Mercado fechará em 5 h 33 min

Após fala de Trump, Ibovespa melhora desempenho; dólar cai

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Investidores seguem cautelosos em meio a tensão entre EUA e Irã Após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Irã, os mercados reagiram bem e o Ibovespa passou a operar perto da estabilidade, entre leves altas e baixas. Às 14h05, operava em alta de 0,03%, aos 116.692 pontos. O mercados reagem à tensão entre EUA e Irã. Na terça-feira, bases militares com tropas americanas no Iraque foram atacadas pelo Irã.

O movimento, afirmam analistas, tem relação com a cautela dos investidores. Diante da falta de informações, há uma preferência pela revisão de estratégias.

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Petrobras, um dos ativos mais sensíveis ao noticiário internacional, opera em queda: o papel ON recua 1,84% enquanto a ação PN cede 0,75%.

Toda as atenções neste início de tarde estiveram voltadas para o pronunciamento de Trump, que anunciou sanções contra o Irã e sinalizou a interrupção de ataques militares. Análises também dão conta de que a ação do Irã foi mais uma resposta a sua própria população e que não representa uma escala que pode resultar de fato em guerra. Relatórios de fontes americanas e iraquianas apontam que não há vítimas dos ataques de ontem. Trump também afirmou não haver vítimas.

Entre os destaques positivos da bolsa nesta manhã está a JBS ON (2,86%), com um giro financeiro que já soma R$ 1,09 bilhão, muito acima dos R$ 457,1 milhões movimentados durante todo o pregão de ontem, sendo o ativo mais negociado de todo o mercado à vista.

Os papéis reagem ao aumento de recomendação da companhia pelo Bradesco BBI, passando de "neutra" para "outperform" – quando o desempenho esperado para a ação está acima da média do mercado. O preço-alvo foi elevado de R$ 35 para R$ 37.

Além disso, os incêndios que atingem a Austrália já afetam o rebanho de gado do país, com estimativa de que pelo menos 100 mil animais já tenham morrido. A Austrália é o terceiro maior exportador de carne bovina do mundo e a situação favorece outras empresas como BRF ON (1,96%) e Marfrig ON (1,06%), que também subiam diante da oportunidade de aumentar suas exportações. Ontem, a Marfrig também teve sua recomendação de compra elevada pelo Santander.

Gol PN (2,53%) também avançou durante a manhã, após divulgar uma prévia de resultado bastante positiva e bem avaliada pelo mercado.

A maior alta do índice era Braskem PNA (5,66%), na esteira do acordo firmado com as autoridades para remoção da população em áreas de risco em que se encontram poços de extração de sal-gema, em Maceió (AL). O acordo, avaliado em R$ 2,7 bilhões, representa um valor considerado "barato" e sem grandes impactos para a empresa, com redução de riscos de liquidez e novos processos.

Ibovespa mercado ações

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Dólar

O dólar comercial alterna leves altas e baixas nesta quarta-feira, à espera do discurso de Trump sobre a situação após os ataques do Irã a bases militares no Iraque. Por volta das 14h, a moeda americana cedia 0,47%, aos R$ 4,0453.

"O estresse inicial começou a refluir já de madrugada, com o presidente Donald Trump sinalizando no Twitter que não havia nada de muito ruim", afirma Marcio Simões Rodrigues, gerente da Mesa de Operações BMF da Planner Corretora.

O potencial risco de um conflito também continua fora do radar dos contratos de Credit Default Swap (CDS), uma medida de risco-país. Segundo dados compilados pela Markit, o spread do CDS de 5 anos operava em 99 pontos esta manhã, nos mesmos patamares do fim do ano passado.

Juros

Novos números de inflação abaixo do esperado em dezembro se aliaram ao ambiente mais calmo no exterior e proporcionaram uma manhã de acomodação aos juros futuros, que se mantiveram perto da estabilidade, mas com viés de queda.

A retirada de prêmio se mostrou mais forte nos trechos mais curtos da curva, na medida em que os agentes aguardam, ainda, os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, a serem revelados na próxima sexta-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuava de 4,49% no ajuste de ontem para 4,465%; a do DI para janeiro de 2022 cedia de 5,23% para 5,18%; a do contrato para janeiro de 2023 passava de 5,78% para 5,74% e a do DI para janeiro de 2025 caía de 6,44% para 6,42%.

O ataque iraniano a instalações dos EUA foi relevado pelos agentes do mercado tanto lá fora quanto aqui. No horário acima, o retorno da T-note de dez anos estava em 1,810%, distante da mínima do dia, de 1,711%. Os analistas Henry Rome e Cliff Kupchan, da consultoria de risco político Eurasia Group, notam que os ataques do Irã “pareceram projetados para o máximo efeito doméstico com risco mínimo de escalada”.

Em relatório enviado a clientes, eles pontuaram que as ações do país persa “aparentemente não causaram baixas nos EUA e o Irã agiu rapidamente para afirmar que considerava a rodada completa”. A consultoria não acredita em uma nova escalada nas tensões e diz que, se o estresse diminuir, “isso é, claramente, um grande impulso para Donald Trump em uma campanha apertada para a reeleição”.