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Apple, Adobe e outras 16 empresas se unem em esforço para combater pedofilia

Rafael Arbulu

A “Coalisão da Tecnologia” (da sigla em inglês, TTC) anunciou o estabelecimento de um fundo, bem como a disponibilização de todas as suas ferramentas, para financiar pesquisas e desenvolvimento de aplicações que lhes permitam combater a pedofilia e o comportamento predatório contra infantes na internet.

O grupo, formado por 18 empresas de grande porte do setor, foi originalmente fundado em 2006, e argumenta que, desde a sua criação, a tecnologia mudou e, com esses avanços, os métodos de combate à pedofilia também precisam se atualizar. A TTC é formada pela Apple, Adobe, Amazon, Cloudflare, Dropbox, Facebook, Flickr, GoDaddy, Google, Microsoft, PayPal, Roblox, Snap, Twitter, Verizon, VSCO, Wattpad e Yubo. Veja abaixo a carta aberta onde o grupo anuncia a medida:

Diversas empresas se uniram em um esforço conjunto para combater a pedofilia online (Imagem: Divulgação/Facebook)

“Há 15 anos, a Coalisão Tecnológica foi formada quando líderes da indústria se uniram para combater a exploração e abuso sexual de crianças online. Nós acreditávamos, na época, que ao trabalharmos juntos, traríamos um maior impacto no enfrentamento desses crimes horríveis do que agindo sozinhos (...);

Juntos, nós mostramos os riscos à segurança das crianças por meio do compartilhamento de melhores práticas, mentorias e esforços coordenados para aprimorar a detecção e denúncia de abusos por imagens sexualizadas e outras práticas exploratórias que colocam as crianças em risco.

Na última década, empresas aliadas tiveram progresso com o desenvolvimento e entrega de tecnologias inovadoras para o combate a esse crime. Por exemplo, o PhotoDNA, uma colaboração entre a Microsoft e a Dartmouth, é usado por organizações para detectar, interromper e denunciar milhões de imagens de exploração sexual de crianças. A Safety API do Google aprimora a capacidade de ONGs e outras empresas de tecnologia em analisar conteúdos de pedofilia em larga escala. E a tecnologia open source de relacionamento de fotos e vídeos do Facebook permite que empresas mantenham seus serviços seguros e traz o compartilhamento de sistemas que se comunicam entre si, tornando-os muito mais poderosos.

Entretanto, o mundo mudou desde quando nos juntamos em 2006. A tecnologia é mais avançada, e houve uma explosão de novos serviços de internet, incluindo streaming de vídeos por plataformas móveis. O número de pessoas conectadas — mais de 4,5 bilhões em 2020 — trouxe mais peso ao desafio de tornar a internet um local seguro. Como resultado, as ferramentas tecnológicas para detectar e denunciar conteúdos de pedofilia ficaram mais sofisticadas, mas isso também é verdade para as formas de abuso que buscamos prevenir e erradicar.

A fim de assegurar que a próxima fase de nosso trabalho ataque esses novos e emergentes desafios de forma mais eficiente, nós conduzimos uma consultoria aprofundada com mais de 40 experts na investigação da pedofilia ao redor do mundo.

Nós vamos investir na aceleração do desenvolvimento e entrega de tecnologias revolucionárias que suportem a abordagem cruzada da indústria na eliminação da exploração e abuso de crianças online”.

Com essa carta, a coalisão anunciou a criação de um fundo multimilionário para o incentivo ao desenvolvimento de ferramentas capazes de identificar comportamento predatório, além de se comprometer à divulgação de um relatório anual de progresso e a realização de um fórum, também anual, com a presença de experts no setor para ajudar a aprimorar trabalhos futuros.

Segundo a agência de notícias Reuters, porém, o anúncio da coalisão também vem em um período onde governos de vários países — em maior peso, os Estados Unidos — pressionam algumas das empresas que são membros do grupo para que estas criem acessos específicos a investigadores e autoridades públicas, no intuito de auxiliar na investigação de atos de terrorismo e outros crimes.

A própria Apple é protagonista recorrente dessa batalha com o governo norte-americano, já que até hoje ela mantém o discurso de que não é possível criar "portas" que permitam às autoridades fazerem o que desejam sem comprometer a segurança dos usuários. Já o WhatsApp, que pertence ao Facebook, segue empregando a criptografia de ponta a ponta em seu aplicativo de mensagens, efetivamente impedindo que terceiros consigam "ler" as mensagens trocadas entre os remetentes de uma conversa.

Fonte: Canaltech