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Após escândalos de assédio na Blizzard, presidente deixa empresa

·4 minuto de leitura

O presidente da Blizzard, J. Allen Brack, deixou o cargo na manhã desta terça-feira (3). A empresa, que desenvolve jogos como Overwatch, Diablo, Hearthstone e World of Warcraft, tem sido alvo de várias acusações de assédio sexual, remuneração desigual e retaliações nas últimas semanas. O Estado da Califórnia chegou a iniciar um processo contra a empresa-mãe, a Activision Blizzard, por conta das denúncias.

Em uma carta aos funcionários, o presidente da Activision Blizzard, Daniel Alegre, informou que Brack está "deixando a empresa para buscar novas oportunidades", sem explicar se ele foi demitido ou renunciou ao cargo. O texto também não cita as recentes acusações de assédio envolvendo a Blizzard.

J. Allen Brack deixou o cargo de presidente da Blizzard para "buscar novas oportunidades" (Foto: Reprodução/Blizzard)
J. Allen Brack deixou o cargo de presidente da Blizzard para "buscar novas oportunidades" (Foto: Reprodução/Blizzard)

Duas pessoas assumirão o cargo de "colíderes da Blizzard": Jen Oneal e Mike Ybarra. "Ambos são líderes de grande caráter e integridade, e estão profundamente comprometidos em garantir que nosso local de trabalho seja o ambiente mais inspirador e acolhedor possível para a excelência criativa e para manter nossos altos padrões de desenvolvimento de jogos", escreveu Alegre.

O comunicado também traz uma mensagem de Brack:

“Estou confiante de que Jen Oneal e Mike Ybarra oferecerão a liderança que a Blizzard precisa para realizar todo o seu potencial e acelerar o ritmo das mudanças. Eu prevejo que eles farão isso com paixão e entusiasmo, e que possam ser confiáveis ​​para liderar com os mais altos níveis de integridade e compromisso com os componentes de nossa cultura, que tornam a Blizzard tão especial. ”

Quem são os novos colíderes da Blizzard

A carta assinada por Alegre tem uma breve descrição das novas lideranças do estúdio.

Jen Oneal

“Jen é uma veterana de 18 anos na empresa e ex-chefe do estúdio Vicarious Visions. Como vice-presidente executiva de desenvolvimento da Blizzard, ela tem atuado como liderança de desenvolvimento sênior e suporte para as franquias Diablo e Overwatch.”

Mike Ybarra

“Mike está nas indústrias de tecnologia e jogos há mais de 20 anos, incluindo sete anos como executivo sênior na divisão Xbox da Microsoft. Mais recentemente, Mike foi vice-presidente executivo e gerente geral de plataforma e tecnologia da Blizzard, supervisionando o Battle.net e nossas organizações de serviços de desenvolvimento.”

Por que colíderes, e não copresidentes?

Vale pontuar que J. Allen Brack era presidente da Blizzard, e seus substitutos estão sendo chamados de “colíderes”. Isso chama a atenção, visto que o cargo de “copresidente" não é incomum na indústria de videogames — por exemplo, a Naughty Dog, estúdio criador de The Last of Us, tem dois copresidentes: Evan Wells e Neil Druckmann.

Não está clara qual será a diferença entre os cargos. Porém, o Canaltech já informou haver uma tensão nos bastidores entre executivos da Activision e da Blizzard por poder e dinheiro.

Chefe da Activision é o único CEO da Activision Blizzard (Foto: Dinosaur918/Wikimedia Commons)
Chefe da Activision é o único CEO da Activision Blizzard (Foto: Dinosaur918/Wikimedia Commons)

De acordo com apurações do jornalista da Bloomberg Jason Schreier, a Activision não estava satisfeita com a gestão do cofundador e ex-CEO da Blizzard Mike Morhaime. Quando ele saiu do cargo, em 2018, J. Allen Brack foi nomeado presidente em vez de CEO — segundo o jornalista, “um reflexo do poder e da autonomia reduzidos da Blizzard”.

Agora, com Oneal e Ybarra assumindo como colíderes e não copresidentes, Schreier aponta que essa é “uma visão clara de quem está realmente no comando: Bobby Kotick”, chefe da Activision e único CEO da Activision Blizzard.

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Empresa nega acusações e funcionários protestam

Nas últimas semanas, a Activision Blizzard foi processada por manter uma cultura de assédio sexual constante entre seus funcionários. A ação judicial cita até o suicídio de uma funcionária durante uma viagem de negócios com seu supervisor. O documento aponta que os executivos do alto escalão participavam ou estavam cientes dos casos.

A principal acusação é a de que a Activision Blizzard incentiva a cultura de “frat boy” (menino de fraternidade, em tradução livre). O termo faz alusão a grupos de homens universitários que moram juntos fora do campus, de modo a não se submeterem às regras da universidade.

Desde então, vários ex-funcionários têm se manifestado nas redes sociais sobre os abusos sofridos, inclusive homens. Os relatos citam massagens indesejadas, convites para sexo, assédio no primeiro dia de trabalho e “brincadeiras” de apalpar os órgãos genitais uns dos outros.

A empresa nega as acusações. Em um e-mail, a vice-presidente executiva para assuntos corporativos da Activision, Frances Townsend, chegou a dizer que “não podemos permitir que ações escandalosas de terceiros e um processo judicial verdadeiramente sem mérito e irresponsável prejudiquem nossa cultura de respeito e oportunidades iguais para todos os funcionários”.

As respostas da empresa desagradaram os trabalhadores, que fizeram greve e uma passeata. Eles também assinaram uma carta pedindo que as lideranças “reconheçam a seriedade das alegações”. Funcionários da Ubisoft demonstraram apoio ao grupo — a empresa passa por uma leva de denúncias de abuso e assédio desde 2020.

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Fonte: Canaltech

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