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Apesar dos juros altos, incerteza fiscal mantém gestores cautelosos

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 28.06.2018 - Investidores lotam o saguão da B3. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 28.06.2018 - Investidores lotam o saguão da B3. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar da manutenção da taxa Selic no patamar elevado de 13,75% ao ano no mais recente encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) e do retorno elevado das aplicações financeiras, os gestores não têm demonstrado muito apetite pelos títulos de renda fixa neste momento.

A incerteza sobre a condução da política fiscal pelo governo Lula a partir de 2023 é o principal ponto de atenção, que faz com que os agentes de mercado prefiram adotar uma postura cautelosa, sem grandes apostas neste momento, mesmo diante do nível de juro real acima da média da maior parte dos demais países.

Até porque, com a expectativa dos investidores quanto a uma possível deterioração do quadro fiscal em meio às discussões sobre a PEC da Transição do governo eleito, o mercado já passa a apostar em novas altas de juros pelo BC em 2023 de modo a controlar a inflação, podendo elevar ainda mais o nível de rentabilidade das aplicações, mas com provável aumento também da volatilidade nos mercados.

Diretor da Fator Administração de Recursos, Marcello Negro diz que, diante da incerteza que ainda paira sobre a dinâmica da inflação nos próximos anos, tem dado preferência aos títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) com vencimento de médio prazo, como aqueles com vencimento em 2026. São papéis que ofereciam ao investidor um juro real (descontada a inflação) próximo de 6,15% ao ano na sexta-feira (18) na plataforma Tesouro Direto, voltada para o investidor pessoa física.

"A inflação não está controlada. Muito pelo contrário." Ele diz que a deflação recente do IPCA foi motivada por aspectos pontuais como a redução do ICMS e do preço de energia, mas que esses mesmos fatores podem voltar a colocar pressão sobre os índices de preços a partir de 2023.

A própria inflação em escala global também pode dificultar uma queda mais consistente dos preços no Brasil, afirma o diretor, que vê nos títulos indexados à inflação uma alternativa de caráter mais defensiva para atravessar o momento desafiador, seja no país, seja no mercado internacional.

"Não somos uma ilha, não estamos descolados do resto do mundo, e corremos o risco de ter uma inflação importada", diz o especialista.

FUNDAMENTOS ECONÔMICOS INDICAM APLICAR, MAS POLÍTICA MANDA ESPERAR, DIZ GESTOR

CEO e diretor de investimentos da gestora Persevera Asset Management, Guilherme Abbud diz que, do ponto de vista estritamente econômico, há boas oportunidades no mercado de renda fixa.

Segundo Abbud, os juros no patamar bastante elevado no qual já se encontram, que devem levar a uma provável queda da inflação, e um câmbio relativamente bem comportado estão entre as principais razões que o levam a enxergar com bons olhos as rentabilidades oferecidas pelos prefixados.

Na sexta, os títulos prefixados com vencimento em 2025 ofereciam uma taxa de juro nominal de 13,7% ao ano.

O diretor da Persevera acrescenta, no entanto, que a indefinição que permanece sobre a política econômica do governo no próximo ano contrabalança os fundamentos positivos que ele enxerga na economia brasileira.

O gestor reduziu durante as últimas semanas as posições que carregava em carteira nos títulos prefixados, para esperar uma definição sobre qual será a condução econômica do novo governo a partir de 2023.

"Os fundamentos econômicos indicam aplicar, mas a política manda esperar e entrar um pouco depois."

AMBIENTE NÃO É PROPÍCIO PARA CORRER RISCO, DIZ GESTOR

Segundo Fabiano Godoi, CEO e diretor de investimentos da gestora Kairós Capital, o fato de o BC ter feito a lição de casa antes dos pares globais, ao iniciar primeiro o ciclo de aumento nos juros, não garante um caminho à frente sem maiores sobressaltos.

Além do processo de alta dos juros nos países desenvolvidos, que historicamente são períodos mais adversos para os emergentes de forma geral, as dúvidas sobre a política fiscal a ser adotada a partir de 2023 e, consequentemente, sobre a dinâmica inflacionária são fundamentais para que seja possível ter uma visão mais otimista sobre o desempenho dos mercados, endossa o especialista.

"O ambiente não é propício para correr risco." Ele afirma que os núcleos da inflação, que indicam o comportamento futuro dos preços, seguem ainda bastante pressionados e acima do teto da meta do BC.

Nesse cenário, apesar do patamar considerado convidativo da taxa de juros, Godoi afirma que tem preferido não fazer nenhuma grande aposta no mercado local, seja na renda fixa, seja na Bolsa, seja no câmbio.

"Há, sim, oportunidades na renda fixa, mas acho importante aguardar. Cabe um pouco de paciência ainda. Tenho preferido ficar menos alocado até ter mais convicção."