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Apesar de Bolsonaro, sensação de bem-estar vai melhorar até eleição, diz professor da PUC

·7 minuto de leitura
**ARQUIVO**  SÃO PAULO, SP, 29.10.2018 - Entrevista com o economista José Márcio Camargo, em SP. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 29.10.2018 - Entrevista com o economista José Márcio Camargo, em SP. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio, afirma ter “muita dificuldade” para entender a estratégia de confronto político do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste momento de recuperação da economia.

“Temos de prestar atenção no que está por trás do que vem fazendo. Não acho que ele esteja jogando fora o seu tempo”, afirma, lembrando que Bolsonaro venceu a eleição há três anos de forma “muito impressionante”.

Também economista-chefe da Genial Investimentos, Camargo diz que a economia brasileira estará em outro patamar no fim deste ano e no período eleitoral de 2022, com a volta do setor de serviços, que representa 70% do PIB.

É verdade que o desemprego e a inflação estão altos. Mas isso já está”, afirma. "Se continuarmos na mesma trajetória da pandemia de hoje, teremos um final de ano muito diferente. E isso não é só na economia, é na sociedade, com a sensação de bem estar mudando completamente.”

Para Camargo, quem conseguir capitalizar esse sentimento estará no segundo turno no ano que vem.

PERGUNTA - A situação que tínhamos até algumas semanas atrás, se não confortável, era um pouco mais arrumada para termos um segundo semestre melhor. Mas o que veio é a deterioração de índices de mercado e de expectativas causada pelo próprio presidente. O que esperar da economia agora?

JOSÉ MÁRCIO CAMARGO - Aumentou muito o grau de incerteza, e ninguém sabe exatamente até onde o presidente está disposto a ir e quais serão seus próximos passos. Não sabemos ainda como o Congresso e o Judiciário vão reagir a essas manifestações.

De um certo ponto de vista, os presidentes das Casas, tanto o Arthur Lira [Câmara] quanto o Rodrigo Pacheco [Senado] reagiram mais ou menos tranquilamente, com declarações bastante apaziguadoras. O Lira até dividiu as responsabilidades [da crise] entre o STF e o presidente. No Legislativo, a situação deve continuar parecida, com todos os problemas que já existiam.

O problema é como o Judiciário vai reagir ao discurso do presidente. A principal questão a ser resolvida é a dos precatórios [o Supremo estava procurando saída para o governo não ter de pagar R$ 89,9 bilhões em dívidas judiciais neste ano]. Mas o grande problema é que não conseguimos antecipar os próximos passos do presidente.

Muita gente no mercado está atribuindo diretamente ao presidente a deterioração de indicadores como o dólar, que alimenta a inflação e os juros futuros. E que poderíamos ter uma situação melhor se o presidente não puxasse a corda o tempo todo.

Não tenho nenhuma dúvida de que esse comportamento agressivo do presidente afeta o preço dos ativos. Isso aumenta muito a incerteza, temos mais desvalorização cambial do que teríamos, a Bolsa não ganha tração e as taxas de juros aumentam. No escuro, é muito difícil caminhar.

P. - Mantido esse cenário, temos daqui para frente dois movimentos. De um lado, os ativos financeiros voláteis, inflação alta, alguns problemas ainda nas cadeias industriais, perspectiva de juros e crédito mais caros e investimentos pausados. De outro, o grande setor de serviços voltando. Como você vê o resultado dessas duas forças?

JMC - Estamos relativamente otimistas em relação ao comportamento da economia no segundo semestre. Incerteza é sempre ruim. O investimento e o consumo ficam mais contidos. Mas o ponto é que o motor do crescimento no segundo semestre vai ser o setor de serviços.

Se a pandemia continuar na trajetória que vem vindo nos últimos três meses, isso será muito positivo. O "se" aí e muito importante. Mas se isso for verdade, nosso cenário é de euforia no fim do ano, com as pessoas loucas para sair de casa. Isso já está aparecendo nos dados, mas vai aumentar se a trajetória continuar a que está aí.

Vamos chegar ao fim do ano com uma sensação de bem-estar completamente diferente do que a gente tem hoje. Por isso, estamos otimistas.

O emprego no setor de serviços é muito concentrado no informal, que foi quem mais sofreu na pandemia. Temos 5 milhões de trabalhadores informais que ficaram sem trabalhar e que vão retomar a ocupação agora, com a volta dos serviços. Isso é muito positivo para os mais pobres, necessitados e os que mais sofreram. Isso já está acontecendo. É o boteco da esquina, o restaurante na vizinhança, os empregados domésticos e assim por diante.

