Mercado fechado

Elas desistiram da arquitetura para criar um brechó de marcas famosas a preços acessíveis

Siomara Leite e Danielle Kono, criadoras do brechó Agora é Meu (Foto: Divulgação)

Siomara Leite e Danielle Kono se conheceram num escritório de arquitetura. A parceria entre a arquitetura e o design fez com que elas abrissem seu próprio escritório, mas após uma forte crise econômica em 2015, elas iniciaram uma série de bazares no espaço de forma despretensiosa, que acabaram dando origem ao Brechó Agora é Meu.

“Em 2011, fizemos uma reforma grande na casa que abrigava o escritório em Higienópolis e estávamos vendendo o almoço para comprar o jantar, sem qualquer capital. Quando a crise surgiu em 2015, o imóvel já estava reformado e invés de nos desfazermos, resolvemos fazer um bazar de fim de ano. Afinal, em tempos de crise a gente não chora, vende lenço”, ensina Siomara.

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E foi assim que as roupas da cliente que já não cabiam mais no novo apartamento reformado, as peças da amiga da filha, entre outras, começaram tudo. “Foi quando em julho de 2017 fechamos por 20 dias e demos uma repaginada no visual do espaço, principalmente iluminação e piso. E, assim, o brechó abriu oficialmente”, conta Siomara.

Siomara e Danielle compram roupas em grupos no Facebook e de clientes, sempre tendo em mente peças de grandes grifes nacionais e internacionais. Quebrar o paradigma da lembrança de um brechó como sinônimo de rinite, pó e ácaro é um dos desafios do Brechó Agora é Meu. Afinal, a loja conta com um ambiente organizado, aconchegante e limpo, com uma iluminação capaz de realçar ainda mais a qualidade das peças.

“Fazemos uma seleção criteriosa até a higienização de todas as peças. Tudo para agregar experiência para os nossos clientes, além de dar aos produtos que, se não esquecidos nos closets, teriam como finalidade o descarte”, explica.

A sustentabilidade e frear o consumo desenfreado também são premissas do brechó. “Por isso, os clientes contam com um serviço exclusivo de consultoria de imagem para não comprar nenhum item por impulso. Fora que também não oferecemos sacolas, apenas reutilizamos de outras lojas ou multimarcas”, fala.

Além da loja física, as amigas investiram na versão online também para reforçar o posicionamento de brechó de luxo e afastar o preconceito. “As pessoas acham que vão encontrar só coisa velha e ruim em brechó, mas a realidade é que só as peças boas e contemporâneas que estão lá. Lutamos contra esse preconceito”, diz.

A ideia de franquear o negócio veio da necessidade de tornar essa experiência acessível para a maior quantidade de pessoas possível. “Sou de uma cidade pequena de Minas Gerais e nunca tive acesso a muitas peças. Desde que vim para São Paulo, quando ia visitar a família, o pessoal pedia roupas e marcas que eles não têm. Por isso, a ideia era uma franquia que pulverizasse isso para todo o Brasil”, fala.

Formatado para ser mais acessível e prática, a nanofranquia Brechó Bag traz uma mala personalizada, já com estoque inicial, por R$ 5.900. Sem royalties e taxa de publicidade, tem um prazo de retorno em até três meses e um faturamento estimado em R$ 5.000,00. "Esse modelo é positivo, pois você consegue fazer seu próprio horário. Fora que nós fornecemos todas as peças já lavadas e passadas", explica.

E também há a opção de lojas físicas, com aproximadamente 80m², e investimento inicial de R$ 183.700, já incluso a taxa de franquia, instalações, equipamentos de TI e estoque inicial. O faturamento estimado é de R$ 50 mil, com uma lucratividade de 20%.