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Após estreia na Bolsa e pagar R$ 1,5 bi em 22 empresas, Ambipar agora mira EUA e Europa

·9 minuto de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo apos o anuncio da anulação do impeachment. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015 - Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo apos o anuncio da anulação do impeachment. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com 22 aquisições em 13 meses de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), quando levantou R$ 1,08 bilhão na Bolsa, a especialista em gestão ambiental Ambipar está longe de desacelerar. Fundada pelo empresário Tércio Borlenghi Neto em 1995, a empresa já investiu R$ 1,5 bilhão em compras desde a abertura de capital e mantém vários negócios no radar.

A meta é se tornar líder mundial na área de emergências ambientais, químicas e biológicas (área de response). Já na área de gestão de resíduos (environment), a companhia busca acelerar seu processo de internacionalização: depois da compra da chilena Disal, é hora de olhar para os mercados da Europa e da América do Norte.

“Uma indústria de papel e celulose da Finlândia já nos procurou para começarmos a entender as características dos seus resíduos”, disse ao jornal Folha de S.Paulo a presidente da Ambipar, Cristina Andriotti, que faz questão de dizer que a empresa não tem concorrentes diretos, mas “competidores”, gente que só faz um pedaço do trabalho da Ambipar.

“Na América Latina, nós somos a única empresa que oferece soluções completas em todas as frentes –gestão, valorização, economia circular”, diz.

Na opinião do analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, a empresa realmente tem um perfil único na América Latina. “E eles fizeram uma tacada de mestre ao anunciar como embaixadora e nova acionista da empresa a modelo brasileira Gisele Bündchen, que tem uma imagem internacional forte, especialmente no mercado americano”, afirma Arbetman.

Nesta segunda-feira (16), a companhia anunciou seus resultados do segundo trimestre, período em que fez sete aquisições. Com lucro líquido de R$ 40,6 milhões, alta de 25,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, a Ambipar registrou aumento de 35,8% na receita líquida, para R$ 356,2 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do período somou R$ 97,2 milhões, alta de 33,7%.

*

Pergunta - Foram 22 aquisições em 13 meses, desde o IPO. O que vem direcionando essa máquina de compras?

Cristina Andriotti - Nós temos duas grandes áreas na Ambipar: a de emergency response, que atende emergências ambientais, químicas e biológicas, e a de environment, que faz o gerenciamento e a valorização de todo tipo de resíduo, incluindo industriais e hospitalares. Nestes 13 meses, foram 11 aquisições em response e 11 em environment.

Em response, o que direcionou as compras é o desejo da Ambipar de expansão internacional, em especial no mercado da América do Norte. Essa expansão surgiu a partir da demanda dos nossos próprios clientes que, sempre que precisavam, nos chamavam para atendê-los lá fora. Em termos de resposta de emergência, a Ambipar está à frente de muitos outros países. Somos referência mundial, conseguimos atender qualquer modal de transporte, de qualquer produto químico. Nossas aquisições visam ganho de capilaridade e menor tempo de resposta.

Em environment, fizemos uma grande aquisição no exterior, a Disal, no Chile. Mas eu precisava ter alguns negócios ou serviços complementares para fazer com que a empresa se tornasse líder em gestão ambiental. Fizemos aquisições de duas empresas de tecnologia de gestão ambiental, Âmbito e a Verde Ghaia, que envolvem toda a parte de legislação, rastreabilidade e inteligência artificial dentro dos clientes.

Hoje, você não consegue fazer uma gestão eficiente de resíduos se não tiver um software por trás, enxergando toda a operação. O quanto você gera de resíduos, para onde você os envia, para auxiliar as indústrias, por exemplo, a apresentar relatórios aos órgãos ambientais. Com o software incorporado aos negócios, você tem uma rastreabilidade e uma transparência fundamentais para proporcionar maior governança aos clientes.

P. - A compra do controle da AFC, no início deste ano, colocou a Ambipar no Nordeste.

CA - Havia negócios no Nordeste dentro de um contrato corporativo, mas a empresa não fazia prospecção na região. A aquisição da AFC permitiu que nós acessássemos este mercado. Todas as nossas compras têm que ser sinérgicas e complementares ao negócio, ou vinculadas à expansão geográfica. É o que faz com que Ambipar seja a única no Brasil com um portfólio completo, tanto em response, quanto em environment.

P. - Qual o perfil das empresas que vocês estão comprando? Qual o nível de profissionalização delas?

CA - A primeira coisa que queremos saber é se a empresa é complementar aos nossos serviços. Se tem pelo menos um projeto vinculado à valorização de resíduos, algo a agregar aos nossos negócios. E se está em um mercado interessante, do ponto de vista geográfico ou da carteira de clientes.

Depois vem idoneidade das empresas, a administração, porque não queremos comprar empresas que tragam passivos. Já pegamos empresas bem pequenas, e bem avançadas em relação à profissionalização, sistemas, processos. E pegamos empresas maiores administradas de forma mais “caseira”, mais familiar. É claro que a fusão fica mais fácil com aquelas que tenham melhor governança.

Em julho, fizemos imersão com os líderes das empresas que compramos, ficamos dois dias em Nova Odessa [SP, sede da Ambipar]. Para que eles conheçam as nossas políticas, expectativas e metas da Ambipar, e também um conheça o negócio do outro, possa haver uma troca de experiências. Nossas ações de ESG têm que ficar muito claras para todo o time.

