Mercado fechado

Após pandemia, guerra entre Airbnb e hotéis será por higiene

Finanças Internacional
·4 minutos de leitura
Foto: Friso Gentsch/picture alliance via Getty Images
Foto: Friso Gentsch/picture alliance via Getty Images

Como já era de esperar, a pandemia atingiu em cheio o setor de hotelaria nos Estados Unidos. Nos EUA, os hotéis perderam mais de US$ 46 bilhões em receita proveniente de reservas desde meados de fevereiro, de acordo com a Associação Americana de Hotelaria e Acomodação (AHLA).

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

Em maio, o lucro dos hotéis nos EUA diminuiu em 105% em comparação ao mesmo mês em 2019. O setor estima uma queda de 50% na receita geral durante 2020. Segundo números de 30 de julho, mais da metade dos quartos de hotéis abertos ficaram vazios nos EUA.

Leia também

"O efeito está sendo dez vezes pior do que (depois) do 11 de setembro", afirmou David Kong, diretor-executivo do Best Western, em entrevista ao Yahoo Finanças.

Porém, muitos americanos estão começando a sair da toca e viajar (com cautela), principalmente por transporte terrestre, durante o verão. E, em muitos casos, acabam precisando decidir entre reservar um hotel ou um Airbnb.

Kong argumenta que, no momento, as cadeias de hotéis são mais seguras e limpas do que uma casa reservada no Airbnb, graças ao programa "Stay Safe" da AHLA, que estabelece protocolos uniformes para a limpeza dos quartos.

"A maioria das grandes redes de hotéis implementou esses protocolos", Kong explica. "Os hóspedes podem se sentir muito seguros, protegidos e à vontade nesses grandes hotéis. Já o Airbnb, que não é regulamentado, não pode oferecer as mesmas garantias".

O comentário de Kong foi feito depois que o Airbnb deu entrada em sua Oferta Pública Inicial junto à Comissão da Bolsa de Valores dos EUA, mesmo depois de ter sofrido uma queda de 70% na receita no segundo trimestre do ano, e de que a avaliação da empresa tenha passado de US$ 31 bilhões para US$ 18 bilhões.

No início do mês, Brian Chesky, diretor-executivo do Airbnb, afirmou que as reservas do Airbnb em julho estavam "no mesmo nível ou superiores em comparação ao ano passado". "Ninguém sabe se é pela demanda reprimida, mas estamos no mesmo nível de reserva em relação ao ano passado no mundo todo."

É claro que as declarações de Kong são bastante convenientes, ainda mais sobre um concorrente que está prestes a entrar na bolsa de valores. Em abril, o Airbnb anunciou uma "iniciativa de limpeza aprimorada" para os anfitriões, que "segue os padrões publicados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)" e tem o apoio de especialistas, como o Dr. Vivek Murthy, que atuou no cargo análogo ao de Ministro da Saúde nos EUA.

Em defesa ao argumento de Kong, os anfitriões do Airbnb operam de maneira independente uns dos outros e não estão sujeitos à governança de terceiros, ainda que os hóspedes possam reclamar sobre a limpeza do local.

Apesar da alegação sobre a limpeza, Kong reconhece o sucesso da concorrência. "O Airbnb vem causando impacto no nosso setor desde que foi criado", afirma ele. "As campanhas de marketing deles foram muito boas, parecia que era mais divertido ficar em uma casa do que em um hotel. Nas grandes cidades, estima-se que o impacto foi de 3% a 10%".

Quando o Airbnb entrar para a bolsa de valores, a ameaça às cadeias de hotéis tradicionais provavelmente será um tema importante.

Kong diz que o Best Western teve uma recuperação nas reservas desde o feriado prolongado do Memorial Day no fim de maio, mas continua "muito preocupado com o futuro". "O outono está chegando e essa é a temporada em que o número de hóspedes que viajam a passeio costuma diminuir bastante, mas recebemos reuniões e congressos profissionais. No entanto, como já sabemos, a pandemia comprometeu demais esse público. Além disso, o inverno é o período menos agitado para o setor de hotelaria".

Daniel Roberts

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube