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Após polêmica, NASA suspende contrato com a SpaceX para desenvolver lander lunar

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Em abril, a NASA selecionou a SpaceX para desenvolver o primeiro lander comercial (HLS) desde a era Apollo, que será usado para levar astronautas novamente para a superfície lunar através do programa Artemis. Contudo, o avanço do projeto (e a soma de US$ 2,9 bilhões para o desenvolvimento) vão ter que esperar um pouco: após duas empresas protocolarem protestos sobre a decisão, o processo fica suspenso até a agência fiscalizadora federal dos Estados Unidos julgar os protestos do contrato.

A decisão da NASA para o desenvolvimento do lander é, na verdade, o resultado de um processo de quase dois anos de duração: em 2019, a agência espacial anunciou o programa NextSTEP como parte do Artemis; nisso, 11 empresas foram escolhidas para criar um protótipo do módulo lunar e, dentre as participantes, a NASA escolheu a SpaceX, Blue Origin e Dynetics para seguirem com seus projetos. Desde então, as três aprimoraram seus conceitos de landers, enquanto a agência estudou quais deles poderiam realizar missões de demonstração.

Então, em abril de 2021, a agência anunciou que a SpaceX foi escolhida para criar o lander, que seria uma versão adaptada do veículo Starship — a decisão surpreendeu a indústria espacial, já que a expectativa era que o contrato fosse fechado com duas empresas. Agora, a Blue Origin e Dynetics protestam contra a decisão: a primeira argumenta que a NASA deu uma chance para a SpaceX revisar o valor de sua proposta no último minuto, mas não para a Blue Origin.

Representação do lander lunar Starship, da SpaceX, conforme proposto para o programa Artemis (Imagem: Reprodução/SpaceX)
Representação do lander lunar Starship, da SpaceX, conforme proposto para o programa Artemis (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Além disso, a empresa afirma que a decisão aumenta o “monopólio” da SpaceX na exploração espacial e que, ao escolher apenas a SpaceX, comprometeu o cronograma ambicioso de levar astronautas para a superfície lunar novamente em 2024. Como a Dynetics também enviou os documentos de seu protesto, as chances de a NASA revisar o contrato ficam mais altas. Com este desdobramento, o trâmite relacionado ao HLS fica suspenso até que o Escritório de Contabilidade do Governo (GAO) decida sobre os protestos.

Enquanto isso, a SpaceX não vai receber — pelo menos imediatamente — o valor do contrato, e também terá que aguardar mais um pouco para iniciar as primeiras discussões com a NASA sobre o HLS: “com os protestos do GAO, a NASA informou a SpaceX que o progresso no contrato do HLS foi suspenso até que o GAO resolva todas as pendências relacionadas a esta aquisição”, disse Monica Witt, representante da NASA, em um comunicado publicado na última sexta-feira (30).

A SpaceX segue desenvolvendo o sistema Starship, totalmente reutilizável, para levar tripulantes e cargas para destinos como Lua e Marte. O veículo conseguiu o contrato da NASA tanto por sua grande capacidade de transporte de cargas, quanto pela proposta de US$ 2,9 bilhões para o desenvolvimento, um valor bem abaixo daquele apresentado pela Blue Origin e Dynetics.

Por enquanto, a empresa já lançou alguns protótipos do Starship em altitudes variadas, mas o grande desafio tem sido pousá-lo, já que os veículos vêm explodindo nesta etapa, sendo que o próximo protótipo a ser testado será o SN15. Até o momento, a SpaceX não comentou oficialmente a questão. De qualquer forma, a decisão do GAO será tomada até 4 de agosto, e somente ali será possível saber se a SpaceX poderá avançar com seu lander lunar ou não.

Fonte: Canaltech

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