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Após treinos em piscina gelada e desânimo, Leo de Deus vive o sonho olímpico

·4 minuto de leitura

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Desanimado, desmotivado e sem vontade de fazer nada pela primeira vez na vida, Leonardo de Deus, 30, ficou dois meses sem entrar em uma piscina. Isso jamais lhe havia acontecido.

A notícia do adiamento das Olimpíadas de Tóquio, competição que ele esperava há quase cinco anos, havia sido adiada. Ele pensou em parar com tudo.

"Foi um baque bem grande. Você dedica quatro anos [cinco, na verdade] da sua vida para uma competição que coroa sua carreira. Abdica de muitas coisas. A minha cabeça foi lá para baixo", conta.

Foi quando tomou uma das melhores decisões da sua carreira. Pediu ajuda a um psicólogo, acompanhamento que mantém até hoje. Colocou na cabeça que tudo aquilo passaria.

Ele admite, contudo, que se cobra demais. Nesta segunda-feira (26), às 7h30 (de Brasília), Leo de Deus disputa as qualificatórias para os 200 metros costas nas Olimpíadas pelas quais tanto esperou.

Para quem estava tão para baixo, ele se tornou um otimista com o que pode conseguir nos Jogos. Após comparar o seu tempo com o dos concorrentes, concluiu que pode ir até a final.

"Eu assisti ao [campeonato] europeu. Meu tempo é 1m54s. Com isso, eu seria medalha de prata no europeu. Nenhum americano ou australiano tem 1m54s. Então, cara, eu tenho chance!"

Pelo ranking da Fina (Federação Internacional de Natação), Leo de Deus está certo. O melhor tempo deste ano no Velho Continente é o do italiano Federico Burdisso, de 1m54s28. Mas, na piscina em Tóquio, ele terá pela frente o húngaro Kristof Milak, recordista mundial (1m50s73). Ou o japonês Daiya Seto, que fez 1m52s53 em 2020. Milak está, inclusive, na mesma qualificatória do brasileiro.

Para conseguir treinar durante a pandemia da Covid-19, Leo teve de pedir para usar a piscina de 25 metros do prédio onde mora. Foi autorizado, mas, para economizar, o condomínio desligou o aquecimento. A água a 18º C tornava inviável um treino de alto nível. O espaço que costumava usar em São Paulo, no Centro Olímpico, foi um dos primeiros a fechar por causa do coronavírus.

Será a terceira edição de Jogos Olímpicos da sua carreira, e chegar à prova que define medalhas será uma conquista. Em Londres-2012 e na Rio-2016, ele nadou os 200 m costas, além do borboleta, mas não passou das semifinais.

Há um componente familiar na persistência de Leo de Deus: a teimosia em voltar atrás todas as vezes em que pensou em desistir.

Essa característica esteve presente, por exemplo, na briga que teve com a CBDA (Confederação Brasileira de Deportos Aquáticos). Em 2017, foi eleito presidente da comissão de atletas, apesar do desejo contrário dos dirigentes. Renunciou ao cargo dois anos depois, alegando problemas pessoais.

O sonho do garoto nascido em Belém (PA) em ser nadador se espalhou para a família. A mãe, Jeane, se tornou nutricionista por causa disso. Domingos, o pai, coronel aposentado da Força Aérea Brasileira, entrou na faculdade aos 50 anos para cursar marketing esportivo. A irmã Deborah administra sua agenda. Em agosto de 2020, no meio da pandemia, nasceu Theo, seu filho.

"Todas as vezes em que pensava em parar, olhava para trás. Não poderia desistir. Meus pais não gostam muito que eu diga, mas tudo isso criou uma pressão sim, de mim para com a minha família. Minha mãe era professora de história e foi fazer nutrição para me ajudar. Meu pai saía de Brasília e ia acompanhar minas competições. Eu vi toda a minha família se mobilizar pelo meu sonho. Não poderia dar errado", diz o nadador, que hoje defende a Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos.

Ele confessa que a seletiva brasileira da natação, em abril, pesou. Sentiu-se na obrigação de conseguir o tempo necessário para ir a Tóquio. Teve sucesso, mas saiu da piscina desanimado com seu desempenho.

Foi quando recebeu telefonema de Thiago Pereira, medalhista de prata nos 400 m medley em Londres-2012.

"Thiago disse ter me visto com cara chateada e falou para eu pensar um passo de cada vez. Se penso em medalha, primeiro tenho de ir à final. Lá você coloca tudo o que tem na água. Quando ele me disse isso, fiquei bem feliz", conta.

Leonardo de Deus confirma o que não é difícil de perceber: se cobra. Exageradamente. Para ele, as Olimpíadas de Tóquio são um marco. Pode ser a última chance de uma final olímpica.

"E, se eu estiver na final, vou dar tudo. É um sonho, o que falta na minha carreira", diz o medalhista de ouro no Pan-Americano de Lima, em 2019.

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