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Após dia de pânico, Ibovespa volta a subir com trégua no exterior

Lucas Hirata
·4 minuto de leitura

Alguns gestores afirmam, inclusive, que o tombo recente na bolsa criou novas oportunidades de compras a despeito dos riscos no horizonte No dia seguinte ao pânico que assolou os mercados globais devido à ressurgência de casos de covid-19, a bolsa brasileira encontrou espaço para subir e retomar parte do terreno perdido. Ainda que o mercado siga bastante fragilizado, a trégua no exterior permitiu que os investidores voltassem a analisar os resultados positivos de grandes empresas, como Vale e Petrobras, para calibrar as posições. Alguns gestores afirmam, inclusive, que o tombo recente na bolsa criou novas oportunidades de compras a despeito dos riscos no horizonte. Depois de muita instabilidade ao longo do pregão, o Ibovespa fechou em alta de 1,27%, aos 96.582 pontos, bem perto da máxima no dia, de 96.688 pontos. O movimento contou, ainda, com forte giro financeiro de R$ 25,7 bilhões, patamar que não era observado desde o começo de setembro. O índice ainda acumula perda de 4,62% na semana e perde 16,48% em 2020. O movimento se apoiou primordialmente no respiro das bolsas de Nova York e, sem tanta pressão lá de fora, houve espaço para ajustes por aqui. As ações de gigantes na bolsa, como Petrobras e Vale, mostraram uma melhora de desempenho ao longo da sessão, conforme o ambiente externo melhorava. Além disso, as duas empresas divulgaram seus balanços do terceiro trimestre, com uma visão relativamente positiva sobre os resultados. As ações ordinárias da Petrobras subiram 3,70%, enquanto as preferenciais avançaram 3,32%, revertendo a queda de 5% no começo da sessão. Na quarta-feira à noite, a estatal reportou prejuízo de R$ 1,55 bilhão no terceiro trimestre de 2020, mas aumento de 26% do lucro operacional. Para o Bank of America (BofA), os números ficaram acima da expectativa, ajudados por ganhos de estoque, redução de custos e venda de ativos. A recomendação, no entanto, é neutra, já que os preços já incorporam a melhora no curto e médio prazo e há incertezas macroeconômicas nos próximos trimestres. Entre as maiores altas do Ibovespa, destaque para as exportadoras, beneficiadas pelo dólar na casa dos R$ 5,78, e seus resultados trimestrais. Usiminas PNA subiu 3,69%, CSN ON avançou 1,89% e Vale ON fechou em alta de 2,92%. Tanto a Vale como a Usiminas tiveram seus resultados no terceiro trimestre beneficiados pela desvalorização cambial e avanço do preço do minério de ferro. A Usiminas reverteu prejuízo para lucro líquido de R$ 198 milhões, enquanto a Vale teve lucro líquido de R$ 15,6 bilhões. Na avaliação de parte do mercado, o forte tombo dos mercados globais, diante do susto com a segunda onda de covid-19 na Europa, abriu oportunidades de compras de ações em todo o mundo, inclusive no Brasil. O grande problema que precisa ser endereçado, porém, é o rumo das contas públicas. “Eu vejo mais como uma oportunidade de compra do que mudança de tendência. A gente já passou por um teste de fogo que foi muito duro na primeira onda. Até por conta do lockdown, houve um bom resultado em conter o avanço da pandemia e agora ocorreu uma recaída. Mas o risco de um lockdown prolongado é bem menor”, afirma Frederico Sampaio, diretor de renda variável na Franklin Templeton. Ele destaca o fato de que a taxa de mortalidade é bem menor agora no mundo em um sinal do aprendizado com os protocolos de tratamento da doença. Ao mesmo tempo, as economias globais seguem com juros baixos, o que dá suporte para as bolsas, e isso não vai mudar no curto prazo, acrescenta o gestor. O que tem atrapalhado o mercado local é a agenda fiscal, que só deve mostrar mais clareza após as eleições municipais. “Temos o ciclo político e a questão fiscal que precisa ser enderençada. Se você olhar a parte econômica, o Brasil tem números melhores e as empresas que publicaram seus balanços tiveram resultados melhores do que o esperado. Isso mostra que terceiro trimestre foi melhor que o previsto. Na parte econômica, há evidências de melhora. Então, por que o desempenho de mercado não fala com resultados? A razão é o medo fiscal”, explica Sampaio. Para Thomas de Mello e Souza, gestor da Atlas ONE, os preços dos ativos já embutiam um cenário negativo e agora o ponto de compra de ações ficou mais favorável. “Acredito que o risco só supera a oportunidade se houver uma ruptura fiscal. Diria que 80% desses riscos [fiscal e relacionados a pandemia na Europa] estão no preço”, acrescenta. O gestor reforça preferência pelos setores de varejo, exportadoras e saúde. “Resultados bons e fortes na temporada de balanços reforçam a ideia que o micro está positivo”, acrescenta. A cautela, porém, ainda está bastante presente. “O que acontece é que tem muitos eventos importantes no radar: segunda onda de covid-19, eleição americana e, mesmo aqui, ainda tem o fiscal. É difícil saber se a bolsa cai mais, mas muita coisa voltou a ficar com preços bem interessantes”, acrescenta um gestor que preferiu não ser identificado. Outro profissional alerta que as discussões fiscais, além dos riscos lá de fora, prometem muita volatilidade. “Dá para ser tático e verificar o mercado, mas não pode baixar a guarda. Ainda tem muita coisa para acontecer no curto prazo”, afirma. Gerd Altmann/Pixabay