza que expondo na Zona Sul consigo dialogar menos com meus pares, porque a distância é muito grande. É muito longe, e a passagem é cara. Acho que o prazer da exposição é mútuo, pode ser da gente de dar um rolezinho, mas também pode ser de quem vive lá ter contato com linguagens e dizeres artísticos que estão fora da sua bolha.

O artista é um dos fundadores do Festival de Artes de Imbariê, que promove exposições e discussões sobre arte na região. Ele também circula com o projeto em escolas públicas para falar sobre arte e periferia com os estudantes com oficinas de fotografia, serigrafia, desenho e colagem.

A exposição Vazar o Invisível está em cartaz às sextas-feiras de 14h às 19h, e sábados e domingos das 11h às 18h, e reúne também outros artistas de periferias do Rio e de São Gonçalo. A mostra tem curadoria de Camilla Rocha Campos e Raquel Barreto e é organizada pela PerifaConnection.

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