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Após Lula ser solto, Bolsonaro falta a entrevista e evita imprensa

Minutos depois da decisão, um assessor se dirigiu ao presidente e mostrou a tela de seu celular a Bolsonaro. (Foto: Isac Pereira da Nóbrega/PR)

O presidente Jair Bolsonaro não compareceu a entrevista programada e evitou os veículos de imprensa nesta sexta-feira (8), em Goiânia, após a expedição da ordem de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

O presidente viajou a Goiânia para cerimônia de entrega de 214 ônibus escolares do Caminho da Escola. O programa federal foi lançado em 2007, quando o petista estava à frente do Palácio do Planalto.

Leia mais sobre o julgamento sobre prisões em 2ª instância no STF

Durante a cerimônia, minutos depois da decisão do juiz federal Danilo Pereira Junior ter sido expedida, um assessor do Palácio do Planalto se dirigiu ao presidente, na tribuna de honra, e mostrou a tela de seu celular a Bolsonaro. O presidente ouviu em silêncio e, após alguns minutos, cochichou ao ouvido do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que estava sentado ao seu lado.

Bolsonaro pegou o microfone minutos após ser comunicado da decisão. Em sua fala, que durou pouco mais de 7 minutos, o presidente preferiu exaltar o fato de o Enem não haver apresentado questões com “ideologia política ou de gênero” em sua primeira etapa, cuja prova ocorreu no último domingo.

“Ninguém foi deseducado nas questões apresentadas no domingo passado. E ninguém será deseducado com toda a certeza nessa segunda parte no domingo que vem”, disse Bolsonaro. “Queremos botar nessas provas matérias onde a grande maioria reconheça a família, reconheça o valor do Estado brasileiro, que respeite as crianças na sala de aula. Sem ideologia política ou de gênero.”

Depois de discursar, o presidente deixou o local da solenidade, sem comparecer a entrevista de imprensa programada anteriormente. A saída de Bolsonaro surpreendeu até mesmo a sua equipe de comunicação.

DISCURSO DE LULA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez discurso assim que deixou a carceiragem da Polícia Federal, em Curitiba, no final da tarde desta sexta (8). O ex-presidente fez agradecimentos e acusações contra o que chamou de ‘lado podre do Estado brasileiro. “Queridos companheiros e queridas companheiras, vocês não tem dimensão do significado de que estar aqui junto com vocês”, começou ele.

“Eu, que a vida inteira, estive conversando com o povo brasileiro, eu Não pensei que nop dia de hoje eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que durante 500 dias gritaram ‘bom dia Lula, boa tarde Lula, boa noite Lula’, não importa se estivesse chovendo, não importa se estivesse 40 graus ou 0 graus, todo santo dia vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir”, afirmou, emocionado.

Depois, seguiu com acusações contra o Estado e a Justiça do Brasil:

“Era pra resistir  ao que o lado do podre do Estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira. O lado podre da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal. Trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, o PT, o Lula. E eu não poderia ir embora daqui sem poder cumprimentar vocês”.

O ex-presidente fez agradecimentos e acusações contra o que chamou de ‘lado podre do Estado brasileiro. (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press)

BEIJOS NA NAMORADA

O ex-presidente também levou a multidão à loucura quando, após pedidos da plateia, beijou sua namorada Rosângela Silva. Ela foi uma das primeiras a abraçar Lula e esteve ao lado do petista durante todo seu discurso.

A SAÍDA DE LULA DA PRISÃO

Após 580 dias preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou sua cela na carceragem da Superintendência da PF (Polícia Federal) de Curitiba (PR), na tarde desta sexta-feira (8).

A liberação do petista foi assinada pelo juiz federal Danilo Pereira Júnior, substituto da 12ª Vara de Execuções Penais, em cumprimento à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que decidiu pela inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância.

A decisão reverteu o entendimento estabelecido pela corte em 2016 e atingiu casos de condenados na Operação Lava Jato. Além deles, cerca de 5 mil réus, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), poderão ser libertados.

Em perfil de Lula em uma rede social, foi publicada a mensagem #LulaLivreAmanhã . A defesa afirmou que o resultado do julgamento mostrou que a prisão do ex-presidente foi ilegal e voltou a dizer que ele é vítima de perseguição.

O petista já fez alguns pedidos aos correligionários. Assim que sair da prisão, ele quer um ato no acampamento montado pela militância na frente da PF e depois vai visitar os ex-tesoureiros do PT João Vaccari Neto e Delúbio Soares, que dão expediente na sede da CUT do Paraná. Só depois pretende ir para São Bernardo do Campo (SP), onde deve ser recebido com festa.

O plano dos dirigentes do PT é enviar os deputados e senadores do partido para recepcionar o ex-presidente na saída da carceragem em Curitiba assim que receberem uma confirmação da soltura de Lula.

A ideia do partido é que apenas os militantes do acampamento Lula Livre se juntem aos parlamentares do partido em Curitiba. Lula deve se dirigir a São Paulo o quanto antes, para uma festa no Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC:

"Não tem a menor condição de segurança para que ele voe em avião de carreira. Se a PF não disponibilizar avião, teremos que providenciar um", comentou um parlamentar do partido.

Antes de ser preso em abril de 2018, Lula passou duas noites no sindicato. O local é o berço político do ex-presidente, e permite uma reunião rápida da militância, que já costuma se reunir ali. O sindicato também é considerado mais seguro para fazer a comemoração, já que os sindicalistas podem fazer uma triagem do público.

ENTENDA A DECISÃO DO STF

Por 6 votos a 5, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu pela inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. A decisão reverteu o entendimento estabelecido pela corte em 2016 e atingiu casos de condenados na Operação Lava Jato, entre eles o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril de 2018.

Além deles, cerca de 5 mil réus, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), poderão ser libertados.

O julgamento do tema começou em 17 de outubro e ocupou quatro sessões plenárias. Votaram a favor da prisão logo após condenação em segunda instância os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia. O relator do tema, Marco Aurélio, e Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Toffoli votaram contra.

O último a votar no julgamento, realizado no dia 7 de novembro, foi o presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Ele desempatou o placar e deu o sexto voto contra a execução da pena antes de esgotados todos os recursos do réu.

Agora, é necessário aguardar o trânsito em julgado do processo.

Apesar da decisão, a libertação não é automática, e a saída da cadeia depende de pedidos de cada defesa ou de solicitações do Ministério Público aos juízes de execução penal, que administram o dia a dia das penas.

Os juízes de primeira instância também podem determinar a soltura sem serem provocados pelas partes. Os magistrados podem ainda negar os pedido de libertação argumentando que o acórdão com a decisão do STF ainda não foi publicado, mas esse posicionamento tende a ser derrubado nas cortes superiores.

com informações da FolhaPress