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Ar mais poluído do mundo não é o de Pequim ou Nova Déli

Laura Millan Lombrana, Eduardo Thomson e Valentina Fuentes
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Aninhada em um vale no centro do Chile, perto de lagos e montanhas cobertas de neve, fica uma das cidades mais poluídas do mundo.

Todo inverno, a sonolenta Temuco mergulha no ranking global de qualidade do ar. Embora megacidades notoriamente poluídas, como Pequim e Nova Déli, tenham populações quase 100 vezes maiores do que o total da pequena cidade chilena, a contaminação de Temuco não provém da atividade econômica. Vem da pobreza.

De junho a agosto, os termômetros em Temuco caem para 4º Celsius. Os temuquenses de baixa renda da cidade de 220 mil habitantes não têm escolha a não ser queimar lenha barata - geralmente molhada - para se aquecer.

Da janela de sua sala de estar, Patricia Bravo, de 60 anos, diz que às vezes consegue ver apenas meia quadra na rua em seu bairro de Temuco. O resto é tudo fumaça cinza. “É como viver em uma cidade com neblina permanente, exceto pela fumaça da chaminé”, diz Patricia, que mora na cidade desde que era jovem. Ela se acostumou à coceira nos olhos e cheiro de fumaça na sala de estar neste inverno, diz, mesmo quando sua própria chaminé está apagada e janelas fechadas.

De acordo com dados compilados pela Bloomberg Green e OpenAQ, uma organização sem fins lucrativos, Temuco teve a pior qualidade do ar do mundo em pelo menos cinco dias nas últimas oito semanas, incluindo por dois dias consecutivos, em 8 e 9 de julho. Vinte e cinco das 30 cidades mais poluídas da América do Sul estão no Chile, segundo relatório anual de 2019 da consultoria suíça IQAir.

À medida que o ar piora, o mesmo ocorre com várias doenças. É um ciclo que, segundo Fernando Lana, se repete todo inverno nos 40 anos em que trabalhou como cardiologista em Temuco. “Existe uma correlação quase perfeita entre os níveis de contaminação e as visitas ao médico para doenças cardíacas ou insuficiência cardíaca”, diz Lana.

A tendência é especialmente preocupante neste ano para residentes e autoridades de saúde, à medida que a Covid-19 avança nas Américas. Mais de 3,6 milhões de pessoas foram infectadas pela doença na América Latina.

O governo do Chile está preocupado com os picos periódicos de poluição no sul do Chile e tenta reduzir as contas de energia para que mais chilenos possam usar eletricidade para aquecimento em vez de madeira, disse o ministro da Energia, Juan Carlos Jobet, em entrevista à Rádio Bloomberg no mês passado. Mas isso levará tempo e provavelmente não afetará os hábitos neste inverno.

A madeira úmida é “barata para o comprador”, disse Jobet, “mas muito cara para a sociedade”.

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