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Argentina inicia campanha de vacinação contra covid-19 com a Sputnik V

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A Argentina iniciou uma campanha de vacinação contra a covid-19 com a aplicação da Sputnik V e se tornou o primeiro país da América Latina a inocular sua população com o imunizante do laboratório russo Gamaleya.

A campanha começou de forma simultânea em todo o país e tem como prioridade a vacinação voluntária dos profissionais da saúde em uma primeira etapa.

"A ideia é começar a vacinação com os que estão mais expostos ao risco. É realmente épico fazer a maior campanha de vacinação da Argentina com igualdade de acesso", disse o ministro da Saúde Ginés González García, ao iniciar o processo no Hospital Posadas de Buenos Aires.

Neste hospital, a médica de UTI Flavia Loiacono foi a primeira pessoa a receber a Sputnik V às 9H00 locais. No mesmo horário e em diferentes centros de saúde ao longo das províncias outros profissionais da saúde foram vacinados.

A Argentina é o quarto país latino-americano que começa a vacinação contra a covid-19, depois do México, Costa Rica e Chile, que aplicam a vacina do laboratório Pfizer.

O país registra desde março mais de 1,5 milhão de contágios e 42.868 mortes.

"Teremos que continuar nos cuidando porque, até que a vacina faça efeito em nível comunitário, vão passar alguns meses", alertou o ministro.

A Sputnik V prevê uma segunda dose para ser aplicada 21 dias após a primeira.

Na cidade de Buenos Aires, governada pela oposição do Juntos pela Mudança, o ministro local da Saúde Fernán Quirós agradeceu os esforços para levar a vacina, mas destacou a necessidade de obter a informação técnica que ainda não foi divulgada.

"Precisamos acessar em curto prazo as informações técnicas e os detalhes para fazer uma autoavaliação, não apenas os funcionários e os técnicos, mas a sociedade toda, neste período até a próxima entrega. E que cada um possa decidir de forma autônoma se daremos a vacina com base em dados e não com base na confiança que cada um possa ter em diferentes instituições e governos", declarou Quirós.

- Emoção e alívio -

No hospital Isidoro Iriarte de Quilmes, na periferia sul de Buenos Aires, as primeiras a receber a vacina foram três enfermeiras.

"É uma alegria imensa, estamos lutando dia após dia com esta pandemia e há muito tempo esperamos por isso. Vimos muitos colegas perderem a vida, isso é uma esperança", disse à AFP a enfermeira María Elisa Arriola, de 38 anos.

"Chegou o início do fim! Temos fé que agora tudo isso vai aliviar um pouco", comemorou Sandra Juárez com seu cartão de vacinação emitido recentemente.

- Próximas etapas -

A primeira remessa com 300.000 doses chegou a Argentina procedente de Moscou em 24 de dezembro. O acordo com a Rússia contempla outras 19,7 milhões de doses que serão entregues entre janeiro e fevereiro, com a possibilidade de comprar mais 5 milhões.

Os outros grupos que serão vacinados em etapas posteriores são as pessoas de mais de 60 anos, as que sofrem de comorbidades, assim como integrantes da polícia e do sistema de ensino.

Para imunizar sua população, a Argentina lançou uma campanha que contará com 116.000 enfermeiros em 7.749 estabelecimentos e a colaboração de outros 10.000 voluntários.

Além deste acordo, a Argentina assinou também outros de fornecimento de vacinas com a Universidade de Oxford associada com a farmacêutica AstraZeneca e com o mecanismo Covax da Organização Mundial da Saúde (OMS). Também negocia a chegada do produto do laboratório Pfizer.

O governo do presidente Alberto Fernández planeja adquirir um total de 51 milhões de doses de vacinas contra a covid-19.

A Sputnik V foi aprovada em "caráter emergencial" no dia 23 de dezembro pelo ministério da Saúde, na primeira autorização que a vacina recebeu na América Latina.

A vacina já é aplicada na Rússia e em Belarus. A Hungria recebeu na segunda-feira 6.000 doses, mas ainda não começou a administrar o fármaco.

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