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Aras apura se Pazuello cometeu falsidade ideológica por uso de documento com nomes de cientistas que negaram autoria

Renata Mariz e Aguirre Talento
·1 minuto de leitura

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que apura de forma preliminar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por ter incluído informações, nos autos de duas ações no Supremo Tribunal Federal, sobre o plano nacional de vacinação contra a Covid-19, com a assinatura de vários pesquisadores, que, segundo nota por eles divulgada posteriormente, não tiveram sequer acesso ao documento. O ato pode ser enquadrado como falsidade ideológica e fraude processual.

Ao responder a um pedido de apuração feito pela deputada Natália Bonavides (PT-RN) sobre o fato, Aras informou que já tramita na PGR uma investigação preliminar do relatado pela parlamentar.

"Nesta Procuradoria-Geral da República já tramita Notícia de Fato destinada à averiguação preliminar do acontecimento ora relatado pela Deputada Federal noticiante (...) Eventual surgimento de indícios razoáveis de prática criminosa pela autoridade noticiada ensejará, pois, a adoção das providências necessárias à persecução penal", afirmou Aras, ao arquivar o pedido da deputada.

Em dezembro, 31 elaboradores do Plano Nacional de Vacinação divulgaram uma nota pública protestando por sua falta de acesso à versão final do documento, que havia sido entregue horas antes pelo governo federal ao STF.

Os pesquisadores, que representam diversas instituições da área de saúde, integram o eixo "Epidemiológico" do plano, que estuda a situação da pandemia e define os grupos que devem ter prioridade na vacinação contra a Covid-19.

"Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência", ressaltaram os cientistas, em nota.

Pazuello é alvo de um inquérito aberto a pedido da PGR sobre sua atuação em relação à crise sanitária no Amazonas, que ficou sem oxigênio nos hospitais, onde doentes da Covid-19 morreram asfixiados.