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Arquitetura fashion: a dupla do escritório Manga Rosa assina projetos das lojas mais descoladas do Rio

Isabela Caban
·4 minuto de leitura

Desde os tempos na Faculdade de Arquitetura da UFF, Marcela Oliveira e Bruna Eckhardt reconheceram uma afinidade: ambas adoram projetos de loja. Mas as duas se aproximaram mesmo quando trabalharam, juntas, no escritório do Ricardo Campos, por quase 10 anos. Lá, aprimoraram o olhar para o varejo, saíram sócias e fundaram a Manga Rosa. Seis anos depois, o escritório, com vistão para a Praia de Charitas, em Niterói, vem virando referência na moda, com lojas como Casa Farm, Dress To, Gringa, Isa Bahia, Luiza Botto, Sacada, Mrs Home, Casa Antix e algumas unidades das marcas Eva, Reserva, Oficina no portfólio.

Bruna trabalhou como modelo e Marcela sempre foi muito ligada em moda e artes plásticas (chegou a cursar Belas Artes na UFRJ, inclusive). “Trabalhar para loja é mais rápido, dinâmico, o cliente deixa a gente pirar… Temos uma pegada muito cenográfica. Fazemos residencial também, claro, mas o bacana é que esses clientes têm chegado a nós pelo universo da moda, os donos das lojas… Então já curtem o nosso estilo, conseguimos fazer algo diferente”, conta Marcela.

Antenadas, as “meninas” (Marcela tem 38 anos e Bruna, 35) pesquisam muito nas redes sociais e estão sempre atentas a novidades. “Somos viciadas no Pinterest. O olho não para… Quando a gente viaja, fica suspirando com algumas lojas. Na Gucci de Los Angeles eu chorei quando entrei. Sério, me emocionou! Os revestimentos, o acabamento… Uma perfeição! Se reinventaram”, analisa Marcela. Por aqui, um dos aspectos que tem agradado em cheio a turma da moda é que elas chegam a resultados super instagramáveis em seus projetos. As filiais da Eva, por exemplo, trazem cabines sempre com uma atração à parte: orelhão, microfones antigos… Vira e mexe aparecem em uma selfie de clientes nas redes, lembranças que vão ficar para contar história mesmo após o fechamento das lojas — a empresa vai encerrar as atividades em breve. Ex-diretora criativa da Eva, Priscila Barcelos lembra ainda da inauguração de uma das lojas que rendeu fila na porta do banheiro, estampadão pelo papel de parede de flores e olhos, com as pessoas se fotografando lá dentro: “Elas são geniais!”.

Mais recentemente, Marcela e Bruna reformularam a Dress To. Elas lembram que o produto da marca não combinava mais em nada com a arquitetura da loja. Vendiam roupa de “night” e passaram a ser solar. O projeto, então, transformou o ambiente com um toque grego, mas permeado pelo tom rosé com palha — a cara do Rio. “A Manga nos ajudou muito com o novo posicionamento e na mudança da identidade visual. Precisávamos de um projeto impactante para essa virada, que tivesse uma pitada extra de ousadia e, ao mesmo tempo, não perdesse a feminilidade. Realmente, os detalhes fizeram toda diferença. Trabalhar com as meninas foi uma super experiência. Gostei tanto que já estou fazendo até a reforma da minha casa com elas”, conta Thati Amorim, diretora criativa da Dress.

A atriz e agora CEO Fiorella Mattheis entregou à dupla sua pop up Gringa (um brechó de acessórios de luxo), que funcionou no Shopping Leblon. Para ela, as arquitetas idealizaram o retrato perfeito da marca, e em 15 dias de execução, estava tudo pronto. O lugar ganhou um espelho de espuma expansiva, que foi muito postado e acabou na casa da atriz. “Eu pedi para elas formas amórficas e clean. Nessa era digital, também precisava de um canto para ser a referência das fotos de looks para internet. Deu muito certo! O espelho está agora no meu closet e recebo sempre, até hoje, fotos de outras mulheres que amaram e fizeram igual”, conta Fiorella. A partir daí, o mundo artístico passou a seguir a Manga Rosa.

Durante a pandemia, as duas não pararam. Foram descobertas por construtoras, por meio de “suas” lojas, e já lançaram alguns empreendimentos, conceituando fachada, portaria, apartamento decorado para clientes como Mozak e Gafisa.

As fotos estilosas que ilustram estas páginas, feitas no hotel-butique Mama Ruisa, em Santa Teresa, conversam com o trabalho do escritório: “As pessoas querem ver quem está por trás do perfil no Instagram, mas nunca nos sentimos à vontade pra aparecer dando dicas aleatórias de decoração, sem um propósito. Achamos esse caminho lúdico de nos divulgar e comunicar nossa ligação com a moda, com a personalidade e potência cenográfica que a gente traz pros projetos”, sintetiza Bruna.