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'Tenho consciência que não vai acontecer de novo', diz Ana Vilela sobre hit 'Trem Bala'

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'Tenho consciência que não vai acontecer de novo', diz Ana Vilela sobre hit 'Trem Bala'

'Tenho consciência que não vai acontecer de novo', diz Ana Vilela sobre hit 'Trem Bala'

CRIS VERONEZ

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Quando pensa em como era sua vida um ano atrás, Ana Vilela, 19, quase desacredita do sucesso que tem hoje. A jovem, que ficou conhecida após a música "Trem Bala" viralizar na internet -e ser cantada até por Gisele Bündchen em vídeo caseiro-, faz hoje cerca de dez shows por mês e se prepara para lançar o primeiro disco no dia 20 de outubro.

O álbum "Ana Vilela" conta com 11 faixas autorais, duas delas em inglês, e uma releitura de "O Leãozinho", de Caetano Veloso.

"Este CD está muito a minha cara. Ele é muito pessoal. Não consigo escrever sobre o que eu não vivo. A produção foi incrível. Não tinha como ter ficado melhor do que está. Estou bem ansiosa para as pessoas escutarem", disse a cantora em entrevista à reportagem.

Sobre as faixas "She" e "Ineffable", ela afirma que começou a compor em inglês recentemente: "Demorou até eu tomar coragem. Quando escrevi, gostei e mandei para uma amiga minha que compõe em inglês. Ela curtiu pra caramba e eu mostrei pra galera."

A cantora recebeu a reportagem para um bate-papo antes de realizar a primeira audição do disco completo ao lado de amigos e equipe de trabalho, numa reunião regada a milkshakes de chocolate, cervejas, marshmallows e sanduíches.

Foi só tocar "Promete" que Vilela se derreteu. A canção foi inspirada na relação com seu primo Pedro, de 2 anos, com o qual diz ter uma relação muito forte. O clipe da música será lançado em 12 de outubro, data em que é comemorado o Dia da Criança.

"Ele é a criança mais inteligente que já vi na vida. É incrível. Quando nasceu, estava deitado na cama e coloquei a mão nele. Ele enroscou o dedinho no meu. Tirei uma foto e postei. Escrevi a música inspirada nessa foto."

Pergunta - Como foi a concepção do seu novo disco?

O CD está muito a minha cara. Ele é muito pessoal. Não consigo escrever sobre o que eu não vivo. A produção foi incrível. Não tinha como ter ficado melhor do que está. Estou bem ansiosa para que as pessoas escutem. Esse disco tem a primeira música que escrevi na vida, aos 13 anos, e minha última. Ele é um resumão da minha vida até aqui.

Algumas letras citam Clarice Falcão. Ela é uma inspiração para você?

Quando comecei a ouvir a galera mais nova da MPB, a Clarice foi uma das primeiras. Ela é uma das pessoas que mais gosto. Suas letras são muito simples, mas ao mesmo tempo muito inteligentes. As músicas em que falo sobre ela foram inspiradas em um relacionamento em que ouvíamos muito Clarice, Mallu [Magalhães] e Marcelo [Camelo] juntas.

Que outros cantores você gosta?

Gosto muito de ouvir Ed Sheeran, Adele, Tiago Iorc, Maria Gadú, Anavitória. Na verdade eu ouço de tudo.

Por que você escolheu interpretar "O Leãozinho", de Caetano Veloso?

O Lobo [produtor] chegou em mim e falou que precisávamos fazer uma releitura. Apenas estiquei meu braço para ele e mostrei minha tatuagem [a palavra leãozinho]. Minha tia cantava para mim quando eu era criança, e eu achava que essa música não existia. Meu cabelo era todo cacheado e ela cantava em tom de brincadeira. Um dia escutei a música e fiquei apaixonada.

Suas músicas, em geral, são sempre muito calmas, alentadoras. Essa calmaria existe mesmo dentro de você?

Acho melhor outra pessoa responder [risos]. Não sei se eu sou calma. Eu sou bem agitada, falo alto, falo bastante, gosto de me mexer muito. Mas depende. Sou meio "loucona" no dia a dia, mas meu coração é muito calminho.

Quantos shows você faz por mês, em média?

Uns dez, por aí. A vida é bem corrida. Faz um mês que estou fora de casa. É complicado, mas ao mesmo tempo é uma delícia. É a melhor das complicações. Adoro estrada, adoro viajar, conhecer lugares novos e fazer show. Um dos lugares onde me sinto mais à vontade é no palco, mas é ruim ficar longe da família. Sou muito apegada. [...] Eu e meu primo Pedro, de 2 anos, temos uma ligação muito forte. Fico com saudade dele pra caramba.

Você já conseguiu comprar seu apartamento, né?

Comprei em maio. Isso é insano. Um ano atrás eu não tinha a menor noção de que isso tudo ia acontecer. No dia em que descobri que "Trem Bala" tinha vazado, eu tinha ido no shopping com mais cinco amigos. Tiramos tudo o que tínhamos no bolso e deu R$ 30. Comemos esfihas. Menos de um ano depois, comprei apartamento, carro e estou morando no Rio de Janeiro. Isso é muito louco, muito novo. Mas estou procurando administrar tudo com calma e não surtar.

"Trem Bala" foi um grande sucesso. Tem medo de que a repercussão do disco seja inferior ao deste single?

Tenho consciência de que o CD fazer sucesso como "Trem Bala" é uma coisa que não vai acontecer. Eu sou muito grata a essa música, mas tenho plena consciência que não vai acontecer de novo. Uma outra "Trem Bal"a é muito difícil agora. O que vier é lucro. [...] O disco ficou incrível e eu não tenho muito essa preocupação não. Só preciso produzir coisas que as pessoas gostem e que sintam no coração.

Viver tanta coisa nova te desperta algum medo?

Eu não tinha nada, não era nada. De repente eu tenho uma carreira, coisas pra me preocupar e uma empresa no meu nome. É muita responsabilidade. Tenho medo de ser uma cantora de um single só, tenho medo de não dar certo, de as coisas pararem de acontecer do nada, de perder o crescimento do meu primo, de não ver minha família. Mas medo não é ruim não. Leva a gente para frente, faz a gente testar coisas novas.

Já compôs alguma música pensando mais no lado comercial?

Já tentei muito, mas não consigo. Acho que meu jeito de compor está diretamente ligado ao meu coração. Não consigo fazer de outro jeito. Preciso estar vivendo aquilo. Acho que é por isso que as composições saem com tanta alma.

Qual é a sua música favorita do álbum?

Nesse momento, minha música favorita é Dádiva, que fala sobre amizade. Sempre fui uma pessoa que preza muito as amizades. Fiz para eles. Fico muito fora de casa e o que tenho são meus amigos.

Quem é Maíra, que dá nome a uma de suas músicas?

A Maíra foi minha professora. Eu estava no último ano de colégio e ela entrou para lecionar. Eu tinha 17 anos e ela tinha 22. Hoje ela é uma das minhas melhores amigas. Maira me ensina muita coisa, é incrível, tem uma alma linda. Um dia ela me disse, sem segundas intenções, que não existia uma música com seu nome. Fui para o quarto na hora, sentei e escrevi. Ela chorou pra caramba.

Quais são as dores e as delícias da fama?

A fama tem muito mais delícias do que dores. Eu gosto muito. Claro que toda profissão vai ter o lado em que você fica cansada. É ruim ficar longe de casa e ter uma rotina doida. Tem dias que vou almoçar às 18h. Mas o resto é uma delícia. Fazer show, viajar e receber carinho de quem você nem conhece. É muito forte uma pessoa te dizer que você mudou a vida dela.