Mercado fechado

Após polêmica, canal Bel Para Meninas remove vídeos da protagonista no YouTube

Rafael Arbulu

Francinete Peres, a mãe de Bel, do canal “Bel Para Meninas” do YouTube, fechou o acesso dos internautas a todos os vídeos que tinha com a filha na plataforma, aproveitando para tirar também o material pertinente a Nina, a irmã caçula da família, segundo informa o portal Universa, parceiro do UOL.

Recentemente, Francinete, ou “Fran”, como se intitula nos vídeos, se envolveu em perigosa polêmica, com usuários do Twitter levantando a hashtag “#SaveBelParaMeninas” e acusando-a de cometer abusos contra a própria filha, registrando momentos de tristeza e dor da criança em vídeo e supostamente forçando-a a continuar gravando conteúdo contra a sua vontade. O canal tem, em média 7 milhões de inscritos.

Vídeos do canal estão marcados como "Privado", o que significa que eles ainda estão no YouTube, mas apenas os donos do canal têm acesso a eles (Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech)

Bel, de 13 anos, seria a vítima de uma situação de abuso, ilustrada pela “Twittesfera” por meio de prints de vídeos há muito removidos, como um onde Fran aparece zombando da filha após esta vomitar à frente da câmera. Outros materiais envolvem exposição da menina em crise de choro devido a problemas de desempenho escolar e algumas outras produções para o TikTok, com linguagem igualmente questionável.

Na última semana, o Canaltech procurou Francinete pelo e-mail listado no YouTube e Instagram (este último, com o selo de autenticidade de usuário conferido pela rede social) como contato comercial, mas não obteve resposta. Alguns dias depois da publicação de nossa matéria expondo o caso, Francinete, junto de seu esposo Maurício, publicou um vídeo onde leu um texto impresso, chamando as acusações de “campanha difamatória” que teria partido de “pessoas maldosas que [nós] desconhecemos, invejosos e inimigos do sucesso de nosso canal”.

Este vídeo ainda segue disponível no canal, junto de um outro, publicado em 25 de maio, este, sem leitura, onde Mauricio e Francinete parecem adereçar novamente ao assunto, já que na última semana, a pauta foi de “zero cobertura por parte da grande imprensa” para “matéria dedicada” em programas sensacionalistas como o Cidade Alerta, além de vários vídeos de youtubers que analisavam o caso.

Neste segundo vídeo, Mauricio diz que “nossas vidas viraram de cabeça para baixo”, ressaltando que o caso “foi impulsionado de uma maneira muito esquisita”, enquanto Francinete explica que, antes disso, ela sempre contou com o apoio da internet, sem “nunca ter precisado nem moderar comentários”. Vale ressaltar que os outros canais mantidos pela família — sendo um da própria Fran e outro sobre a vida dela com seu marido Maurício — ainda seguem normalmente disponíveis.

Vídeos anteriormente linkados nas diversas reportagens da mídia sobre o caso, agora aparecem como “Privado” na página do YouTube. Ou seja, o vídeo ainda está lá, mas disponível apenas para quem o postou. Em outras palavras, nem mesmo que tiver o link de um vídeo em mãos poderá acessá-lo — apenas administradores do canal é que terão esse acesso.

Em 2016, o mesmo canal foi alvo de investigação por parte do Ministério Público, quando foi acusado de lucro indevido proveniente às veiculações publicitárias indevidas feitas no canal. Pelas regras de uso do YouTube, vídeos com menores de idade não podem ser monetizados para a publicidade digital por motivo de preservação da privacidade infantil frente à coleta de dados por empresas de tecnologia e parceiros.

Francinete não comentou sobre a remoção do acesso aos vídeos até o momento. A mãe não tem nenhum perfil público no Twitter e, no Instagram, o perfil da família tem sua postagem mais recente na data de 19 de maio de 2020 — uma foto em família, com o casal e as duas filhas.

Fonte: Canaltech