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'Aqui o pessoal pega o Auxílio e vota 13', diz governador do PI

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 05.10.2022 - O governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT),durante evento no hotel Jaraguá, em  São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 05.10.2022 - O governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT),durante evento no hotel Jaraguá, em São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Governador eleito do estado que deu a maior vitória proporcional a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, Rafael Fonteles (PT), do Piauí, diz que a meta é melhorar ainda mais esses números neste domingo (30).

"Nossa avaliação é que será possível passar de 80% dos votos para Lula", diz Fonteles, que venceu a eleição no primeiro turno, com 57%. Para presidente, Lula teve 74%, contra 20% de Jair Bolsonaro (PL).

Expoente de uma nova geração de líderes petistas, Fonteles, 37, avalia que medidas que o atual governo tem tomado para tentar elevar sua popularidade, como o aumento do Auxílio Brasil e a criação de uma nova modalidade de crédito consignado, não terão efeito junto ao eleitorado do estado.

"Aqui o pessoal pega os R$ 600 [valor do Auxílio] , pega R$ 2.000 [do consignado] e vota 13 [número do PT]", afirma o governador eleito.

Ex-secretário da Fazenda do estado, Wellington Dias (PT), Fonteles afirma que espera que um novo governo aprove a revisão do pacto federativo e promova a reforma tributária. Para isso, acredita, a vitória de Lula é primordial.

"Com Bolsonaro, a reforma tributária não andou", justifica. Outro exemplo negativo nessa área, segundo o governador eleito, foi a decisão do governo federal de promover a redução do ICMS dos combustíveis, apesar dos protestos dos governadores, que perderam receita.

"Foi a maior quebra do pacto federativo que esse país já viu. Isso é um motivo de muita preocupação para nós. Tivemos perda de arrecadação de R$ 100 milhões por mês, ou mais de 10% do orçamento", afirma.

Apesar das dificuldades orçamentárias, o petista prevê a geração de 80 mil empregos no estado nos próximos quatro anos, o que seria um recorde histórico. Na área educacional, a meta é colocar o Piauí entre os primeiros colocados no ranking do Ideb. Atualmente, o estado ocupa a nona colocação. Ele também promete investimento forte na digitalização do governo.

Durante a campanha, o PT precisou enfrentar a atuação política no estado do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), que se tornou o principal cabo eleitoral do adversário de Fonteles, Silvio Mendes (União Brasil).

"O ministro Ciro é chamado aqui no estado de ilusionista, porque fez muita força para eleger o candidato dele, mas não para o Bolsonaro. Se ele associasse meu adversário ao presidente, a diferença em nosso favor teria sido ainda maior", diz o petista.

Fonteles compôs durante sete anos o governo de Dias, que se elegeu para o Senado e é mencionado como um possível nome para o ministério de Lula.

O governador diz torcer por essa possibilidade. "Ter um senador como Wellington já é bom, se for ministro, melhor ainda, para lo Brasil e para o Piauí", afirma.