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Apesar de recuperação no varejo, lojas de shopping sofrem com falta de clientes

Fernanda Vasconcelos
·3 minutos de leitura
Foto: Getty Images
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Mesmo passado o momento mais crítico da pandemia de Covid-19 no Brasil, as pessoas continuam inseguras em frequentar ambientes fechados. Que o digam as lojas de shopping, cujo faturamento escorrega e não se recupera. Uma pesquisa feita pelo Sebrae em parceria com a FGV mostra que as vendas nesses estabelecimentos estão 50% abaixo da média normal, enquanto isso, nas lojas de rua a queda é menor, de 36%.

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A pesquisa ouviu 7,8 mil empresários em todo o país, proprietários ou responsáveis por micro, pequenos e médios negócios, entre os dias 27 e 31 de agosto. As comparações referem-se ao desempenho deste ano ante agosto dos anos anteriores.

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No auge da pandemia, em abril, a mesma pesquisa detectou queda de 70% nas vendas. “Mês a mês os negócios têm melhorado cerca de 5 pontos percentuais, mas o consumidor descobriu um novo hábito de consumo, o e-commerce, que pode mudar as relações com as lojas tradicionais para sempre. O empresário tem que ficar atento”, diz o consultor de negócios do Sebrae, Caio Cesar Massao Ito, lembrando que as restrições ao número de pessoas que circulam pelos shoppings é outro entrave para a retomada das vendas nesses locais.

Para mudar o cenário, então, o consultor defende o uso das redes sociais e canais de atendimento direto como o WhatsApp. “Mesmo que seja uma franquia, em que ações nacionais são promovidas, é preciso que o empresário pense em contato direto com seu cliente. Tem que mandar mensagens, fazer promoções e chama-lo pelo WhatsApp”, diz. Promover entregas se o shopping não faz drive thru é outra opção.

Nas redes sociais, Ito considera que as postagens têm que ser diárias a depender do segmento de negócio. “Um mecânico não precisa fazer promoção e chamada todo dia, mas um restaurante, sim. Comemos todos os dias”, afirma.

Segundo a pesquisa, os ramos que mais sofreram com a pandemia e estão demorando a retomar as vendas são aqueles há mais tempo fechados. No topo do ranking estão as empresas de turismo, com queda de 65% no faturamento, e economia criativa (entretenimento em geral), com recuo de 62%. Na outra ponta, as lojas com melhor desempenho são aquelas que vendem ou oferecem serviços essenciais, como pet shops (queda de 22% nas vendas), saúde (23%) e agronegócio (26%).

Na média de todas as atividades, o faturamento das pequenas e médias empresas caiu 40% em agosto, na comparação com anos anteriores.

O levantamento mostra ainda que cresceu o número de empresas que voltaram a funcionar. Em julho, 76% dos negócios estavam operando, em agosto, eles subiram para 81%. Mas 21% dos empresários ainda se encontravam, no período em que o estudo foi feito, em áreas com restrição parcial ou lockdown.

Para Ito, embora o setor de shoppings seja claramente mais impactado, as coisas vão voltar ao normal e o empresário que puder, tem que esperar. “Em São Paulo, por exemplo, há anos se fala que a praia de paulistano é o shopping. As pessoas aqui têm esse hábito de comer por lá, ir ao cinema. À medida que as coisas forem caminhando para a normalidade ou se a vacina para o coronavírus for descoberta, as vendas vão voltar a acontecer”,

Antes disso, o consultor defende novamente que se use a rede social para alavancar as vendas em datas especiais, como o Dia das Crianças. “Mesmo que não venda brinquedo, pode ser uma oportunidade para fazer as pessoas irem até o shopping. Temos ainda pela frente, Halloween, que vem crescendo no Brasil e a Black Friday, sem falar no Natal”.

Outro ponto abordado na pesquisa que mostra o retorno da atividade, dessa vez sem mudança entre o que é em shopping e rua, é o patamar de endividamento das empresas. A inadimplência atingia 33% dos entrevistados em agosto, ante 41% em maio.

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