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Apesar da pandemia, jovens esperam verão mais 'transante' dos últimos tempos

·6 min de leitura

No longínquo março de 2020, o maquiador Brenno Melo dava entrevista ao GLOBO dizendo que andava assistindo a “Ursinhos carinhosos” na TV, enquanto cumpria estritamente as recomendações de isolamento, em função da pandemia. A ideia era que o desenho infantil o afastasse das tentações da carne. “Vai ser praticamente um celibato”, anunciou, na ocasião. Corta para dezembro de 2021. Devidamente imunizado, o discurso é bem diferente. “Se estava no celibato, agora estou no movimento contrário”, avisa o rapaz, de 33 anos, logo que atende ao telefone. “Este vai ser o verão da orgia. Está todo mundo se pegando.”

A pandemia está longe do fim, e a variante Ômicron acende novos alertas pelo mundo. Por outro lado, com os números de casos em queda no Brasil, o avanço da vacinação e a liberação de festas e eventos, o que não falta é gente querendo tirar o atraso. Como define o fotógrafo Lucas Bori, acostumado a registrar a cena carnavalesca carioca, “há um clima de pele no ar”. Ele diz isso com base nos primeiros agitos que pode observar com olhar clínico. “As pessoas estão loucas para viver a nova estação. Acho que esse vai ser o grande verão do amor, com todo mundo mais aberto ao afeto. E, se as coisas continuarem no ritmo que estão, isso vai aumentar ainda mais.”

Brenno que o diga. Depois de viver todas as oscilações de humor possíveis nos últimos meses, o maquiador parece não ter tempo a perder. “Sinto que voltamos com tudo, ainda que não dê para esquecer o que aconteceu, já que foi muito marcante. Se antes tínhamos medo de morrer, hoje, mais do que nunca, temos sede de viver.” O rapaz, cabe ressaltar, está namorando. Mas isso não significa abrir mão da “onda de amor”. “São cinco eventos numa mesma noite. Uma loucura! Eu e ele estamos na pista e, do nada, vem alguém e se mete no meio.”

Autora do livro “Os 10 (ou mais) Mandamentos da Solteira” (ed. Rocco), Krishna também anda se jogando como nunca na pista. “A última vez em que havia feito sexo foi na quarta-feira de cinzas do carnaval de 2020. Há cerca de um mês, tive o meu primeiro encontro e senti que realinhou todos os meus chacras. Digo isso porque, logo depois, vieram outros caras”, diverte-se. “Já peguei cinco e transei com mais dois.”

A moça reconhece que tampouco está nadando sozinha nessa maré. Pelas festas que foi até agora, Krishna garante que a máxima de que “se organizar direitinho, todo mundo transa” nunca fez tanto sentido. “A galera está mais rápida. Se pega alguém na balada, já leva para casa.”

O clima tropical, afirma o médico e sexólogo Amaury Mendes Jr., dá aquela mãozinha. Segundo ele, estudos já mostraram que, em regiões onde há uma maior incidência do sol, a sexualidade fica mais latente. “Essa coisa de estarmos num país banhado por um litoral extenso e de usarmos menos roupa, de fato, aumenta a libido. Tanto que em regiões frias acontece exatamente o contrário, e a sexualidade não é tão importante.”

Questões climáticas à parte, o sexólogo também reconhece que quem está solteiro e cumpriu os protocolos nos últimos meses anda subindo pelas paredes. “Muitos casais até conseguiram incrementar a relação nesse período, usando brinquedos eróticos, por exemplo. Mas, no grupo dos solteiros, muita gente não aguenta mais se masturbar”, comenta. “Para essas pessoas, esse deve ser um verão arrebatador, marcado pela busca por sexo.”

Tanto Krishna quanto Brenno reconhecem que a própria lógica pandêmica justifica, em parte, tamanha euforia no ar. Afinal, há um temor de que as coisas voltem a piorar com as novas variantes, e as pessoas precisem se isolar em suas casas novamente. “Antes da pandemia, ninguém imaginava que algo do tipo pudesse acontecer em nossas vidas. Então, há essa sensação de ‘vamos viver cada dia como se fosse o último’”, descreve a autora.

Mas, afinal, o que devemos temer? Embora ressalve que a reabertura no Brasil seja precoce (o ideal seria aguardar que ao menos 80% da população estivesse vacinada), Raquel Stucchi, infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, afirma que é possível manter certa positividade em relação ao futuro. Entre os pontos altos, Raquel cita adesão em massa dos brasileiros à imunização e o fato de a terceira dose já estar em curso. Com essa combinação de fatores, ela acha possível que o cenário visto em alguns países da Europa, onde cidades inteiras precisaram retomar a quarentena, não se repita por aqui. Ela acrescenta, porém, que outros cuidados serão decisivos para que isso se concretize. É o caso da exigência do passaporte vacinal e da testagem, esta muito importante para o controle em relação à Ômicron, cujos riscos ainda não estão totalmente compreendidos pela comunidade científica.

“A Covid-19 nos ensinou que não podemos cometer descuidos, porque ela nos traz surpresas num período muito curto. O que era bom pode tornar-se péssimo rapidamente”, alerta. Nesse sentido, Raquel ainda considera um equívoco a não utilização de máscaras em locais públicos, como foi liberado recentemente no Rio. O relaxamento das medidas combinado à aglomeração, sobretudo em locais fechados, pondera, mostrou-se arriscado na Europa. Portanto, não custa reforçar que um pouco de cautela não faz mal a ninguém. “A pandemia não chegou ao fim, e as chances de o mundo acabar amanhã são bem pequenas.”

Enquanto não há sinais de um grande meteoro em direção à Terra, quem é de carnaval aposta todas as fichas na folia que marca o ápice transante do verão, mesmo diante dos cancelamentos da festa anunciados por cerca de 50 cidades. Para essa turma, será o maior fervo de todos os tempos. “Vai faltar agenda”, prevê Krishna. “Vamos ter um contatinho para a manhã, um para a tarde e outro para a noite. O clima no Rio já mudou. Imagina quando chegar fevereiro? Vai ser uma loucura sensual.”

A relações públicas Laura Arantes, de 26 anos, também já está de olho na festa da carne mais carnal de todas. Para ela, até segunda ordem, relacionamentos mais sérios vão ficar para depois da temporada. “Só vai ter romance se ficar estabelecido que o beijo em outras bocas está liberado. Inclusive, tenho notado muitos casais abrindo a relação”, observa. Ela afirma que a jogação é tamanha que mesmo quem não é bissexual tem se permitido beijar todas as bocas, sem exceção. “Sempre gostei de ficar com amigas em festas, mas agora tenho marcado encontros com mulheres também.”

Passageiro do mesmo bonde que Laura, o arquiteto José Guilherme Almeida, de 27 anos, diz ter vivenciado uma virada de chave nos últimos meses. Depois de tanto tempo recluso, decidiu, por ora, deixar a “coisa do romance” de lado. “Quando voltei à noite, já não estava tão sentimentalmente disponível”, analisa. “Não estava nem aí se era homem ou mulher. Queria mais era beijar na boca. Meu estilo é: respirou, a gente se pega.” O carnaval, segundo ele, será um “surto” do qual faz questão de participar. “Vai ser uma experiência antropológica transcendente”, filosofa, antes de encerrar a entrevista com um pedido: “Avisa no texto que estou solteiro, por favor”.

Se restava alguma dúvida, o recado está dado.

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