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Aramco espera ser avaliada em US$ 1,7 trilhão após lançamento na Bolsa

Imagigem de coletiva de imprensa da Aramco em Dhahran (Arábia Saudita), em 3 de novembro de 2019

A petroleira saudita Aramco revisou em baixa, neste domingo (17), seus objetivos para o lançamento na bolsa (IPO) e anunciou a meta de avaliação de 1,71 trilhão de dólares - longe dos 2 trilhões almejados pelo príncipe herdeiro.

A Aramco anunciou em um comunicado que prevê lançar na Bolsa de Riad 1,5% de seu capital, o que pode representar receita de entre 24 e 25,5 bilhões de dólares.

Trata-se de uma meta revisada em baixa em relação à previsão inicial de uma avaliação da empresa de US$ 2 trilhões feita pelo príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman.

Contudo, a operação está à altura do maior lançamento na Bolsa da história, da chinesa Alibaba, que em 2014 arrecadou 25 bilhões de dólares na Bolsa de Nova York.

Este domingo é o primeiro dia do período de assinatura que durará até 4 de dezembro. O preço final da ação será decidido em 5 de dezembro, segundo o prospecto publicado pela empresa há uma semana.

A Aramco, que produz cerca de 10% do petróleo mundial, é a principal fonte de renda da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, e suas receitas são cruciais para a estabilidade econômica e social do país.

Seu lançamento na Bolsa, várias vezes adiado, é a base do plano de reformas do príncipe herdeiro para diversificar a economia do país, muito dependente do petróleo.

Segundo a agência de classificação financeira Standard & Poor's, a operação pode permitir à Arábia Saudita consolidar sua situação financeira: "Se os fundos reunidos forem usados de forma eficaz, poderiam permitir ao país apoiar o crescimento a longo prazo".

"O preço [anunciado pela Aramco] é um compromisso razoável e permitirá vender as ações", afirmou pelo Twitter Tarek Fadlallah, diretor-executivo para o Oriente Médio da companhia de gestão de ativos Nomura.

A Arábia Saudita se esforça para que o lançamento da Aramco na Bolsa seja um sucesso, estimulando as famílias ricas sauditas a investir como "dever patriótico".

Na semana passada, o xeque Abdulah Al Mutlaq, um dos membros da maior instância religiosa do país, alentou os sauditas a investir em uma emissora de televisão local afirmando que isso é permitido pelo Islã e que até alguns líderes religiosos participarão deste IPO.

Investidores e especialistas esperavam um plano inicial de lançamento da Aramco em duas fases: a primeira, o IPO de 2% do capital em Tadawul (principal índice da Bolsa de Riad), e depois uma oferta pública de 3% em uma Bolsa internacional.

Mas, por fim, a petroleira disse que por ora não considera o lançamento internacional.