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Aprosoja questiona uso de tecnologia da Bayer no Brasil

·2 minuto de leitura
Colheita de soja em Correntina (BA)

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), que representa cerca de 240 mil agricultores, expressou preocupação com o uso de uma tecnologia de semente de soja geneticamente modificada resistente ao herbicida dicamba, conforme comunicado publicado nesta terça-feira.

Os novos questionamentos sobre o herbicida, que já enfrentou obstáculos em tribunais dos Estados Unidos mas acabou liberado pela Agência de Proteção Ambiental do país (EPA, na sigla em inglês) por cinco anos em 2020, ocorrem pouco antes da nova safra de soja do Brasil, cujo plantio começa no mês que vem em Mato Grosso.

A Bayer, proprietária da tecnologia Intacta2 Xtend, que resiste ao dicamba, bem como ao glifosato e a lagartas, realizou o lançamento comercial do produto no último mês de junho.

A terceira geração de sementes de soja geneticamente modificadas da Bayer está disponível para plantio no ciclo 2021/22 no Brasil, mas ainda não está claro se será adotada pelos produtores.

A Aprosoja afirmou que a Bayer promoveu os benefícios do uso pós-plantio da tecnologia, mas depois alterou "o registro e a recomendação de uso do herbicida para uso apenas em pré-plantio", sem recomendar seu uso em pós-plantio.

A Bayer disse que produtores que utilizam o Xtendicam, um herbicida à base de dicamba para uso no pré-plantio que faz parte do pacote Intacta2 Xtend, devem seguir rigorosamente as instruções do produto.

"As recomendações indicadas pela Bayer para a aplicação de dicamba nas lavouras de soja seguem as boas práticas já conhecidas pelo produtor rural, uma vez que são compatíveis com o uso de outros herbicidas amplamente utilizados", afirmou a empresa.

A Aprosoja disse que tem alertado as autoridades brasileiras para a necessidade de um regulamento mais rigoroso para o herbicida, citando problemas enfrentados por produtores nos EUA com o dicamba.

Em resposta, a Bayer afirmou que na temporada 2020/21 o dicamba foi utilizado em mais de 2 mil hectares plantados com soja em áreas experimentais no Brasil, "com resultados satisfatórios".

Nas áreas de Intacta2 Xtend, disse a Bayer, estudos também mostraram que o uso do Xtendicam em pré-plantio ou até mesmo no dia do plantio oferece controle efetivo das principais plantas daninhas.

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