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Apagão de notícias na Austrália revela poder do Facebook

Rob Lever
·3 minuto de leitura
A decisão do Facebook de bloquear as notícias na Austrália revela o poder da gigante de tecnologia

A decisão do Facebook de bloquear as notícias para a Austrália destaca o poder que a gigante americana da tecnologia exerce e levanta questões sobre o impacto da medida.

Desde quinta-feira (18), os australianos não podem postar links para artigos de notícias, ou ver páginas do Facebook de veículos locais, ou internacionais, rejeitando um projeto de lei para a rede social pagar por tal conteúdo.

Esta decisão sem precedentes levanta novas questões sobre o futuro da plataforma usada por cerca de 2 bilhões de pessoas e sua relação com a imprensa.

Embora o Facebook não seja um órgão de imprensa, é uma fonte de informação usada por milhões de pessoas em todo mundo.

Esta decisão "é um lembrete brutal do poder do Facebook", disse Kjerstin Thorson, professora da Michigan State University.

"A ideia de que um único toque de interruptor pode desligar a infraestrutura cívica é uma bandeira vermelha", acrescentou.

Thorson observou que a ação do Facebook pode privar os usuários de "informações de alta qualidade", mas "não elimina o desejo das pessoas de saberem o que está acontecendo", levando a rumores, teorias da conspiração e desinformação.

Ken Paulson, ex-editor-chefe do USA Today e atual professor da Middle Tennessee State University, disse que a rede social pode corroer a confiança nas informações, se generalizar o bloqueio.

"Facebook sem notícias reais seria a fantasia dos teóricos da conspiração", apontou.

- Facebook "não rouba" -

A decisão do Facebook é uma resposta ao projeto de lei australiano para que a rede social pague à imprensa para usar seu conteúdo.

Por meio do Facebook Journalism Project, a gigante californiana investe no mundo da informação em vários países, mas busca evitar um sistema de pagamentos obrigatórios para compartilhamento de links da mídia impressa em sua plataforma.

"Ao contrário do que muitos sugerem, o Facebook não rouba conteúdo de notícias. Os editores optam por compartilhar seus artigos no Facebook", disse Campbell Brown, responsável pelas parcerias da plataforma com a imprensa.

"Desde encontrar novos leitores até ganhar novos assinantes e gerar receita, as organizações de notícias não usariam o Facebook, se isso não ajudasse em seus resultados financeiros", acrescentou.

No entanto, a indústria de mídia, que atravessa dificuldades financeiras, afirma ser vítima do Google e do Facebook, que capturam a maior parte da receita global de publicidade on-line.

"A maior parte da mídia não se beneficia de forma significativa com links no Facebook", disse Paulson.

Na verdade, esse desequilíbrio parece ter aumentado durante a pandemia.

E reforça a necessidade de um novo sistema que dê suporte aos meios de comunicação, cujas informações são fundamentais para o sucesso de longo prazo das gigantes digitais, segundo analistas.

"Não acho que esse problema seja resolvido por meio de regulamentação governamental", disse Thorson.

O Google também ameaçou suspender seus serviços na Austrália, mas chegou a um acordo com a indústria da mídia, incluindo com o grupo News Corp. de Rupert Murdoch, que inclui The Wall Street Journal, The New York Post, The Times, The Sun, The Australian.

Se agora parece que o Facebook ganhou o jogo em sua disputa com as autoridades australianas, Chris Moss, pesquisador da Universidade de Oxford, argumenta que o gigante das redes sociais perderá seu atrativo se deixar de usar o conteúdo informativo por um longo período.

"Seria impossível imaginar que o Facebook (e o WhatsApp) manteriam (sua) popularidade sem conteúdo" da mídia, disse Moos.

"As organizações de mídia e o Facebook precisam um do outro. Ambas as partes têm interesse em colaborar e chegar a acordos", acrescentou.

Paulson estimou que ainda não está claro se o Facebook sofrerá com a falta de notícias, então a Austrália será um teste.

"Se as pessoas apenas acessarem o Facebook em busca de experiências sociais e fotos de gatos, (a rede social) não sofrerá pressão financeira", explicou.

rl/dw/cjc/yow/ll/mr/tt