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Apenas um dos planetas ao redor da TRAPPIST-1 pode ter água líquida, diz estudo

Daniele Cavalcante

Em 2016, astrônomos encontraram um sistema planetário ao redor da estrela TRAPPIST-1, com alguns planetas de dimensões semelhantes às da Terra possivelmente tendo condições favoráveis à existência de água. A estrela tem em sua órbita sete exoplanetas, três deles com tamanho muito parecido com o da Terra. Na época, muito entusiasmo gerou a expectativa de que pelo menos estes três tivessem oceanos, mas um estudo recente mostrou que apenas um deles tem chance de se parecer de verdade com o planeta em que vivemos.

A equipe descobriu que, durante a fase extremamente quente e brilhante da estrela em questão, todos os mundos ao seu redor podem ter evoluído como Vênus. Ou seja, seus oceanos primitivos podem ter ter evaporado e as atmosferas podem ter se tornado densas e inabitáveis. Mas um deles, o TRAPPIST-1e, que é o quarto planeta do sistema, pode ser um mundo oceânico semelhante à Terra.

Mas isso não diminui a importância de TRAPPIST-1 e seus planetas. Localizada na constelação de Aquário, a apenas 39 anos-luz de distância, a estrela é uma anã vermelha relativamente fria, e tem cerca de 9% da massa do Sol com cerca de 12% do seu raio. Todos os sete planetas são de tamanho aproximado ao da Terra, e os pesquisadores acreditam que três deles — "e", "f" e "g" — estão na zona habitável do sistema. Para Andrew Lincowski, principal autor do novo artigo publicado no Astrophysical Journal, estamos falando de “uma mina de ouro”, que pode ajudar os cientistas a descobrirem mais sobre a evolução planetária em estrelas diferentes da nossa — o Sol é uma anã amarela.

Representação artística do TRAPPIST-1e. (Imagem: NASA/JPL-Caltech)

Embora outras pesquisas tenham feito o trabalho de modelar esses planetas anteriormente, Lincowski e seus colegas fizeram um estudo para criar um modelo para cada um deles da forma mais detalhada e correta possível. Ele afirma que, para o novo trabalho, buscou “fazer a modelagem física mais rigorosa possível em termos de radiação e química - tentando acertar a física e a química da maneira mais correta possível possível”. Lincowski também afirma que, considerando as diferenças entre o Sol e a estrela TRAPPIST-1, precisamos “pensar nos efeitos químicos na(s) atmosfera(s) e em como essa química afeta o clima”.

O planeta mais próximo da estrela, o "b", é um mundo extremamente quente, e não pode formar nem mesmo nuvens de ácido sulfúrico, como acontece em Vênus. Já os dois seguintes, “c” e “d”, recebem um pouco mais de energia de sua estrela do que Vênus e a Terra recebem do Sol, e podem ser semelhantes a Vênus. Ou seja, possuem atmosfera densa e inabitável. Os planetas mais externos, “f”, “g” e “h”, podem ser parecidos com Vênus ou até mesmo congelados, dependendo da quantidade de água formada no planeta durante sua evolução.

Já o TRAPPIST-1 “e” é o que parece mais interessante, por ser o que mais tem possibilidade de hospedar água líquida em uma superfície temperada. Na verdade, ainda há possibilidades de que sua água também tenha sido evaporada na fase mais quente da estrela, mas caso isso não tenha acontecido, as chances são de que hoje ele seria “um mundo aquático, completamente coberto por um oceano global”, diz Lincowski.

Vale ressaltar que essa pesquisa deu mais atenção à evolução climática do que na possibilidade de os planetas abrigarem vida. Lincowski planeja pesquisas futuras focando diretamente na modelagem de planetas aquáticos e suas chances de vida, então ainda temos muito a descobrir sobre o sistema de TRAPPIST-1!

Fonte: Canaltech

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