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Arcebispo de Aparecida (SP) cita 'dragão do tradicionalismo' e chama direita de 'violenta'

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Declaração de dom Orlando Brandes ocorreu durante o sermão da missa especial pelo Dia da Padroeira.

  • A direita é violenta, é injusta, estamos fuzilando o papa (Francisco), o Sínodo (da Amazônia)”, criticou arcebispo.

O arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, durante sermão da missa especial pelo Dia da Padroeira, no Santuário Nacional, neste sábado (12), focou sua palavra na proteção da Amazônia e invocou os fiéis a ajudar na proteção da vida, a buscar os afastados e a ocupar os espaços vazios. O arcebispo subiu o tom crítico à classe política ao mencionar o "dragão do tradicionalismo" e dizer que a direita é "violenta" e "injusta".

As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

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"Temos um dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estamos fuzilando o papa (Francisco), o Sínodo (da Amazônia), o Concílio do Vaticano II, parece que não queremos vida", declarou Brandes durante a homilia. Nas escrituras, o arcebispo destacou, “o dragão é o demônio, é o diabo, é o mal que desorganiza tudo. Satanás também tem as suas comunidades, grupos do mal, que tentam e atentam contra a vida."

O religioso ainda pediu para que Nossa Senhora Aparecida livre os brasileiros do mal.

"Para que, no Brasil, nossas crianças não morram mais com bala perdida, nossos jovens não se suicidem e nossos idosos tenham um lugar de dignidade para viver e sobreviver ao dragão do pecado", clamou.

A respeito do "dragão", Brandes analisou que o caminho para a corrupção está sendo facilitado, o que, opinou, aumenta as desigualdades sociais em um momento em que os brasileiros sofrem com o desemprego e a violência.

Ao final, invocou os católicos a buscar os afastados da Igreja e a ocupar os espaços vazios na sociedade.

Segundo o arcebispo, que trabalhou com projetos sociais na região amazônica, a Igreja Católica mantém diversos serviços de assistência para a população ribeirinha, incluindo um barco-hospital em operação no Rio Amazonas.

Amazônia e a Igreja

Passada a celebração, o arcebispo disse que a Amazônia está sendo corrompida sob a exploração dos recursos naturais e a exploração sexual da comunidade ribeirinha.

"A Amazônia é do Brasil, a Igreja se colocou contrária a grupos transnacionais interessados na internacionalização da Amazônia. Pelo fato de a Amazônia ser nossa, temos que cuidar de quem mora lá", concluiu.

Mais de 40 mil fiéis acompanharam a missa principal. Muitos romeiros acompanharam o culto do lado de fora da basílica, já que faltou espaço dentro do Santuário Nacional.

Segundo o Santuário, mais de 170 mil pessoas devem visitar a imagem da santa neste sábado.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) participou da missa das 16 horas.