Mercado fechará em 36 mins

Argentina: Quarentena obrigatória tem policiais nas ruas e mercados cheios

Marina Guimarães

Regra de confinamento imposta pelo governo permite sair apenas para comprar comida e remédio O primeiro dia de quarentena obrigatória na Argentina foi marcado por um policiamento ostensivo. Forças de segurança passaram a controlar movimentos de transeuntes e automóveis. No total, 200 pessoas foram detidas por violar a quarentena.

Na esquina da confeitaria Las Violetas, considerada um dos patrimônios culturais da cidade de Buenos Aires, dois policiais tentavam convencer Alberto Domínguez, de 76 anos, a voltar para casa. Domínguez argumentou que tinha a obrigação de levar comida para a mãe de 98 anos que vive sozinha.

“O senhor não entende que está colocando a sua vida e a da sua mãe em risco estando na rua como se nada estivesse acontecendo? Por que não leva a sua mãe para sua casa ou vai morar com ela por este período?”, questionou o policial.

Domínguez deu de ombros e seguiu o caminho dizendo que ficar sua mãe é impossível. Ele não foi multado nem detido. A regra de confinamento imposta pelo governo na quinta-feira permite sair apenas para comprar comida e medicamento.

Em frente a um motel na rua Presidente Perón, no bairro Almagro, havia uma concentração de dez policiais que haviam detido sete casais que tentaram driblar a quarentena e portavam drogas sintéticas.

O aumento da presença das forças de segurança na cidade é visível, mas nem todos os que saem às ruas são abordados. Ao Valor, um policial disse que a ideia é mostrar que a quarentena será séria e dar tempo para que as pessoas se organizem para fazer compras.

Nesta sexta-feira, há menos ônibus em circulação do que em feriados e poucos passageiros. A quantidade de automóveis circulando, no entanto, ainda alta.

Apesar de as lojas terem amanhecido com as portas fechadas e a circulação de pessoas ser mínima, supermercados e açougues tinham filas e precisaram controlar a entrada de pessoas.

“Quero comprar tudo o que puder porque não sei se o confinamento será ampliado e não posso colocar em risco a minha saúde e a da minha família”, disse a professora Graciela Rodriguez na porta de um supermercado.

“Mas nessa fila aqui as pessoas não estão respeitando a distância entre uma pessoa e outra. Estou tendo que brigar”, queixou-se.

Até a noite desta sexta-feira, a Argentina havia confirmado 158 casos de contaminação e três pessoas já morreram.