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Apesar de atritos no governo, Bolsonaro diz que Itamaraty e Agricultura 'falam a mesma língua'

JULIA CHAIB
·4 minuto de leitura
BRASÍLIA, DF, 10.11.2020 - O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 10.11.2020 - O presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apesar de diversas polêmicas dentro do próprio governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exaltou nesta quinta-feira (12) a importância de o Brasil fazer comércio com países "sem viés ideológico" e afirmou que o Itamaraty e o Ministério da Agricultura falam "a mesma língua" com relação ao agronegócio.

O presidente deu as declarações durante a abertura do 39º Enaex (Encontro Nacional de Comércio Exterior), promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Na ocasião, o mandatário também afirmou que é preciso ficar atento à concorrência no agronegócio, "que fará de tudo para conter a nossa participação no mercado internacional."

Embora Bolsonaro tenha pregado o afinamento do discurso em seu governo, desde o ano passado, a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e representantes importantes do setor agrícola travam embates com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), justamente porque atitudes e discursos do chanceler de caráter ideológico geram atritos com os principais importadores de mercadoria brasileira no mundo.

Uma das principais rusgas diz respeito à postura do Brasil em relação à China, principal comprador de commodities brasileiras.

Nesta quinta, Bolsonaro fez questão de ressaltar a importância de manter aliança com parceiros estrangeiros e defendeu o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

"A expansão do comércio exterior brasileiro desempenha papel fundamental nesse processo. O comércio com o mundo todo, sem viés ideológico, é um elemento chave para integrar o país na economia mundial", afirmou o presidente.

"Na área do agronegócio, nosso governo tem incentivado a atuação dos Ministérios de forma transversal e coesa com o propósito de melhor promover os produtos brasileiros no exterior. O Itamaraty e o Ministério da Agricultura falam a mesma língua e, juntos, têm alcançado resultados claros e concretos", disse o presidente.

Segundo Bolsonaro, o Brasil está promovendo uma "abertura comercial sem precedentes na história". Ele mencionou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e disse que o país está negociando com outros países, como Coréia do Sul, Singapura e Canadá. O presidente também pediu empenho na defesa do agronegócio.

"O Brasil é altamente competitivo no agronegócio. Estejamos atentos à concorrência, que fará de tudo para conter a nossa participação no mercado internacional. Por isso, os agentes que promovem nossos produtos no exterior devem trabalhar de forma ágil e convergente."

Em seguida, Bolsonaro propagou a necessidade de desenvolvimento sustentável da Amazônia.

"Outro fator essencial para a integração competitiva da economia brasileira é o desenvolvimento sustentável da nossa Amazônia. Por princípio ético e questão de Justiça, os 20 milhões de cidadãos que lá vivem devem ser integrados nas cadeias de produção e do comércio exterior do Brasil", disse.

Nesta semana, durante uma solenidade no Palácio do Planalto, Bolsonaro chegou a dizer que é preciso "ter pólvora" para fazer frente a "candidatos a chefes de Estado" que ameaçam sanções econômicas ao Brasil por causa da Amazônia. A fala foi uma alusão á eleição de Joe Biden nos Estados Unidos, que defendeu durante a campanha presidencial aplicar restrições econômicas ao Brasil caso os índices de desmatamento não melhorem.

Como mostrou a Folha no início do mês, o Brasil planeja assinar nas próximas semanas uma declaração com os governos de Estados Unidos e Japão em que os três países defendem uma rede de telecomunicações confiável e segura em mais gesto que tem como alvo a empresa chinesa Huawei.

Segundo disseram à Folha interlocutores, segurança da informação deverá ter um espaço de destaque no lançamento de uma aliança estratégica entre os três governos. Os termos finais da declaração ainda estão em discussão, mas os Estados Unidos pressionam por uma referência expressa à importância da escolha de colaboradores confiáveis para a montagem das infraestruturas de 5G, algo que diplomatas brasileiros consideram problemático por ser uma provocação direta demais à China.

O projeto foi abraçado com entusiamo pelo chanceler Ernesto Araújo. Outros membros do governo, entre eles Tereza Cristina, porém, temem criar rusgas com a China. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou US$ 53,3 bilhões para o país asiático.

Ainda no início do ano, o Brasil teve um embate com a China depois de o filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ter sugerido nas redes sociais que o país era o culpado pelo novo coronavírus.

Na ocasião, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, reagiu à declaração. À época, o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) respondeu as críticas feitas pelo embaixador e disse ser "inaceitável" que o chinês endosse postagens ofensivas a Bolsonaro, e acrescentou que a fala do parlamentar não reflete a opinião do governo.

A nota não foi considerada suficiente para amenizar a crise e Bolsonaro teve de telefonar para o dirigente Xi Jinping.

Nesta quinta, Bolsonaro buscou mandar recado a investidores e afirmou que, apesar da pandemia do novo coronavírus, o Brasil registrou recorde de exportações "em volume e valor".