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Apple desenvolve recurso que protege suas mensagens de olhares curiosos

Felipe Junqueira

Uma pessoa está sentada, lendo a tela do celular, enquanto outra, em pé, espia o conteúdo alheio. Quem anda de transporte público provavelmente já passou por isso ou viu uma cena do tipo.

Apesar da crescente preocupação com os dados sensíveis em nossos smartphones, outras pessoas espiando nossas conversas no WhatsApp ou linhas do tempo nas redes sociais ainda não é uma questão que parece gerar tanto cuidado.

Pelo menos a Apple parece pensar nesse caso. E inclusive patentou uma tecnologia que pode ajudar a evitar que informações sensíveis sejam espiadas por terceiros quando você lê suas conversas. Uma tecnologia chamada Gaze-Dependent Display Encryption (“criptografia de exibição dependente do olhar”, em uma tradução direta) sugere que apenas a região onde seus olhos estão olhando mostrará conteúdo real, enquanto o resto da tela despista um possível curioso de ler suas mensagens.

Em outras palavras, funciona assim: um sensor detecta a área exata em que seus olhos estão focados na tela. Essa região fica legível. Todo o restante fica com uma espécie de espelho desfocado do conteúdo, ilegível, mas não tanto que o curioso consiga focar diretamente no conteúdo real.

Apple desenvolve ferramenta que despista curiosos para não lerem as mensagens alheias (Imagem via Apple Insider)

Recurso não é exatamente novo

A ideia é parecida com o Privacy Shade da BlackBerry, com uma diferença importante: o recurso que já existe em alguns smartphones precisa de ação do usuário para destacar o conteúdo que ele está vendo - basta passar o dedo na tela para acompanhar o texto. O problema é que isso atrai mais os olhares curiosos justamente para a parte que você está lendo.

O maior desafio para os desenvolvedores da tecnologia, segundo o site Apple Insider, é a detecção do olhar em si, “que a Apple já usa de uma certa maneira com os Recursos Sensíveis a Atenção”, aponta a publicação. Essa ferramenta detecta quando o usuário está olhando para a tela para evitar reduzir o brilho, por exemplo. Assim, o usuário pode ler textos longos sem precisar ficar tocando o display para avisar que o telefone está em uso.

“ARKit também inclui elementos de rastreamento ocular, que potencialmente levaria ao rastreamento da visão no futuro. Além da câmera TrueDepth, foram realizados esforços nos últimos anos para usar câmeras normais para fazer a detecção de olhar, o que também poderia ajudar nesse empreendimento”, observa o site. O recurso, teoricamente, poderia ser aplicado não só em smartphones, mas também em tablets e notebooks.

O documento foi patenteado junto ao US Patent and Trademark Office. Porém, não significa necessariamente que a Apple pretende utilizar a tecnologia em um smartphone no futuro próximo ou distante, é mais uma garantia para evitar que outras empresas aproveitem algo em estágio avançado de desenvolvimento para lucrar, quando os gastos com pesquisa ficaram todos na conta da Maçã.

Fonte: Canaltech

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