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Após pressão do mercado, Bolsonaro busca reaproximação com empresariado

DANIEL CARVALHO, GUSTAVO URIBE E BRUNA NARCIZO
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diante do temor de perder apoio do mercado financeiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) busca agora uma reaproximação com o empresariado. Ele terá um jantar com representantes do PIB (Produto Interno Bruto) na quarta-feira (7), em São Paulo. O encontro deve ser na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil, mesmo local onde, em 22 de março, empresários reuniram-se com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para discutir saídas para a crise da Covid-19. Dois dias adiante, os parlamentares reuniram-se com Bolsonaro, ministros e com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, para discutir a situação da pandemia no país. Foi do encontro de 24 de março, no Palácio da Alvorada, que foi lançado o comitê anti-Covid, depois de um ano de pandemia e 300 mil mortes. Horas depois, naquele mesmo dia, o presidente da Câmara fez um pronunciamento que trouxe de volta o fantasma do impeachment. Lira afirmou que, se não houvesse correção de rumo, a crise poderia resultar em "remédios políticos amargos" a serem usados pelo Congresso, alguns deles fatais. Na semana seguinte, Bolsonaro promoveu uma dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios e entregou a cabeça do então chanceler Ernesto Araújo, uma das exigências feitas no ultimato dado pelo centrão e pelo mercado. Os empresários também pressionavam pela demissão de Ricardo Salles (Meio Ambiente), o que não aconteceu até agora. De acordo com um dos empresários, o jantar está sendo articulado por auxiliares do presidente e acontecerá em um dia em que Bolsonaro terá agendas de inaugurações e relacionadas à saúde. Pela manhã, ele vai a Chapecó (SC) com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Bolsonaro compartilhou nesta segunda-feira (5) um vídeo em que o prefeito João Rodrigues (PSD) atribui os baixos índices de internação no município ao "tratamento precoce", ignorando que a cidade teve medidas mais restritivas que o restante do estado. À tarde, vai a Foz do Iguaçu (PR) acompanhar o término da obra da pista de pouso e decolagem e inaugurar o novo pátio de manobras e a duplicação da via de acesso ao aeroporto da cidade. No fim da tarde, parte para São Paulo, onde terá o encontro com os empresários. Segundo um auxiliar do presidente, deverão participar os mesmos que reuniram-se com Lira e Pacheco há duas semanas. Houve participação presencial ou virtual de nomes como os banqueiros Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, e André Esteves, sócio-fundador do BTG Pactual, e os empresários Abilio Diniz, presidente do conselho de administração da Península, Elie Horn, da Cyrela, Rubens Ometto, da Cosan, Flávio Rocha, da Riachuelo, Frederico Trajano, do Magazine Luiza, e Carlos Sanchez, da farmacêutica EMS. Também foi convidado Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). A expectativa era que cerca de 20 empresários fossem convidados para o jantar, mas o cerimonial da Presidência pediu para reduzir o número de participantes para que seja possível fazer distanciamento social. A comissão do presidente deve contar com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com os ministros Fabio Faria (Comunicação), Paulo Guedes (Economia) e Tarcisio Gomes de Freitas (Infraestrutura). O tema central será a pandemia do coronavírus e a vacinação do Brasil, mas a agenda liberal e as reformas econômicas também devem ser discutidas. O último encontro de Bolsonaro com nomes do PIB foi em dezembro do ano passado, em um jantar na casa de Skaf. Em 2021, o presidente da Fiesp teve apenas reuniões individuais com o mandatário. O diagnóstico de que a imagem de negacionista no enfrentamento da pandemia estava fazendo com que Bolsonaro perdesse apoio do empresariado fez o presidente mudar de discurso e aceitar, ao menos parcialmente, a implementação do "Plano Vacina", uma guinada de 180º em seu posicionamento sobre a imunização. A insatisfação do mercado se materializou em uma carta aberta assinada por mais de 500 economistas, banqueiros e empresários do país cobrando medidas mais eficazes para o combate à pandemia do novo coronavírus. O ministro Paulo Guedes (Economia) tem defendido a vacinação em massa para a retomada da economia no país. Guedes também já se disse favorável a que empresas sejam autorizadas por lei a comprar vacinas para uso próprio. O Congresso discute a possibilidade de flexibilizar ainda mais as regras de compra e uso de vacinas pela iniciativa privada, permitindo que isso seja feito de maneira imediata. Inicialmente, esse uso estava previsto apenas após a imunização de grupos prioritários pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O texto, que pode ser apreciado nesta semana, retira a exigência de que as empresas doem integralmente as doses adquiridas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), enquanto o governo não vacinar todos os grupos prioritários.