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Após veto ao saneamento, líder do PSD diz que ‘acabou a confiança’ no governo

Renan Truffi

Partido tem uma das bancadas mais importantes no Senado, com 12 parlamentares A decisão do governo Jair Bolsonaro de descumprir o acordo em torno do marco legal do saneamento pode ter azedado a relação entre Palácio do Planalto e bancadas do Senado. O líder do PSD no Casa, Otto Alencar (BA), disse ao Valor que o governo não precisa mais contar com o voto dele "para nada". Segundo o senador da Bahia, a confiança "acabou" para vários senadores.

"Não venha o ministro Paulo Guedes querer falar em nova CPMF, privatização da Eletrobras. Não vai aprovar. Não com o meu voto. É um governo que já se manifestou entreguista mesmo. No meu caso e no caso de muitos senadores, acabou a confiança. Vai ser uma relação completamente diferente agora", disse. O PSD é uma das bancadas mais importantes do Senado por possuir 12 parlamentares.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou a quebra de acordo pelo Executivo em torno do marco do saneamento

Agência Senado

Otto Alencar era um dos senadores que estava resistente à apreciação do marco legal desde o início. Ele e o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), só aceitaram votar favoravelmente ao projeto em função de um acordo que preservaria o artigo 16, que prevê que os contratos de programa vigentes poderão ser reconhecidos, formalizados ou renovados mediante acordo entre as partes, até 31 de março de 2022, com prazo máximo de vigência de 30 anos.

O líder do PSD responsabiliza o ministro da Economia, Paulo Guedes, pela manobra. Na avaliação dele, o ministro se comporta como "a última instância da verdade". O senador acredita que o veto foi feito para facilitar a "entrega" das companhias estaduais de água e esgoto para a iniciativa privada.

"Foi feito um acordo para não vetar o artigo 16. Era um acordo explícito nisso. Foi um veto para, claramente, ajudar a vender mais barato as companhias que cuidam do saneamento. É muito irresponsável isso. É uma clara manifestação de que os governos vão fazer essa entrega para empresas privadas", disse.

Médico, Otto Alencar usou de uma analogia para, enfim, fazer uma avaliação do episódio. "É um governo atetoide. Em medicina, a gente diz que quando a pessoa anda sem direção ela tem movimentos atetoides. É lamentável. O meu prognóstico sobre este governo é bem sombrio", complementou.