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Após quimioterapia, células cancerosas que sobrevivem ficam estressadas

Gabriela Bulhões
·2 minuto de leitura
Após quimioterapia, células cancerosas que sobrevivem ficam estressadas
Após quimioterapia, células cancerosas que sobrevivem ficam estressadas

As células cancerosas podem ser muito resilientes quando o assunto é a sua capacidade de sobreviver em condições bem extremas e isso é um dos fatores que faz com que seja tão difícil de tratar uma câncer. Financiados pela Cancer Research UK, um grupo de cientistas começou a descobrir novas fragilidades nas células cancerosas , que aparecem quando entram no “modo de sobrevivência”.

A equipe é baseada no Imperial College London e analisou os efeitos da quimioterapia nas células do tipo mieloma múltiplo (câncer agressivo que começa na medula óssea). O resultado foi o esperado: umas células morreram imediatamente, enquanto outras sobreviveram.

“Achei que esse grupo de células [ as sobreviventes ] deve ter saído com algum nível de estresse”, explicou o Dr. Holger Auner, chefe da equipe Imperial.”Para sobreviver a longo prazo, eles devem ter que lidar com o estresse reparando os danos e restaurando processos que lhes permitem funcionar como células cancerosas eficazes novamente”, continuou.

Sendo assim, uma célula cancerosa considerada “eficaz” é justamente aquela que pode crescer, se dividir e desenvolver potencial de se espalhar para as demais áreas do corpo, que é o processo chamado metástase.

Esse processo precisa de uma grande quantidade de energia e recursos de uma célula cancerosa para para ser mantido. Ou seja, manter este processo após os efeitos tóxicos da quimioterapia é ainda mais complicado.

Então, qual seria a vulnerabilidade nas células cancerosas que estão estressadas? Bom, uma delas e a mais promissoras que a equipe encontrou foi a dependência das células de uma molécula que desempenha um papel vital na forma como as elas respondem ao estresse ou à falta de nutrientes (GCN2).

O objetivo do GCN2 é evitar que a célula produza proteínas quando os aminoácidos são escassos. Isso impacta porque as proteínas são responsáveis por formar músculos e ossos e no processo celular.

Se a linha de montagem ficar estressada, acaba se tornando improdutiva e cometer erros, assim, o acúmulo desse tipo de proteína deformada pode ser tóxico. Portanto, é ativado o GCN2 para ajudar a manter o número de proteínas deformadas baixo e garantir que a célula se policie enquanto se recupera.

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“Precisamos ter certeza de que atingimos as células quando elas já estão desativadas”, enfatiza Auner. Neste momento, a equipe está focada na molécula GCN2 e todo o seu potencial.

A hipótese é que tratar as pessoas com um medicamento que direcione e desative o GCN2 após a quimioterapia poderia fazer com que as células estressadas diminuísse. É para isso que Auner e sua equipe seguem estudando.

Fonte: Medical Xpress

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