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Apesar de queixas de Bolsonaro, Guedes diz que não vende Petrobras neste mandato

·3 min de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.05.2021 - O ministro Paulo Guedes (Economia) durante entrevista à Folha em seu gabinete, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.05.2021 - O ministro Paulo Guedes (Economia) durante entrevista à Folha em seu gabinete, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após o presidente Jair Bolsonaro (PL) indicar vontade de privatizar a Petrobras no momento em que a alta nos preços dos combustíveis incomoda o Planalto, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta terça-feira (7) que a estatal não será vendida, "ao menos neste mandato".

"Todos sabem que eu sou a favor de privatizar todas essas companhias, mas o presidente disse: 'Ok, você pode vender Correios, Eletrobras, subsidiárias que não são o negócio central'. Mas a Petrobras não está na lista de privatizações, ao menos neste primeiro mandato", afirmou o ministro durante evento em inglês promovido pela Eurasia.

Apesar disso, Guedes defendeu a venda da companhia e sinalizou a possibilidade de dividir os recursos arrecadados com as famílias mais carentes como um "incentivo político" à aprovação da privatização, que requer aval do Congresso.

Segundo o ministro, o governo poderia destinar cerca de 20% do valor arrecadado às famílias mais carentes, enquanto os outros 80% serviriam para reduzir a dívida pública brasileira.

"Quando se fala hoje em privatização, os políticos dizem: 'O que eu ganho isso, o que eu ganho politicamente?'. Que tal reduzir a pobreza no Brasil, isso é um incentivo bom o suficiente?", afirmou.

A indicação de que a Petrobras segue nas mãos do governo, ao menos até o fim de 2022, vem pouco mais de um mês após o presidente se queixar publicamente de não poder direcionar o preço do combustível, mas levar "a culpa" pelo aumento dos valores.

"Já tenho vontade de privatizar a Petrobras, tenho vontade. Vou ver com a equipe da economia o que a gente pode fazer", disse Bolsonaro no mês de outubro.

Sucessivos aumentos no preço da gasolina e do diesel alimentaram a inflação e pesam negativamente na popularidade do presidente, que pretende buscar a reeleição em 2022..

A política de preços da Petrobras, por sua vez, acompanha a cotação internacional do barril de petróleo e também é influenciada pelo dólar, que também está elevado diante de um real cada vez mais desvalorizado.

No fim de outubro, rumores de que o governo preparava um projeto de lei para privatizar a companhia animaram o mercado financeiro. Os preços das ações da Petrobras dispararam.

A estatal questionou formalmente o governo sobre a existência desses estudos.

No início de novembro, a Petrobras divulgou comunicado ao mercado informando que tanto o Ministério de Minas e Energia quanto o Ministério da Economia negaram a existência de qualquer decisão relevante nesse sentido.

Apesar da ausência de estudos formais, Guedes disse hoje acreditar que "a opinião pública no Brasil está pronta" para entender que "o ciclo de grandes estatais acabou".

Até agora, no entanto, o governo conseguiu apenas a aprovação da capitalização da Eletrobras no Congresso. Duas estatais foram criadas, uma para cuida de navegação aérea e outra para concentrar a área nuclear da Eletrobras.

O Congresso ainda discute a privatização dos Correios.

"Sou a favor de privatizar a Petrobras. Não faz sentido ter um país em que o estado é muito rico, temos R$ 1 trilhão em imóveis, outro trilhão em estatais, R$ 2 trilhões em recebíveis, um setor público muito rico, com uma população pobre", afirmou.

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