P. - Mas a compra acelerada, de quase duas por mês, não causa problemas de gestão?

CA - Nós temos uma área administrativa, o Centro de Serviços Compartilhados, que já está muito bem estruturada para integrar essas novas empresas adquiridas. Toda a parte administrativa, financeira, contábil, tributária fica com a gente. As empresas adquiridas ficam com a responsabilidade da área operacional e comercial.

A gente tenta fazer a retenção do antigo dono, o que acontecem em praticamente 100% dos negócios. Isso é muito importante, porque ele é o detentor do know-how. Ele continua como o principal executivo ou como sócio minoritário. A partir do momento em que está sob a nossa gestão administrativa e financeira, conseguimos neutralizar problemas e capturar sinergias. Deixar o pessoal livre para vender e operar.

P. - O segundo ano de IPO vai continuar com dois dígitos em aquisições?

CA - Se Deus quiser! (risos). A Ambipar sempre teve perfil de compradora. Em um ano, fizemos o dobro do que tínhamos feito em toda a nossa história. E fizemos muito bem, com múltiplos atrativos, trazendo valor para o acionista. Temos um M&A passivo também: o pessoal que vem até nós oferecer negócios.

O crescimento internacional começou antes do IPO, na Inglaterra. O resultado foi muito positivo. Pegamos empresa sem muitos negócios ou representatividade e o negócio se expandiu para o Reino Unido: fomos para Escócia, Irlanda e País de Gales. Isso acabou nos motivando a levar o nosso conhecimento para qualquer outro lugar. Também estamos na Holanda, nos Estados Unidos e no Canadá. Em Trinidad & Tobago e na África (Angola e Nigéria), temos operação dentro dos clientes [outsourcing].

Quando você pensa em Estados Unidos, é um mercado bem pulverizado. As empresas lá são regionais e focadas em um único modal: ou só rodoviário, ou só ferroviário. Enquanto nossas equipes atendem múltiplos modais.

Queremos fazer mais aquisições na América do Norte, mas já partimos para o crescimento orgânico. Aumentamos o faturamento, o retorno de capital na região. Nos Estados Unidos, estamos montando uma estrutura para o suporte administrativo e uma central de atendimento corporativo. Isso faz com que a procura pelos nossos serviços em Response aumente mais cada vez.

P. - O que você tem no horizonte, quais são suas metas?

CA - Em response, a empresa vai se tornar referência mundial em respostas de emergência. Na Environment, no curto prazo, vamos nos tornar referência em toda a América Latina –e, a partir daí, começar a oferecer soluções em resíduos para o resto do mundo. Mas estruturar soluções de environment no exterior requer um investimento diferenciado, novas plantas. Hoje, só estamos em environment lá fora por conta da compra da Disal –com operações no Chile, Peru e Paraguai.

Mas uma indústria de papel e celulose da Finlândia já nos procurou para começarmos a entender as características dos seus resíduos. Querem que a gente dê soluções para os resíduos que eles geram. Isso é bem importante. A internacionalização da [área de] response começou assim. Na environment, está acontecendo o mesmo movimento.

P. - O ESG é a bola da vez e a Ambipar já nasceu com base nestes conceitos. Mas ser a única da B3 no setor de gestão ambiental é ruim? Como fica a atração de investidores?

CA - Foi muito bom sermos a primeira empresa listada no Novo Mercado com estes dois segmentos. Não só o ambiental, de valorização de resíduos, mas o de resposta de emergência. O que foi mais difícil foi educar o mercado e fazer com que os analistas entendessem de uma forma clara todo o valor da Ambipar em um período curto de IPO. Este foi o nosso maior desafio.

Mas hoje nossas ações estão subindo de forma exponencial, é muito gratificante, tanto investidores do Brasil quanto de fora. Os investidores internacionais estão mais acostumados à agenda ESG. Mas aqui no país também existe este movimento, que veio para ficar. Em um ano, mostramos nossa capacidade de execução. E ainda temos ainda muito para entregar. Vamos ser os maiores e melhores do mundo em gestão ambiental (risos).

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AQUISIÇÕES DOS ÚLTIMOS 13 MESES

Empresa - País - Quando

Âmbito - Brasil - julho 2020

One Stop - EUA - setembro 2020

Intracoastal - EUA - setembro 2020

Verde Ghaia - Brasil - outubro 2020

Custom Environmental Services (CES) - EUA - dezembro 2020

AFC Soluções Ambientais - Brasil - janeiro 2021

Enviroclear - Reino Unido - fevereiro 2021

Orion - Canadá - fevereiro 2021

Centro Oeste - Brasil - junho 2021

Metal Ar Engenharia - Brasil - junho 2021

Boomera - Brasil - junho 2021

Ecológica Nordeste - Brasil - junho 2021

Disal Ambiental - Chile, Peru e Paraguai - junho 2021

Suatrans Chile - Chile - junho 2021

EMS Environmental - EUA - junho 2021

Sabi Tech - EUA - julho 2021

Swat Consulting - EUA - julho 2021

Biolífica - Brasil - julho 2021

ZCT Publicidade e Consultoria Ambiental - Brasil - julho 2021

ControlPar Participações - Brasil - julho 2021

Professional Emergency Resource Services (Pers) - EUA - julho 2021

Drypol Indústria e Comércio de Polímeros - Brasil - julho 2021

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RAIO-X DA AMBIPAR*

Fundação: 1995, Nova Odessa (SP)

Funcionários: 9 mil

Principais áreas: emergências ambientais, químicas e biológicas, e gerenciamento e valorização de resíduos

Presença: 20 países

Faturamento: R$ 408,7 milhões

Lucro líquido: R$ 40,6 milhões

Principais concorrentes: Orizon e Veolia

*2º trimestre de 2021

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