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Apple pode começar a exportar iPhones fabricados na Índia, em vez da China

Fidel Forato

Envolvida na disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, a Apple pode estar focada em um projeto que redesenhará a concentração de suas fábricas ao redor do globo, onde o país chinês deve perder destaque e a Índia ganhará o posto de nova queridinha. Pelo menos são esses os passos esperados do CEO da empresa, Tim Cook, executivo que anda aliado ao presidente norte-americano, Donald Trump.

Mas a provável futura história de amor entre a Apple e a Índia começou há muito tempo, há mais ou menos cinco anos. Para evitar o pagamento de um imposto de importação, de cerca de US$ 100 em cada modelo iPhone importado para a Índia, a companhia começou a fabricar os próprios modelos - mais antigos - no país.

A iniciativa era válida, porque mesmo a Índia sendo o segundo maior mercado de smartphones do mundo, é ainda um país em desenvolvimento, e os US$ 100 economizados faziam uma diferença significativa para o consumidor local. Mesmo assim, os aparelhos da Maçã não costumam liderar as vendas em comparação aos Xiaomi e os aparelhos Galaxy A, da Samsung.

Por isso mesmo, a Apple fabricava somente seus modelos mais antigos no país. Em maio do ano passado, a companhia americana chegou a anunciar o iPhone 6s, um modelo com quatro anos, ao preço de 375 dólares – e foi um sucesso. Em ritmo de mudança, no mês passado, a Apple começou a produção um modelo mais recente, o iPhone XR, de 2018.

Embora esteja voltada apenas para o uso doméstico, começam a circular rumores sobre a empresa transferir parte de sua produção de celulares da China - em uma tentativa de evitar tarifas dos EUA sobre importações chinesas que devem afetar os valores dos iPhones, a partir de 15 de dezembro. Mas isso exigiria a expansão em cadeia de suprimentos e das instalações de fabricação da Apple na Índia.

Modelo iPhone 6s foi sucesso de vendas na Índia, o país sede das próximas fábricas da empresa

Novas fábricas fora da China

No início deste ano, a Apple anunciou que planejava mover até 30% de sua produção para fora da China. Em princípio, a aposta para absorver essa nova produção seria o Vietnã, mas os rumores (e alguns fatos) apresentam a Índia como o destino escolhido para os produtos da maçã.

A produção indiana de iPhones começa a partir de uma política pública do país, encabeçada pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Com a iniciativa Make in Índia, os políticos locais buscaram atrair empresas para a produção de aparelhos e produtos eletrônicos localmente. Para isso, foram oferecidas taxas mais brandas de impostos, que barateariam os custos da operação e garantiriam empresas do setor, como a Apple.

Segundo o ministro de Tecnologia da Índia, Ravi Shankar Prasad, em anúncio feito nesta segunda (25), a Apple começará a exportar smartphones produzidos no país para o mundo. E, para isso, o ministro explicou que a companhia americana irá expandir suas operações na região.

Além disso, a empresa finlandesa Salcomp investirá quase US$ 279 milhões em cinco anos para consertar uma antiga fábrica de celulares Nokia no país. A operação deve transformar o espaço em uma montadora de carregadores e componentes móveis para smartphones, a partir de março do ano que vem. Um detalhe importante é que a Salcomp fornece carregadores para a Apple.

No entanto, o mercado indiano é perigoso para a Apple, por ser muito sensível ao preço dos aparelhos. Além disso, o público consumidor apresenta pouca fidelidade às marcas consumidas. Isso significa que as margens de compras podem ser considerados inconstantes e este ser um investimento de risco, pelo menos localmente.


Fonte: Canaltech

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