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Aposta de Biden para acelerar economia ganha impulso de empresas

Richard Miller
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O momento certo pode não ser tudo. Mas com certeza ajuda.

Esse parece ser o caso quando se trata da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de reverter décadas de declínio do dinamismo econômico. Embora os esforços de Biden por si só devam render apenas resultados limitados, chegam em um momento em que alguns economistas veem os EUA preparados para uma corrida sustentada de crescimento mais forte.

Depois de mais de um ano de restrições para empresas e distanciamento social com o objetivo de desacelerar a propagação da Covid-19, as companhias estão prontas para aumentar a eficiência e funcionários ansiosos para voltar ao trabalho - o que pode marcar o início de um longo período de avanços mais rápidos da produtividade e força de trabalho em expansão.

“Temos que recuperar o atraso em muita coisa” após uma década de crescimento deprimido da produtividade, disse Robert Gordon, professor da Universidade Northwestern e autor do livro de 2016 “The Rise and Fall of American Growth”.

Biden já preparou terreno para uma recuperação econômica ultrarrápida neste ano e no próximo, distribuindo cheques de estímulo com o Plano de Resgate Americano de US$ 1,9 trilhão. O que busca fazer com seus próximos dois pacotes é algo mais difícil: elevar a capacidade da economia de se expandir por um período prolongado sem gerar inflação excessiva.

Desde 2000, o PIB do país se expandiu a um ritmo médio de 2% ao ano, em comparação com a expansão de 3,3% nos 20 anos anteriores. Embora essa taxa mais rápida esteja provavelmente fora do alcance agora devido ao envelhecimento da população, algum aumento no potencial é possível com as políticas certas.

O “Plano de Emprego Americano” de US$ 2,25 trilhões de Biden tem como objetivo principal elevar o crescimento de longo prazo aumentando significativamente gastos com infraestrutura para expandir a produtividade, como melhor cobertura de banda larga e melhores conexões de transporte.

O próximo “Plano das Famílias Americanas” se concentrará em elevar o número de americanos - especialmente mulheres - com disponibilidade para trabalhar, por meio de maiores fundos para creches, educação e outros programas do governo.

As duas propostas devem ser financiadas por meio de impostos mais altos sobre as empresas e os ricos, algo que alguns economistas dizem que afetará o crescimento. A expectativa é que o investimento mais alto e expansão da força de trabalho mais do que compensem isso.

Plano de gastos para impulsionar o PIB

Um resultado particularmente encorajador, segundo o economista-chefe para os EUA do JPMorgan Chase, Michael Feroli: as empresas aumentaram os investimentos. Depois de despencar no segundo trimestre do ano passado, com a economia praticamente paralisada, os gastos das empresas com equipamentos aumentaram a um ritmo de 25,4% no quarto trimestre, além do salto de 68,2% nos três meses anteriores, após cinco quedas trimestrais consecutivas.

O Plano das Famílias Americanas, que deve ser anunciado na próxima semana, também deve ter um impacto pequeno, mas positivo, na taxa de crescimento potencial de longo prazo da economia, da ordem de cerca de 0,1 ponto percentual ao ano, de acordo com o economista-chefe da Moody’s Analytics, Mark Zandi.

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©2021 Bloomberg L.P.