É verdade que o desemprego e a inflação estão altos. Mas isso já está. Novamente, o “se” é fundamental. Se continuarmos na mesma trajetória da pandemia, teremos um final de ano muito diferente do que foi o primeiro semestre deste ano. E isso não é só na economia, é na sociedade, com a sensação de bem-estar mudando completamente. Vai acontecer mais ou menos o que foi o fim da gripe espanhola, em 1919, com uma euforia monumental.

P. - Qual a expectativa sobre a situação fiscal e PIB deste ano?

JMC - Nossa avaliação é que a situação fiscal está sob controle. Temos uma redução importante no déficit primário, e o Brasil é o único país que está fazendo consolidação fiscal no meio da pandemia. Vamos diminuir o déficit primário [resultado negativo nas contas do governo, sem considerar os juros da dívida pública] de quase 9% do PIB para pouco mais de 1% neste ano e para algo perto de 0,6% no ano que vem. Isso é uma coisa impressionante e inusitada. Podemos perder isso no meio do caminho. Mas acho que não. Nossa avaliação é que o governo vai respeitar o teto de gastos [que limita o aumento da despesa à inflação de 12 meses]. Isso é um ponto muito importante.

Até ontem, estávamos trabalhando com um crescimento de 5,8% neste ano, e isso tem a ver exatamente com a questão dos serviços. É possível que isso se reduza um pouco porque tem a ver também com os investimentos. Estávamos muito otimistas com a volta das concessões e de outros investimentos produtivos, mas isso pode dar uma recuada agora com o aumento das incertezas. Mas serviço é 70% da economia brasileira, e vai fazer muita diferença. A volta vai ser muito forte.

P. - Do ponto de vista político, você consegue entender qual a estratégia do presidente? Parece que, se ele tivesse uma posição um pouco mais conciliadora ou mesmo “silenciosa”, poderia ser ajudado muito mais, principalmente pelo setor de serviços. Fazendo barulho, ele não acaba jogando contra sua reeleição?

​JMC - Para mim, é uma incógnita. Tenho muita dificuldade de acompanhar os movimentos políticos do presidente. Ele deve ter alguma coisa na cabeça. Ele ganhou uma eleição há três anos de uma forma muito impressionante. Montou uma estratégia e venceu. Não é pouco. Temos de prestar atenção no que está por trás do que vem fazendo. Não acho que ele esteja jogando fora o seu tempo.

Mas não consigo entender direito. Se tivesse menos incerteza, seria mais fácil se viabilizar como incumbente. Com esse aumento da incerteza, haverá redução de investimentos, menos emprego, mais inflação.

Mas a pergunta que eu tenho me feito é quem vai capitalizar essa melhora de ambiente que será gerada pelo fim da pandemia. Essa é a grande questão ainda sem resposta.

Pode ser o presidente, que pode dizer que comprou vacina para todo mundo e a pandemia acabou. Pode ser o [João] Dória, que pode dizer que fez a vacina. Pode ser o [Luiz Henrique] Mandetta [ex-ministro da Saúde], que ia para a televisão todo dia. Quem vai capitalizar essa volta caso a pandemia acabe?

Isso pode ser definitivo para o resultado da eleição, e quem conseguir fazer isso estará no segundo turno no ano que vem.

P. - O Brasil é um país pobre e são os pobres que mais estão sofrendo com a inflação. Acabou de sair o IPCA de agosto (0,87% e 9,68% no acumulado em 12 meses), o maior desde 2000. Vai haver melhora nos serviços, mas isso será suficiente para essa parcela, majoritária, daqui até a eleição?

JMC - Esse foi o grupo que mais sofreu com a pandemia. Os mais pobres, informais e os que têm de trabalhar presencialmente foram os grandes perdedores. Não puderam fazer trabalho remoto. Eles perderam muito e não foi só no Brasil. Vamos ter um aumento da desigualdade, sem a menor dúvida.

Mas é por isso que essa volta do emprego informal é tão importante. Não vamos conseguir formalizar 30 milhões de pessoas de uma hora para outra. Mas vai haver geração de renda pela volta dos serviços. Muita gente reclama da informalidade. Mas, escuta: estamos numa emergência. Temos milhões de trabalhadores sem ocupação e é extremamente positiva a volta deles ao mercado de trabalho.

P. - No fim deste ano e no ano que vem estaremos melhor do que neste ano. É suficiente para compensar? JCM - Acho que não, mas é o que vamos ter. O que é possível é isso.

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