Apesar de IPC-Fipe, juros ficam estáveis

Nem mesmo o IPC-Fipe de janeiro em 1,15%, acima do teto das projeções, teve forças para tirar as taxas de juros de curto prazo de perto da estabilidade, uma vez que o cenário externo negativo, diante do recrudescimento das preocupações envolvendo Espanha e Itália, ajudou a segurar o mercado. Enquanto isso, os juros futuros mais longos subiram, em um movimento técnico puxado pela compra de taxa de um grande player. Com um giro relativamente baixo de negócios, o avanço foi intensificado.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa para julho de 2013 (11.900 contratos) estava em 7,06%, de 7,08% no ajuste. O contrato para janeiro de 2014 (69.785 contratos) marcava taxa mínima de 7,24%, ante 7,26% na sexta-feira. O DI para janeiro de 2015 (130.905 contratos) indicava 7,99%, idêntico ao ajuste. Entre os mais longos, o contrato para janeiro de 2017 (86.625 contratos) tinha taxa de 8,89%, ante 8,84%, e o DI para janeiro de 2021 (4.945 contratos) apontava máxima de 9,60%, ante 9,54% no ajuste.

"A inflação deveria puxar as taxas futuras para cima, mas o exterior ruim segurou o mercado. Ao que parece, os investidores do mundo todo estão temerosos sobre qual pode ser o efeito de uma nova piora de Espanha e Itália", afirmou um operador. "As taxas longas também não tinham tantos motivos para subir, a não ser os efeitos sobre a política monetária de uma inflação elevada agora. Mas um grande investidor entrou tomando taxa e puxou os juros longos para cima", considerou outro profissional da área de renda fixa.

Hoje, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que o IPC de janeiro na cidade de São Paulo fechou com alta de 1,15%, de 0,78% em dezembro. O resultado superou o teto das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam de 1,00% a 1,14%. Foi o maior nível desde janeiro de 2010 (1,34%). Em 12 meses até janeiro, o avanço foi de 5,61%.

Ainda no que diz respeito à inflação, a projeção do mercado financeiro para o IPCA de 2013, contida na pesquisa Focus, subiu ligeiramente, de 5,67% para 5,68%. Para 2014, os analistas mantiveram a previsão em 5,50%. No boletim, as projeções da Selic foram mantidas em 7,25% ao ano ao fim de 2013 e em 8,25% ao ano no fechamento de 2014. Mas os analistas do mercado financeiro consultados pelo BC adiantaram mais uma vez o prazo em que esperam o início de um novo ciclo de alta do juro básico. Agora, a aposta é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) ajuste a Selic a partir de fevereiro do próximo ano para 7,50% ao ano (+0,25 ponto porcentual).

No exterior, Espanha e Itália, principais focos de aversão ao risco em 2012, voltaram a preocupar. No caso do país ibérico, os investidores repercutiram a denúncia de que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, teria se beneficiado de pagamentos irregulares operados por um ex-tesoureiro ligado ao governista Partido Popular (PP). No que diz respeito à Itália, os temores residem na promessa do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi de que, caso eleito, anularia algumas das medidas de austeridade implementadas pelo governo de Mario Monti.

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