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Apenas três estados registram interdições golpistas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Caiu para três o número de estados com interdições parciais de rodovias no Brasil. No primeiro boletim da PRF (Polícia Rodoviária Federal) desta quinta-feira (3), eram 11 aqueles com mobilizações golpistas que contestam sem provas o resultado do pleito presidencial, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (30).

À noite, a PRF afirmou que todos os bloqueios totais no país foram desmobilizados, com 936 obstruções desfeitas. Persistem, porém, 24 interdições (bloqueios parciais).

Os estados afetados, que chegaram a 25 mais o Distrito Federal no auge do movimento, agora são apenas Mato Grosso, Pará e Rondônia, de acordo com a PRF.

O Nordeste, reduto de Lula, tinha apenas um bloqueio na noite de quarta. Nesta quinta, a região já não registra nenhuma interdição. Em contrapartida, estados como Mato Grosso e Santa Catarina, que chegaram a concentrar o maior número de mobilizações, são aqueles que deram ampla vantagem a Jair Bolsonaro (PL) na eleição.

Mas, mesmo neles, o número de bloqueios despencou nesta quinta. Mato Grosso, que começou o dia com 30 interdições, à noite tinha 5. Em Santa Catarina, os bloqueios foram zerados —de manhã, eram 27.

O boletim divulgado na noite desta quinta-feira (3) indica 32 interdições bolsonaristas. Segundo a PRF, 921 bloqueios já foram liberados desde o início da semana.

Na noite de quarta, o presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais em que pede a seus apoiadores para liberarem as rodovias que estão obstruídas.

"Quero fazer um apelo a você: desobstrua as rodovias, isso daí não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas. Não vamos perder, nós aqui, essa nossa legitimidade", afirma. "Proteste de outra forma, em outros locais, que isso é muito bem-vindo, faz parte da nossa democracia."

O vídeo está sendo utilizado pela PRF catarinense para desmobilizar os bloqueios.

O cenário desta quinta mostra um enfraquecimento do movimento. Na terça (1º), o número de vias fechadas havia ultrapassado os 300, impactando o comércio e o escoamento da produção do país. Levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) do dia mostrou que mais de 70% dos estabelecimentos nas regiões mais afetadas enfrentaram problemas de abastecimento.

Os protestos prejudicaram até as floriculturas no Dia de Finados, na quarta-feira (2). As flores estavam mais murchas na capital por causa da dificuldade de repor estoques. Na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), o milho ficou mais caro no feriado.

Os protestos causaram ainda pelo menos duas mortes. Em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, o empresário Osmar Alceu Wichocki, 56, morreu na noite de segunda-feira (31) ao bater o caminhão que dirigia na traseira de outro veículo que estava parado.

Nesta quinta, em Santa Rosa do Sul (SC), houve outro acidente com morte. Quando um caminhão reduziu a velocidade ao se deparar com o bloqueio, outro não percebeu e bateu na traseira do primeiro. O motorista, um homem de 51 anos, morreu no local, e o passageiro, de 26 anos, teve ferimentos graves.

Em Mirassol (SP), duas crianças foram atingidas após um motorista atropelar o grupo de manifestantes que participava de um bloqueio antidemocrático na rodovia Washington Luís. De acordo com a prefeitura da cidade, o atropelamento ocorreu por volta das 16h desta quarta-feira (2), e o carro avançou sobre as pessoas que estavam no meio da pista.

Duas meninas, com 11 e 12 anos, deram entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) local. Além delas, quatro homens, com idades entre 36 e 54 anos, e uma mulher, de 26, também deram entrada