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Apesar de alívio pontual, Ibovespa tem a maior queda mensal desde março

Lucas Hirata
·3 minutos de leitura

O ambiente externo mais favorável a ativos de risco abriu caminho para um dia de alívio no Ibovespa. Após duas sessões de duras perdas, o índice fechou em alta de mais de 1%, com destaque para ações de grande peso no índice como a Petrobras e a Vale. No entanto, o ajuste passou longe de uma recuperação mais consistente e a bolsa encerrou o mês de setembro com uma queda de quase 5% - o pior resultado mensal desde o pico da crise do coronavírus em março quando cedeu 29,9%. Após ajustes, o Ibovespa registrou alta de 1,09%, aos 94.603 pontos, na esteira do firme avanço das bolsas em Nova York e da valorização das moedas emergentes como um todo. O girou financeiro ficou em R$ 18,4 bilhões, abaixo da média diária no restante do mês de R$ 19,5 bilhões. Petrobras ON teve alta de 0,82% enquanto a PN teve ganho de 1,55%, enquanto a Vale ON subiu 1,30%. Apesar do avanço, o índice brasileiro enfrentou uma desvalorização notória nos últimos dias e recua 2,47% nesta semana, o que levou à perda de 4,80% no mês de setembro. É a terceira maior baixa mensal do ano, atrás apenas da queda de 29,9% em março e de 8,43% em fevereiro. Desta vez, a cautela se deve à proposta do governo em custear o programa social Renda Cidadã, anunciada no começo da semana. A ideia é financiar a medida com recursos que seriam destinados ao Fundeb e ao pagamento de precatórios. Por ora, o governo e seus aliados não apresentaram ações alternativas como corte de gastos ou aquisição de outras fontes de receita, detonando preocupações sobre “pedaladas fiscais” e um desarranjo das contas públicas. Na segunda-feira, o susto foi tamanho que os investidores institucionais retiraram R$ 1,358 bilhão do mercado secundário da B3 – ações já listadas -, o maior saque diário desde 23 de julho, de acordo com cálculos do Valor Data. Os estrangeiros, que já não têm entrado muito no mercado local, sacaram liquidamente R$ 266,3 milhões no mesmo dia. A contraparte veio do segmento de pessoas físicas, que ingressou com R$ 1,466 bilhão. “A recuperação do mercado após o pior momento da crise foi muito rápida, mas o tamanho do déficit fiscal mostra que a situação é muito difícil. Assim, fica claro que o equilíbrio hoje está mais próximo de 95 mil pontos do que 120 mil pontos”, explica o analista Enrico Cozzolino, da Daycoval Investimentos. “Primeiro, foram os estrangeiros que saíram mais da bolsa, depois vemos esse fluxo do investidor institucional. O risco é que a pessoa física também siga esse caminho, já que historicamente são investidores que buscam retorno no curto prazo”, acrescenta. Para o diretor da CM Capital Markets, Fernando Barroso, os investidores institucionais têm diminuído a exposição na bolsa em um ajuste das posições mais otimistas que vinham carregando na expectativa de continuidade da agenda de reformas. “Sem uma política fiscal clara, não existe um impulso primário para o mercado. Pode até vir um avanço pontual, mas qualquer investidor fica mais cético sobre um movimento mais consiste neste momento”, diz. Durante a tarde, o ministro Paulo Guedes comentou que o programa Renda Cidadã precisa ser financiado por uma receita permanente, e não por um “puxadinho”. Além disso, ele voltou a defender o respeito ao teto de gastos e à responsabilidade fiscal. O mercado, contudo, continua cauteloso em relação aos próximos passos do governo. Para se ter ideia do tamanho do rombo das contas do governo, o Banco Central informou nesta quarta-feira que a dívida bruta geral avançou para R$ 6,389 trilhões em agosto, cerca de 88,8% do Produto Interno Bruto (PIB). A tensão no mercado também fica evidente no fraco desempenho dos ativos brasileiros em relação aos pares globais nos últimos dias. A firme queda do Ibovespa nesta semana contrasta com os avanços de aproximadamente 2% no índice mexicano IPC e no S&P 500, em Wall Street – tudo isso em moeda local. Gerd Altmann/Pixabay