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Google e Apple acusadas de 'censura' pela oposição em legislativas na Rússia

·4 minuto de leitura

O movimento do líder opositor detido Alexei Navalny acusou, nesta sexta-feira (17), as empresas Google e Apple de ceder às vontades do Kremlin ao suprimir de suas plataformas um aplicativo que ajuda a votar contra o partido do presidente Vladimir Putin, no primeiro dia das eleições legislativas da Rússia.

Isolado por causa de um foco de coronavírus em seu entorno, Putin votou eletronicamente nesta sexta.

Praticamente nenhum candidato contrário ao Kremlin foi autorizado a se apresentar nessas eleições, que ocorrem durante três dias (desta sexta-feira até domingo) e depois de meses de tentativas de reduzir à mínima expressão os movimentos da oposição.

"Temos todo o Estado russo contra nós e inclusive as grandes empresas tecnológicas, mas isso não significa que vamos ceder", disse a equipe de Navalny em uma mensagem divulgada no Telegram nesta sexta.

"Hoje (sexta-feira) às 8h00, horário russo, Google e Apple suprimiram nosso aplicativo Navalny de suas lojas de aplicativos. Ou seja, cederam à chantagem do Kremlin", afirmou no aplicativo de mensagens Telegram Leonid Volkov, um opositor no exílio e um dos principais colaboradores de Navalny.

Horas depois, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que as duas empresas simplesmente aderiram à lei russa. "Este aplicativo é ilegal no nosso país", insistiu.

Neste contexto, os simpatizantes de Navalny adotaram uma estratégia de "voto inteligente", por meio de um aplicativo que informa qual candidato deveria ser apoiado, na grande maioria comunistas, para derrotar os aspirantes do Rússia Unida, partido de Putin.

O aplicativo permite saber em quem votar em cada circunscrição legislativa, mas também nas eleições locais e regionais. No passado, este serviço teve certo sucesso, especialmente em Moscou em 2019.

Google e Apple não fizeram comentários até o momento. No entanto, a Rússia reiterou recentemente as advertências aos gigantes da internet que se recusarem a eliminar conteúdos considerados ilegais, incluindo os do movimento Navalny, proibido por "extremismo" desde junho.

Além disso, representantes das empresas de tecnologia foram convocados na quinta-feira a uma comissão da câmara alta do Parlamento.

Nesta sexta-feira, o senador Andrei Klimov, presidente desta comissão, afirmou que após a "conversa" de quinta-feira, "Google e Apple chegaram à única conclusão possível".

Cerca de 108 milhões de russos foram convocados às urnas para elegerem os 450 membros da Duma - a câmara baixa do Parlamento. Os resultados das eleições serão anunciados no domingo (19), a partir das 15h00 (horário de Brasília).

"Devido às restrições sanitárias, à quarentena, cumpri meu dever de cidadão online", disse o chefe de Estado, em um vídeo divulgado pelo Kremlin.

Seus críticos denunciaram fraude, divulgando vários vídeos e imagens nas redes sociais, como costumam fazer toda eleição.

- Filas suspeitas -

Os opositores explicaram que viram grandes filas em frente a alguns colégios eleitorais, resultado da pressão exercida pelos chefes sobre seus funcionários e empregados para que fossem votar em seu horário de trabalho.

A conta do Twitter de um candidato preso, Alexei Pivovarov, estava transmitindo imagens de aglomerações nas urnas.

A ONG especializada em observação eleitoral Golos também detalha este tipo de fraude em seu site, publicando fotos de pilhas de cédulas dobradas dentro das urnas.

Esta organização respeitada foi classificada como "agente estrangeiro" pelo governo russo, um rótulo que dificulta sua atividade.

Entre os eleitores entrevistados pela AFP, alguns não esconderam sua decepção. Evguéni Kovtounov, um cientista da computação, estima que não haverá nenhuma mudança significativa na votação.

Já em Moscou, Mikhail Streltsov, um aposentado de 91 anos, está satisfeito com o atual status quo: "O mais importante é que o país esteja estável e se desenvolva".

Em janeiro, Navalny foi detido quando retornou à Rússia depois de receber tratamento na Alemanha por um envenenamento que quase o matou, um ataque que ele atribui ao Kremlin.

Desde então, seu movimento foi proibido no país por ser acusado de "extremista" e vários de seus aliados foram obrigados a partir para o exílio, foram detidos ou tiveram as candidaturas vetadas.

O partido Rússia Unida, impopular e abalado por vários escândalos de corrupção, tem menos de 30% das intenções de voto.

Mas o partido provavelmente vencerá as eleições, pois não existe uma disputa real e os demais partidos na Duma seguem, em maior ou menor medida, a linha do Kremlin.

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