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Após fala na ONU, Bolsonaro e aliados abrem ofensiva ao exterior sobre queimadas na Amazônia

João Conrado Kneipp
·6 minutos de leitura
Cattle graze in a land recently burned and deforested by cattle farmers near Novo Progresso, Para state, Brazil, Sunday, Aug. 23, 2020. (AP Photo/Andre Penner)
Gado pastando em uma terra recentemente queimada e desmatada por pecuaristas perto de Novo Progresso, estado do Pará, em 23 de agosto de 2020. (Foto da AP / Andre Penner)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aliados abriram uma ofensiva voltada ao exterior para reforçar o tom do discurso feito na 75ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) a respeito das queimadas na Amazônia.

Na abertura da evento, na terça-feira (22), Bolsonaro culpou os povos indígenas e caboclos da Amazônia por parte das queimadas, além de afirmar que a floresta é “úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior”.

Bolsonaro também disse que seu governo é “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal” e exaltou o agronegócio, que classificou de “pujante”.

O presidente reforçou, na live desta quinta-feira (24) feita ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que são os índios que colocam fogo nas áreas de preservação. Sem citar nomes, Bolsonaro afirmou que outros países têm feito uma “campanha massiva” para acusar o governo federal de ser “terrorista ambiental”.

A fala acusatória aos indígenas foi contraposta pelo cientista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) e presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

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De janeiro a meados de setembro deste ano, foram registrados 69,5 mil focos de calor na Amazônia, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Somente na primeira quinzena deste mês, na Amazônia, houve crescimento de 86% de focos de calor, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Na tentativa de melhorar a imagem perante o exterior e evitar prejuízos ao agronegócio brasileiro, Bolsonaro e aliados do primeiro escalão intensificaram uma investida nas redes sociais na narrativa de que as queimadas são culturais aos indígenas e que estão em um nível similar aos anos anteriores.

Em uma postagem feita por Bolsonaro no Twitter, na noite de quinta, ele pede que um vídeo legendado em inglês seja compartilhado por seus seguidores “inclusive para o EXTERIOR”, em caixa alta. No vídeo de 2019, a youtuber indígena Ysani Kalapalo aparece apagando uma queimada feita para limpar o roçado, rebatendo as críticas ao governo e acusando a Rede Globo de promover notícias falsas.

O mesmo vídeo foi compartilhado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL), pelo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, e pelo deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL).

A postagem de Eduardo foi a única feita em português e inglês, e com um texto que reforça que o “discurso de JB (em referência a Jair Bolsonaro) na ONU estava certo”.

Mais cedo, o filho do presidente havia postado um texto, escrito em inglês e em espanhol, explicando o porquê a floresta Amazônica supostamente não propaga o fogo devido sua umidade. No post, um vídeo legendado em espanhol no qual um homem explica, em inglês, os motivos da floresta não pegar fogo enquanto tenta colocar incendiar uma folhagem seca.

Assim como o pai, Eduardo pede que a postagem seja repassada.

VÍDEO É DE INDÍGENA EX-APOIADORA DE BOLSONARO

O vídeo compartilhado por Bolsonaro foi feito pela youtuber indígena Ysani Kalapalo, do povo Kalapalo, da Terra Indígena do Xingu, no Alto Xingu, em Mato Grosso. Então apoiadora de Bolsonaro, Ysani foi levada pelo presidente à ONU, em setembro do ano passado, como prova de que ele teria apoio entre os índios.

Em entrevista à BBC Brasil, a youtuber indígena afirmou estar “decepcionada” com Bolsonaro por “falta de diálogo com as minorias”. Ysani criticou que cargos no governo têm sido ocupados com base em relações pessoais e de amizade, e não por competência técnica.

Em um vídeo, publicado em junho em seu canal logo após a entrevista, Ysani reforça as críticas ao governo, diz que recusou cargos oferecidos pelo presidente da Funai, Marcelo Xavier, e que outros indígenas que também apoiaram Bolsonaro na campanha estão decepcionados.

Nesse ano, Ysani disse não acompanhou a fala do presidente na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU. Ela afirma que viu apenas um trecho mostrado pela TV e que depois iria “dar uma lida [na fala]”. No momento do discurso, ela tuitou chamando para uma live que faria com a atriz Dani Suzuki.

Na terça, dia da fala de Bolsonaro na ONU, Ysani publicou um vídeo intitulado “Discurso de Bolsonaro na ONU - O que eu acho sobre?”, somente gestos e sem falas, no qual demonstra indiferença ao que o presidente discursou. Nos comentários, foi criticada por apoiadores bolsonaristas que reclamaram da nova postura da youtuber.

PREOCUPAÇÃO COM O AGRONEGÓCIO

Em audiência no início da semana, no STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), manifestou preocupação de que as queimadas ocorridas no Brasil, em especial na Amazônia, interferam e atrapalhem o agronegócio brasileiro no exterior.

“Num país que pode expandir as fronteiras agropecuárias sem derrubar nenhuma árvore sequer, os efeitos sobre o agronegócio estão sendo e serão deletérios, afetando nossa credibilidade, competitividade e capacidade de coordenação no plano internacional”, disse Maia.

Já o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, disse não houve omissão do governo federal, e que isso é usado por quem quer prejudicar o Brasil e derrubar o governo. Heleno criticou as ONGs que, segundo ele, “têm por trás potências estrangeiras”, assim como brasileiros que “até hoje não admitiram alternância do poder”.

No dia seguinte, Heleno cogitou a possibilidade de retaliar países que boicotarem produtos brasileiros em função da situação ambiental no país pode estar na mira do governo.

BRUSSELS, BELGIUM - SEPTEMBER 11: Greenpeace activists roll down a 30-metre banner mimicking a hole burned through the Berlaymont, the EU Commission headquarter during a Greenpeace activists action to protest against the ongoing damage to the Amazon rain forest on September 11, 2020, in Brussels, Belgium. (Photo by Thierry Monasse/Getty Images)
Ativistas do Greenpeace desenrolam uma faixa de 30 metros imitando um buraco queimado no Berlaymont, a sede da Comissão da UE durante uma ação de ativistas do Greenpeace para protestar contra os danos contínuos à floresta amazônica, em Bruxelas, Bélgica. (Foto de Thierry Monasse / Getty Images)

Na semana passada, 230 organizações ambientalistas e empresas brasileiras do agronegócio formaram uma inédita coalizão e enviaram ao governo Bolsonaro uma carta com propostas para reduzir o desmatamento, sobretudo na Amazônia, "de maneira rápida e permanente".

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura reúne organizações como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e Imazon, bem como a maior produtora mundial de carne JBS e grandes comercializadoras de grãos, como Cargill e Amaggi. Também participam deste "fórum de diálogo entre o agronegócio e ambientalistas", como a própria coalizão se define, empresas do setor de alimentos como Danone e Unilever, bem como representantes do setor acadêmico.