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Após terror no Rio, Secretaria de Polícia pede a transferência de líderes de facções criminosas para presídios federais

Marjoriê Cristine
·5 minutos de leitura
Forte aparato policial prendeu bandidos e terminou com dois sequestros nos arredores do Complexo do São Carlos
Forte aparato policial prendeu bandidos e terminou com dois sequestros nos arredores do Complexo do São Carlos

A Secretaria de Estado da Polícia Civil (Sepol) vai solicitar ao Ministério Público Estadual e ao Poder Judiciário a transferência das lideranças envolvidas nos recentes confrontos na região central do para presídios federais. O cenário de horror que tomou conta do Rio de Janeiro nas últimas 24 horas se originou depois de um plano da maior facção criminosa do estado para tomar o Morro da Mineira, na região Central da capital. Atualmente, a favela é comandada pela segunda maior facção do estado, assim como São Carlos, Querosone e Zinco, que são localidades que formam o Complexo do São Carlos. A única comunidade que faz parte desta área, mas que não é dominada por esta organização criminosa, é o Morro da Coroa, chefiada pela maior facção do Rio.

Investigações da polícia mostram que a cúpula da maior organização criminosa tramou a invasão na Rocinha, na Zona Sul do Rio, de onde partiram vários criminosos em direção ao Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, que seria a base de encontro dos traficantes. Para retomar a Mineira, eles contaram com Alex Marque de Melo, o Léo Serrote, que já foi um dos chefes da comunidade e tentou pegar de volta o poder várias vezes. No ano passado, o traficante foi responsável pela tomada do Morro da Coroa. Nesta quinta-feira, dia 27, Léo Serrote foi preso pela polícia após bandidos fazerem uma família de refém no Estácio. Com uma lesão na perna, ele foi levado de ambulância sob custódia. Os outros presos foram para a delegacia.

Segundo sequestro:

O início do plano de retomada começou quando bandido partiram da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul, que é chefiada pela maior facção do estado, para o Tabajaras, em Copacabana. Nesse caminho, criminosos trocaram tiros com policiais e agentes do Segurança Presente. No fim da tarde de quarta-feira, após se reunirem no Fallet-Fogueteiro, em Santa Tereza, os bandidos tentaram invadir o Complexo do São Carlos e um intenso tiroteio durou até a madrugada.

— Houve uma tentativa de invasão na favela da Mineira por parte de uma outra organização criminosa a mando da cúpula dessa organização. Vários traficantes, de comunidades diferentes, se juntaram, inclusive esse episódio de ontem (quarta-feira), que aconteceu na Lagoa, eles estavam vindo para fortalecer a invasão, no fim da tarde de ontem com a madrugada de hoje, tivemos intensos tiroteios na Mineira — afirmou o delegado titular da 6ªDP (Cidade Nova), Mauro César, que investiga o caso, ao "RJTV-1ª edição".

Filho salvo pela mãe:

A polícia nega que foi pega de surpresa. A alegação é de que não podem agir em decorrência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a operações em comunidades do Rio, durante a pandemia, sem que houvesse um planejamento e um aviso sobre as ações. O delegado Mauro César afirmou que a polícia não teve condição de antecipar a invasão, mas garantiu que as investigações demonstravam que isso poderia acontecer. Segundo o delegado, o poderio bélico que os traficantes está aumentou justamente por causa dessas restrições.

— Ultimamente, estamos muito restritos na nossa atuação nessas comunidades, por conta de restrições de atuar nesses locais. Não podemos usar o helicóptero, que é muito importante nesse tipo de operação. Em momento algum a polícia foi pega de surpresa. Mas por conta dos tribunais superiores e decisão de outras instituições, a polícia não está podendo atuar nesses locais. Consequentemente, temos o fortalecimento bélico desses criminosos e a tentativa de expansão desse poderio bélico para outras localidades — afirmou o titular da 6ªDP.

— Quando a inteligência pode trabalhar, ela consegue antecipar. Quando ela fica restrita de atuar, porque também precisamos fazer o trabalho de campo, quando somos proibidos de utilizar nossos mecanismos, por exemplo, nosso helicóptero, fica mais complicado da polícia fazer o trabalho dela.

Novo tiroteio:

Dez comunidades envolvidas

Segundo uma reportagem da "TV Globo", uma investigação da polícia mostra que bandidos de dez comunidades participaram da ação para invadir o Complexo do São Carlos. Eles são da Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Tabajaras, Complexo do Alemão e da Penha, Nova Holanda, Providência, Turano, Prazeres e Fallet-Foguereiro, onde funcionou a base principal do planejamento da invasão.

O Fallet-Fogueteiro e o Morro do São Carlos são comunidades vizinhas, mas de lados opostos da Rua Itapiru, no Catumbi. O homem que comanda o Fallet-Fogueteiro é Paulo Cesar Baptista de Castro, o Paulinho Fogueteiro, que é procurado pela Justiça. Na mesma comunidade, estava Cosme Roberto dos Santos, conhecido como Macumba, que, no ano passado, ganhou autorização para trabalhar fora da cadeia depois de 25 anos preso. Ele cumpria regime semi-aberto e nunca mais voltou. Hoje, está foragido.

Refém:

Fontes da polícia dizem que Cosme dos Santos se aliou ao Léo Serrote e a Daniel de Paula Silva, conhecido como Pitbull, que ajudaram no plano de tomada do São Carlos. Atualmente, o Morro do São Carlos é chefiado pelo traficante Leonardo Miranda da Silva, o Léo Empada.

— Estamos com a investigação bem encaminhada. Foram traficantes de várias comunidades distintas, já conseguimos mapear elas. Já temos alguns traficantes identificados, outros presos e objetivo é identificar todos eles e levá-los à cadeia — afirmou o delegado.

Exclusivo:

Ligação com o traficante 157

A segunda maior facção do Rio tomou a liderança de quatro das cinco comunidades que formam o Complexo do São Carlos graças, mas a maior organização do estado sempre tentou tomar de volta as localidades. Para isso, contam com a ajuda de Rogério Avelino Silva, conhecido como Rogério 157, atual chefe da Rocinha. O criminoso era braço-direito do antigo chefe do tráfico na comunidade, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, integrante da antiga facção, que perdeu forças e se tornou uma nova organização.

Após a prisão de Nem, Rogério assumiu o controle do tráfico na Rocinha e iniciou uma batalha sangrenta entre facções rivais na favela. Rogério está preso desde 2017 e chegou a ser um dos criminosos mais procurados do Rio.

Pânico:

Investigações da Polícia Federal mostram que a segunda maior organização do estado se aliou a maior facção criminosa que atua nos presídios paulistas, que tentava fixar uma base no Rio, e assim, tomar as comunidades dominadas pelo maior rival. A intenção é oferecer, com exclusividade, drogas e armas para facções aliadas no Rio. A organização criminosa de São Paulo rompeu com uma das maiores facções do Rio e, após o rompimento, se aliou a outras duas. Com o apoio delas, se expandiu no estado.