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Após escândalo envolvendo Padre Robson, TV cria campanha 'Eu confio no Pai eterno'

Leonardo Ribeiro
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A TV Pai Eterno tem veiculado nos intervalos da programação uma nova campanha institucional: "Eu confio no Pai eterno". Por cerca de 30 segundos, padres e apresentadores da emissora contam relatos relembrando a história da congregação, ou confirmando que a missão é seguir os passos e ensinamentos de Jesus Cristo. As mensagens são veiculadas na mesma época em que Padre Robson, apresentador e ex-presidente da Afipe (Associação Filhos do Pai Eterno), é investigado por desvio de recursos doados por fiéis para compras de imóveis não ligados à atividade religiosa.

"Queridos devotos do 'Divino Pai eterno', a vida da minha congregação e confrades é marcada pelo gesto de total confiança que Santo Afonso Maria de Ligório teve no Pai eterno quando começou a obra de evangelização. (...) Nossa história tem quase três séeculols de dedicação à igreja, atuamos em quase 100 países dos cinco continentes. Em todo esse tempo, do mesmo modo que no Santuário do Divino Pai eterno em Goiás, renovamos nossa oração e nosso compromisso missionário na mesma confiança dos primórdios da congregação. Nós, redentoristas, confiamos no amor do Pai eterno. Eu confio no Pai eterno", disse Padre André Ricardo de Melo, Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás, em um dos comerciais veiculados nesta terça, dia 1.

Em outra peça veiculada, também nesta terça, dia 1, é Padre Rafael Vieira, um dos apresentadores, quem fala.

"Eu peço sempre ao Espírito Santo a graça do entendimento de compreender cada vez mais o testemunho e a palavra de Jesus Cristo, nosso Senhor. Vou me convencendo de que Jesus nos quer cumprindo uma única missão: fazer a vontade do Pai. Como padre e jornalsita, carregando comigo minhas imperfeições, tento caminhar nessa direção. Eu confio no Pai eterno".

Padre Robson pediu afastamento das suas atividades no dia 21 de agosto. O que inclui não apenas a carreira na TV, como também a presidência da Afipe (Associação Filhos do Pai Eterno, que é responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade). A Arquidiocese de Goiânia determinou que o pároco fique afastado das suas funções, pelo menos, até 3 de janeiro de 2021, quando será feita a reavaliação das circunstâncias.

O goiano, de 46 anos, ainda é suspeito de falsificação de documentos, sonegação fiscal, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação do Ministerio Público começou após o religioso sofrer extorsões em dinheiro, e todas foram pagas (estima-se que ao todo foram R$ 2,9 milhões). Um dos hackers acusados de participarem de um esquema de extorsão foi apontado como um affair do sacerdote pela Justiça de Goiás.