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'Arrasado pela perda de minha amiga', diz diretor ferido por disparo de Alec Baldwin

·3 min de leitura

O diretor e cineasta Joel Souza, ferido após disparo acidental feito pelo ator Alec Baldwin durante gravações do filme Rust, disse em seu primeiro pronunciamento depois do acidente que está "arrasado pela perda de minha amiga e colega Halyna (Hutchins)", diretora de fotografia que morreu ao também ser alvejada.

"Estou arrasado com a perda de minha amiga e colega Halyna. Ela era gentil, vibrante, incrivelmente talentosa, lutou por cada centímetro e sempre me incentivou a ser melhor", disse Souza em comunicado enviado ao portal Deadline.

O diretor disse ainda que seus pensamentos estão com a família de Halyna e agradeceu o apoio e as mensagens recebidas pela sua recuperação. Souza deixou o hospital em Santa Fe, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira após ser atingido no ombro pelo disparo de Baldwin.

"Estou honrado e grato pela demonstração de afeto que recebemos de nossa comunidade de cineastas, do povo de Santa Fé e das centenas de estranhos que ofereçam ajuda. Com certeza vai ajudar na minha recuperação", completou.

Baldwin atirou acidentalmente durante as filmagens de seu próximo filme, o faroeste "Rust", matando a diretora de fotografia, Halyna Hutchins, de 42 anos, e ferindo o diretor do filme, Joel Souza, de 48. De acordo com testemunhas, o mesmo disparo aingiu os dois.

Após morte de diretora:'Sem palavras para descrever meu choque e minha tristeza', diz Alec Baldwin

Hutchins chegou a ser levada de avião para o Hospital da Universidade do Novo México, em Albuquerque, mas não resistiu aos ferimentos. Souza foi encaminhado ao Centro Médico Regional Christus St. Vicent, em Santa Fé.

Após o disparo acidental, o ator perguntou por que recebeu uma "arma quente" - que contém munição - e afirmou que nunca havia segurado uma similar.

Antes do acidente fatal:parte da equipe de 'Rust' teria pedido demissão alegando 'pouca segurança com armas'

A arma Baldwin usou no set de filmagem foi entregue ao ator por um assistente de direção que garantiu que a pistola era segura, segundo informações presentes num pedido de busca e apreensão, autorizado pela Justiça de Santa Fé nesta sexta-feira. A análise dos equipamentos revelou mais detalhes sobre a morte de Hutchins durante a filmagem do longa-metragem "Rust".

De acordo com a investigação, o diretor assistente Dave Halls não sabia que a arma usada por Baldwin continha munição de verdade e afirmou ao ator que ela não estava carregada. Na ocasião, ele gritou "arma fria", segundo o documento judicial.

Além da arma, a roupa que Baldwin usava, e ficou manchada de sangue, também foi levada pela polícia como prova. Munições e outras armas cenográficas utilizadas na filmagem foram igualmente apreendidas.

Baldwin foi interrogado pela polícia, mas até agora ninguém foi formalmente acusado de algum crime por causa do episódio. Ele foi visto chorando após o depoimento.

De acordo com fontes ouvidas pelo portal americano "Deadline", outra falha semelhante com uma arma cenográfica havia ocorrido no set, dias antes do acidente fatal. "Houve dois disparos acidentais com uma arma numa cabine fechada. Foram dois estouros altos. Uma pessoa estava só segurando (o revólver) nas mãos, e ele disparou", contou uma pessoa da equipe.

Segundo uma mensagem compartilhada pela brasileira Amanda Petrone, que foi assistente de fotografia de Hutchins no longa "Archenemy", parte da equipe de filmagem já havia pedido demissão do projeto por falta de segurança no set, incluindo "pouca segurança com armas", entre outras questões.

Um dos câmeras que trabalhavam no filme declarou que houve falta de pagamento e descuido em relação à Covid-19. "Nós escrevemos sobre esse exato assunto ontem à noite e saímos (das filmagens) hoje de manhã. Isso não está em nenhum dos jornais. Chamaram quatro pessoas não sindicalizadas para nos substituir e tentaram colocar a polícia contra nós", escreveu o funcionário.

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