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Arqueologia e paleontologia: qual a diferença?

Quando pensamos em antepassados, sejam eles humanos, animais ou até mesmo plantas, logo duas palavras nos veem à cabeça: arqueologia e paleontologia. São duas ciências bastante importantes para o entendimento do planeta Terra, mas cada uma delas trata de questões bastante específicas e distintas.

Para entender melhor qual é a diferença entre essas duas ciências, o Canaltech conversou com Cris Amarante e Beatriz Marinho Hörmanseder, arqueóloga e paleontóloga, respectivamente, que nos explicaram com detalhes como funcionam seus trabalhos e quais são as áreas de estudo.

<em>Imagem: Reprodução/Wirestock/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/Wirestock/Freepik

Qual é, então, a diferença entre arqueologia e paleontologia?

Cris Amarante, doutora em arqueologia pela USP e UFS, especialista em arqueologia subaquática e diretora científica em Portugal, onde vive, conta que não é tão fácil assim entender o que é a arqueologia. "Estudamos o passado, mas em vez de usarmos livros nós temos como objeto de estudo a cultura material, ou seja, tudo o que foi produzido por homens e mulheres em um determinado lugar e espaço de tempo", explica a especialista.

Esses antepassados não precisam ser, exatamente, de milhares de anos atrás, mas também de décadas não muito distantes. "Alguns sítios arqueológicos têm um passado bastante recente, como os ligados ao período da ditadura militar no Brasil, nas décadas de 1960 e 1970", diz Amarante. A profissional nos explicou ainda que a arqueologia é uma ciência bastante diversa e interdisciplinar, pois os profissionais se apoiam bastante no conhecimento, inclusive de outras ciências.

"Nós dialogamos com o conhecimento de outras ciências, como a antropologia, física, química e geografia. Hoje em dia, por existir uma preocupação maior com a divulgação do conhecimento arqueológico (Arqueologia Pública), dialogamos também com educação, comunicação, museologia e turismo", explica a arqueóloga.

Cris diz ainda que a interação com outras ciências também vai depender do sítio arqueológico de estudo. No caso de ruínas, por exemplo, é fundamental ter conhecimentos de arquitetura e engenharia. "Mas, no fundo, a arqueologia é muito baseada em levantamento de dados e a análise deles, que acontece por meio do nosso principal instrumento de trabalho: a escavação", conta a arqueóloga. Ela conta que as escavações são meticulosas, detalhadas e lentas, o que permite o estudo aprofundado dos sítios.

Perguntamos a Cris quais foram as melhores contribuições da área para a ciência, e a arqueóloga citou a definição da doutora e museóloga Marília Xavier Cury em uma tese de doutorado de 2005 na ECA USP. "Ela fala que a arqueologia, por estudar uma diversidade de povos do passado, pode ser uma ciência que nos ajuda muito a desenvolver a tolerância. Isso no sentido de conhecermos uma diversidade no passado, admirarmos e passarmos a respeitar a diversidade cultural no presente", conta.

Através da observação de Marília, Cris conta que quanto mais estuda arqueologia, mais é convencida sobre essa relação. "Percebo também que pessoas do passado tinham soluções inteligentes, criativas e diversas para problemas semelhantes. Isso nos permite perceber que no presente existem várias soluções para um mesmo desafio", completa.

<em>Imagem: Reprodução/Adam Mathieu/Unsplash</em>
Imagem: Reprodução/Adam Mathieu/Unsplash

Agora, chegou a hora de entender melhor o que é a paleontologia, segundo as palavras de Beatriz Marinho Hörmanseder, bióloga, paleontóloga, divulgadora científica e doutoranda. A profissional conta que a ciência basicamente é o estudo dos organismos fósseis, que podem ser plantas, fungos e micro-organismos, em suas diferentes formas e modos de vida. Nos estudos, fósseis de plantas e animais são coletados, analisados, descritos e classificados, com o objetivo de entender como era o planeta Terra há milhões de anos, e como o meio ambiente mudou com o passar do tempo.

"O clássico 'estudamos o passado para entender o futuro não é a toa", diz Beatriz. Estudando as extinções do passado, mortalidade em massa, níveis de oxigênio e gás carbônico, por exemplo, conseguimos criar modelos úteis para o presente e futuro", completa a especialista, pontuando a importante colaboração da profissão para a ciência. E se engana quem acha que a paleontologia é apenas sobre dinossauros. A ciência estuda animais vertebrados, como crocodilianos, pterossauros, mamíferos, anfíbios, peixes, dinossauros e aves, e invertebrados como insetos, crustáceos, trilobitas e vermes, como explica Beatriz. Também entram nos estudos plantas como samambaias e flores, além de pólen e carvão, microfósseis e icnofósseis.

A paleontologia permite, inclusive, rastrear os grupos de animais, plantas, entre outros, para estudar a evolução na vida na Terra. "A gente consegue rastrear de onde surgiram os grupos, em que períodos, e como eles se desenvolveram ao longo dos anos. Com o registro fóssil, conseguimos saber exatamente qual animal é parente de qual, por exemplo. Tendo o registro paleontológico dessa ancestralidade, você consegue saber o nível de proximidade entre os grupos", diz.

Sendo assim, a paleontologia se difere da arqueologia porque ela estuda os organismos que passaram pelo processo de fossilização, enquanto a arqueologia estuda apenas a espécie humana, sua forma de vida, cultura e sociedade, como diz Beatriz. Cris também fala sobre a diferença, afirmando que muitas pessoas não sabem que a arqueologia é muito mais do que estudar as pirâmides do Egito, assim como a paleontologia é muito mais do que estudar os dinossauros.

Há chances, no entanto, de ambas as ciências trabalharem lado a lado. "O único momento em que os paleontólogos e arqueólogos ficam mais perto é quando, em determinado sítio, existem evidências reais de que os humanos conviveram com alguma fauna que já é extinta", explica Cris. A arqueóloga conta ainda que no Brasil isso pode acontecer no Piauí, que entre 10 mil a 50 mil anos atrás contava com uma megafauna de preguiças-gigantes, tigres dente-de-sabre e cavalos selvagens que, muito provavelmente, conviveram com os humanos.

<em>Imagem: Reprodução/Wirestock/Freepik</em>
Imagem: Reprodução/Wirestock/Freepik

Como ser um arqueólogo ou paleontólogo no Brasil?

Se você tem interesse em trabalhar como arqueólogo ou paleontólogo no Brasil, você pode fazer um curso de graduação ou ainda fazer um mestrado, caso a sua formação seja de outra área. O campo de trabalho é bastante abrangente e o estudante não precisa definir como irá seguir a carreira ainda no início do curso, mas caso a pessoa já tenha algo em mente, ela pode buscar por universidades especializadas na área em que tem desejo.

Entre as especializações, segundo Cris, estão a arte rupestre, arqueologia clássica, material cerâmico e lítico, sítios arqueológicos, entre outros. A profissional conta também que novas especializações vêm surgindo com o passar dos anos, como arqueologia feminista, de transgêneros, de matriz africana, diáspora, forense e resistência, por exemplo.

Agora, se você quer se tornar um paleontólogo, Beatriz explica que é preciso fazer uma graduação de biologia ou geologia, e um trabalho de conclusão de curso (TCC) com foco na área, ou ainda pode fazer uma pós-graduação. Durante o curso, o aluno pode escolher sua especialização entre os animais, plantas e fungos citados acima.

Fonte: Canaltech

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