Mercado fechará em 4 h 24 min

Após romper 100 mil pontos, bolsa começa a ficar cara, dizem analistas

Ana Carolina Neira

“Bolsa não está mais tão barata e ainda temos um cenário muito incerto”, avalia Enrico Cozzolino O Ibovespa cumpriu as expectativas de boa parte do mercado ao romper novamente o patamar dos 100 mil pontos, mas, para alguns analistas e gestores, isso significa que a bolsa brasileira está começando a ficar cara.

O mercado de ações tem reagido ao otimismo com a recuperação econômica global e com o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, mas ainda há muitos riscos no horizonte, especialmente na economia doméstica, o que pode forçar uma correção do Ibovespa nos próximos meses e obrigar o investidor a olhar com maior cuidado para setores específicos em busca de rentabilidade.

"Sem dúvida, uma bolsa em torno de 100 mil pontos faz mais sentido do que naqueles 65 mil pontos, que foi um patamar muito descontado e distorcido. Mas, hoje, definitivamente a bolsa não está mais tão barata e ainda temos um cenário muito incerto", avalia Enrico Cozzolino, analista de investimentos do banco Daycoval.

Valor

Entre os principais riscos estão uma retomada em ritmo mais lento do que o imaginado e uma segunda onda de contágio de covid-19 nas principais economias do mundo, capazes de forçar novas medidas mais duras de isolamento social com impactos na economia.

Para Cozzolino, tudo isso oferece mais riscos para quem deseja entrar na bolsa nos níveis atuais. Sua projeção é de que o Ibovespa termine o ano de 2020 aos 95 mil pontos.

Até lá, quem deseja obter ganhos precisará olhar com mais atenção para alguns setores específicos, explica o analista. Varejo, por exemplo, é um setor que já ficou com preços bastante elevados refletindo os novos hábitos de consumo da população e evolução dos canais de comércio online.

Por outro lado, empresas como a Vale e a Suzano tendem a se beneficiar das projeções positivas para as commodities e da recuperação econômica da China, já que são exportadoras.

Na avaliação de Tiago Sampaio Cunha, gestor da Grou Capital, a bolsa está "sem defesa de preço" em seus patamares atuais, abrindo espaço para uma análise setorial mais cuidadosa e eventual ajuste de preços no médio prazo.

"Faltam fundamentos porque não temos crescimento econômico e precisamos ter tranquilidade em relação a isso para avançar ainda mais. Com a recuperação dos ativos nos últimos meses, saímos daquela situação em que não importava o preço na hora de comprar bolsa e tudo estava barato", afirma.

Ele acredita que para manter os atuais níveis de preços das ações da bolsa brasileira, a recuperação econômica deveria acontecer em formato "V", algo ainda distante da realidade e que exige cautela.