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Após nova denúncia de violência, PMs serão retreinados, diz Doria

O programa de retreinamento deverá chegar aos cabos e soldados da PM de 15 a 20 dias, segundo o governo. (Foto: AP Photo/Andre Penner)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (22) um programa de retreinamento destinado à PM-SP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) com o intuito de diminuir os casos de violência policial no estado.

O lançamento do programa, intitulado “Retreinar”, acontece no dia seguinte a mais uma denúncia de excesso e violência por parte da PM durante as abordagens. No domingo (21), PMs sufocaram um rapaz negro até que ele ficasse inconsciente, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A ação foi gravada por celular e mostra o rapaz recebendo o golpe conhecido como “mata-leão” até desmaiar.

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“Na manhã de hoje, solicitei para implementar em julho um programa de retreinamento da Polícia Militar. Coronéis, tenente-coronéis, majores, capitães, tenentes e sargentos da PM. Iniciando no Comando da PM, no prédio do Quartel-General, e depois na Academia de Polícia do Barro Branco. Vamos retreinar o comando das nossas tropas para que esses 1% que insistem em usar a violência policial desnecessária contra a população possam entender que isso é inaceitável na polícia de São Paulo”, anunciou Doria.

O programa de retreinamento deverá chegar aos cabos e soldados da PM, que são a maior parte da corporação envolvida nas ações de policiamento ostensivo nas ruas da capital, entre 15 a 20 dias a todos os batalhões do Estado.

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“Vamos relembrar os valores que regem a PM: respeito aos Direitos Humanos, gestão, trabalho com as melhores práticas e polícia comunitária. Vamos passar novamente esses valores na atividade”, completou o secretário-executivo.

A respeito da ação específica em Carapicuíba, o secretário-executivo da PM, Coronel Camilo, informou que os agentes envolvidos já foram afastados e as imagens da abordagem estão sendo analisadas para avaliar as técnicas de imobilização empregadas. “Se for o caso, poderão ser até responder processualmente ou serem presos, como os 8 envolvidos no caso da semana passada”, destacou Camilo.

Repetindo o discurso feito a cada nova denúncia de violência por parte dos policiais militares, o governador ressaltou que “não compactua com o erro e não é condescendente com a violência policial sob nenhuma justificativa”.

AÇÕES RECORRENTES

Na semana passada, a morte do jovem Guilherme Silva Guedes, 15 anos, revoltou a população na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo. Sequestrado na madrugada de domingo (14), ele foi encontrado morto em Diadema, na Grande SP, cidade vizinha ao bairro. Moradores ficaram indignados com o que aconteceu ao garoto, queimaram ônibus e fecharam avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira no final da tarde de segunda-feira (15)

Ponte Jornalismo publicou uma reportagem que mostrava duas ações da PM paulista e a diferença de conduta entre elas.

Na primeira, uma mulher branca, de dentro do carro, ao ser informada que seria multada, humilha e ofende o policial. “Para mim você é um merda, um bosta, eu vou te foder. Você pensa que é o que? Você xingou a minha amiga. Bosta é você”, grita a mulher. Na outra, policiais são flagrados agredindo uma mulher na periferia da zona norte da cidade de São Paulo. A violência não cessa nem quando moradores alertam que estão filmando.

Situação semelhante aconteceu no bairro rico de Alphaville, na Grande São Paulo, no final do mês passado. Um empresário humilhou e ofendeu um PM que foi atender um chamado na casa dele por causa de violência doméstica.