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Após salto em desmatamento, Salles vai se reunir com governadores da Amazônia Legal

Daniela Chiaretti

Na reunião, segundo o ministro do Meio Ambiente, "um rol de medidas será discutido" Diante do maior aumento relativo no desmatamento da Amazônia desde 2004, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou que fará uma reunião com os nove governadores da Amazônia Legal, na próxima quarta-feira, em Brasília, para discutir medidas de combate ao desmate e de "desenvolvimento sustentável". Na reunião, segundo Salles, "um rol de medidas será discutido".

"Temos que adotar uma estratégia diferente para controlar o desmatamento", reconheceu o ministro, em uma entrevista coletiva no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Vamos discutir os pontos de convergência e possíveis avanços, para redução do desmatamento de maneira sustentável", seguiu. Salles afirmou que parte do desmatamento ocorre em áreas de "jurisdição estaduais".

Segundo o Inpe, o desmatamento na Amazônia subiu 29,5% entre 2018/2019, perante o período 2017/2018, para 9.762 quilômetros quadrados. Do total do desmate, o Pará é o estado campeão, muito embora o ritmo tenha acelerado mais de 215% em Roraima.

O dado divulgado nesta segunda, contudo, não inclui a alta de agosto, setembro e outubro indicada pelo Deter, outro sistema do Inpe, de alerta de desmatamento. Somente nesses três meses, segundo o Deter, há um indicativo de desmatamento equivalente à metade do período 2017/2018. O alerta de desmatamento de agosto a outubro foi de 3.704,5 km², segundo o Deter. O desmate anual do período 2017/2018 foi de 7.536 km².

Ao falar do combate ao desmatamento, o ministro citou "a ideia do governo de tolerância zero com a criminalidade". Disse que ações de comando e controle "serão aprofundadas", com apoio da Polícia Federal, equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Inpe e uso de outras ferramentas de tecnologia. Salles também falou que pretende reativar o projeto TerraClass, do Inpe e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que qualifica o desmatamento e está parado desde 2016.

Salles também disse não acreditar que a narrativa do presidente Jair Bolsonaro de críticas ao Ibama e à '"indústria da multa" tirem a legitimidade dos fiscais do Ibama e estimulem o desmatamento. Para o ministro, as pressões contra a floresta — como garimpos ilegais e extração ilegal de madeira — "já existem há muitos anos".

Na agenda de quarta-feira também estarão em pauta questões fundiárias, de pagamento de serviços ambientais, da bioeconomia e da "monetização necessária" para dar "alternativas econômicas de preservação da Amazônia", de acordo com o ministro.