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Aplicativos de entregas de comida se tornam alvos nos EUA

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Trabalhador do serviço de entrega DoorDash no Brooklyn, em dezembro de 2020 (AFP/Michael M. Santiago)

Os serviços de entrega de refeições tornaram-se essenciais durante a pandemia, quando os americanos, assim como centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, tiveram que ficar em casa e os restaurantes fecharam.

Mas, atualmente, as plataformas estão cada vez mais sob ataque nos Estados Unidos. Políticos buscam regular a indústria e donos de restaurantes acusam empresas como DoorDash, Grubhub e Uber Eats de tirar vantagem da situação.

Só nos primeiros nove meses deste ano, DoorDash provavelmente concluiu mais de 1 bilhão de pedidos, a maioria deles nos Estados Unidos, onde a empresa é líder de mercado.

Mas Mathieu Palombino, fundador da cadeia de pizzarias Motorino, com sede em Nova York, vê o impulso fornecido pelos aplicativos de entrega em domicílio como uma "grande ilusão", porque mais pedidos não resultam em lucros maiores para os restaurantes.

"Quando você recebe trinta ou quarenta pedidos por dia, fica feliz. Mas o problema é que isso não se traduz em lucro", diz Palombino à AFP. Os serviços de entrega podem cobrar taxas dos restaurantes de até 30% por pedido, de acordo com seus sites.

Para resolver esse problema, em agosto, o Conselho da Cidade de Nova York aprovou uma lei que limita as taxas de entrega por terceiros a 15%.

"As pequenas empresas não devem ser pressionadas a aceitar essas taxas para se manterem viáveis e competitivas", comentou o vereador Francisco Moya, autor do projeto de lei.

Uma lei semelhante foi aprovada em São Francisco em junho.

Os gigantes da entrega de alimentos denunciaram essas leis nos tribunais.

"Acreditamos que DoorDash será capaz de apresentar um caso sólido contra tetos de taxas permanentes", observou o Bank of America em uma nota investigativa no mês passado.

DoorDash, Grubhub e Uber Eats argumentam que o limite é inconstitucional e que os restaurantes são livres para negociar suas comissões com as plataformas de entrega.

Os gigantes do setor também afirmam ter investido pesadamente durante a pandemia, que levou milhões de pessoas a pedir comida online.

E DoorDash destaca que os restaurantes que usaram sua plataforma durante a pandemia tiveram uma taxa de sobrevivência oito vezes maior do que a média do setor.

A empresa afirma ainda que, antes mesmo de as leis serem aprovadas, já oferecia uma fórmula de alíquota de 15%.

Put Palombino, fundador da rede de pizzarias, não está convencido. "O problema é que eles estão tão estabelecidos que não há caminho de volta".

"Se você não está no Seamless (um dos serviços de entrega mais populares de Nova York), você não existe", reclama.

Quanto à comissão de 15%, Palombino diz que um restaurante de sucesso "só pode esperar" uma margem de lucro de 15-20%. "Então, no final do dia, levam tudo".

Na justiça, as plataformas de entrega de alimentos argumentam que o limite levará a taxas mais altas para os consumidores.

Collin Wallace, diretor administrativo da empresa de marketing ZeroStorefront e ex-diretor de inovação da Grubhub, diz que até agora foram os restaurantes que tiveram que ceder.

"A única maneira de resolver isso será por meio de plataformas de tecnologia, usando a mesma engenharia e inovação que usaram para levar suas empresas a este ponto", disse Wallace.

Algumas empresas já estão tentando contornar os aplicativos de entrega criando suas próprias plataformas.

Uma dessas startups, a ChowNow, ajuda restaurantes a lançar seus próprios aplicativos de recebimento de pedidos para que não tenham que pagar nenhuma comissão.

Outra, a LoCo, cria cooperativas de entrega onde os restaurantes, que são seus proprietários, podem escolher qual comissão cobrar, geralmente metade do que os gigantes da entrega cobram, segundo o fundador da empresa, Jon Sewell.

Sewell, proprietário de um restaurante em Iowa, acrescentou que esse acordo também permite que os restaurantes mantenham os dados dos clientes para si próprios.

A LoCo lançou franquias na Virgínia, Nevada e Nebraska e está procurando expandir ainda mais. Mas Sewell admite que o conceito não é fácil de vender.

"É difícil convencer as pessoas de que precisam começar a trabalhar como um coletivo". Mas, "para mim, essa é a única solução real."

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